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Domingo, Outubro 24, 2021

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“Os desafios da parentalidade”, por Vânia Grácio

Tantas teorias que existem, tantos manuais, opiniões (muitas sem serem pedidas), vontades e querer fazer de forma diferente. Ser pai e mãe não é fácil. É um desafio constante e desengane-se quem acha que por ler uns livros ou fazer uns cursos está habilitado a esta função. Como alguns saberão, trabalho nesta área, a apoiar pais nos desafios da parentalidade, mas apesar de ter dois filhos, ter já alguma formação e ter lido uns livros, tenho muito para aprender. Aprendo todos os dias no meu trabalho e principalmente em casa. No entanto, há algo que já concluí e que é certo: não é fácil.

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Cada criança é diferente da outra, tem temperamento diferente, tem a sua forma de lidar com as situações e com a frustração. Acata melhor as regras que a outra, desafia mais que as outras. Os pais, os adultos, também têm dias melhores que outros. Uns dias são mais cansativos, outros mais stressantes. Há dias em que temos mais paciência que outros, dias em que a privação de sono custa mais. Cabe aos adultos o controlo da situação e o controlo das suas próprias emoções.

Quantas vezes me dizem que uma palmada na hora certa resolve muita coisa. Pois não concordo. Geralmente respondo com uma pergunta: “então também te posso bater se não fizeres o que digo?”

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Vamos lá então, respirar fundo, contar até dez e pensar que os adultos somos nós. Também já tivemos esta idade e já fizemos estas “asneiras”. Se apanhamos umas palmadas, decerto não gostamos por isso não o vamos fazer também. A criança tem direito à sua liberdade de expressão. Não vamos bater ou gritar só porque não concordamos com ela. As crianças testam limites para perceberem até onde podem ir. Elas precisam de regras para se sentirem seguras. Se as não cumprem, têm de perceber que existem consequências, mas não é uma palmada.

De acordo com a idade, retira-se o telemóvel, não vê desenhos animados, etc. Mas temos de explicar à criança que isso está a acontecer porque ela fez uma coisa errada. Mais, tem de ser concretizável (dependendo da idade, claro), não podemos dizer “nunca mais andas de bicicleta”, porque não vamos cumprir, e isso passa uma ideia errada à criança. O que dissermos temos de cumprir. Por exemplo, “hoje não vais à piscina”.

Depois, para além de aprendermos a gerir as nossas emoções com as crianças, temos de aprender a gerir os palpites de terceiros, sejam eles quem forem. Avós, amigos, desconhecidos… não importa. É aqui que concordo com o chavão “os filhos são meus”, dentro dos limites da proteção da criança. Ninguém tem que opinar ou intrometer-se (desde que não esteja em causa a proteção da criança). Se todos os outros “calçassem os sapatinhos” dos pais e mães em determinadas situações, perceberiam que o palpite que não foi pedido só prejudica mais do que ajuda.

Todos aprendemos. Todos ensinamos. Todos somos responsáveis. É fácil? Não é. Mas é maravilhoso.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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