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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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“Os 250 anos da Igreja de Montalvo”, por António Matias Coelho

Corria o ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1771 – faz agora 250 anos – quando, sob a direção do mestre António Xavier da Mata, foi construída a igreja paroquial de Montalvo. Um quarto de milénio passado, a matriz lá continua, simples mas bela como a aldeia de que faz parte.

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Na pacata aldeia, a sua igreja exprime as mesmas características da comunidade que serve: simplicidade, discrição, tranquilidade. É o que sente quem chega ao pequeno adro, atapetado de pedra e sombreado por várias árvores, tendo à entrada um cruzeiro tão simples e encantador como tudo o que a rodeia.

É setecentista a igreja. De 1771, como se disse. O mestre que orientou os trabalhos de construção adotou o tipo de templo que então era comum na região: edifício de uma só nave, de planta retangular, linhas simples na fachada com apenas uma janela, sobre a porta, ao nível do coro alto, e torre sineira lateral ao corpo principal.

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No interior, o espaço dos fiéis é separado do altar-mor por um arco de volta perfeita e, em tempos, também por uma cancela, da qual são ainda evidentes as marcas nas lajes do chão.

Lateralmente tem, logo à entrada, do lado esquerdo, uma pia batismal em pedra, sobre a qual um pequeno painel de azulejos representa o batismo de Cristo. Do mesmo lado, a meio da nave, há um púlpito em madeira, decorado com talha pintada. Do lado oposto encontram-se duas boas pias de água benta, uma à direita da entrada principal e outra junto à porta lateral.

No altar-mor o lugar central é ocupado pela imagem da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, uma boa peça de escultura em madeira pintada do século XVIII. Ladeiam-na outras duas imagens, mais pequenas, que representam S. João Batista e S. José com o Menino. A igreja tem ainda dois altares laterais, junto ao arco que marca o fim da nave: um é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e o outro à Senhora de Fátima.

Igreja Matriz de Montalvo. Fotografia: António Matias Coelho

Inicialmente estes altares laterais foram decorados com talha dourada. Mas houve obras na igreja, em 1958, com intenção de restaurar e melhorar, que acabaram por lhe fazer perder uma parte significativa do valor que tinha. Para além da talha dos altares laterais, desapareceram então as decorações primitivas que havia no arco e nas partes laterais do altar-mor, foi arrancado quase todo o chão, que era em mármore, para o substituir por tijoleira e, o pior de tudo, passaram a pincel todo o teto, em madeira, deixando-o de uma cor só e fazendo desaparecer um conjunto de pinturas representativas do Menino Jesus.

Para além das imagens que permanecem ao culto, pertencem ainda à matriz de Montalvo um Santo António e um S. Sebastião, ambas em pedra da Batalha, do século XVI, que ocupavam os altares laterais antes das obras dos anos ’50 e agora se encontram retiradas por serem de considerável valor.

Na parte posterior da igreja, como era uso geral, houve cemitério até ao século XIX, tendo as últimas ossadas sido trasladadas na década de 1940 para o cemitério atual.

[Este texto, cujo objetivo principal é assinalar os 250 anos da igreja de Montalvo, retoma, no essencial, o que publiquei, há mais de 20 anos, no livro Histórias do Património do Concelho de Constância, editado pela Câmara Municipal de Constância em 1999, p. 16-17. Não me foi possível, agora, visitar o interior do templo, pelo que a descrição feita pode não corresponder rigorosamente à situação atual.]

É ribatejano. De Salvaterra, onde nasceu e cresceu. Da Chamusca onde foi professor de História durante mais de 30 anos. Da Golegã, onde vive há quase outros tantos. E de Constância, a que vem dedicando, há não menos tempo, a sua atenção e o seu trabalho, nas áreas da história, da cultura, do património, do turismo, da memória de Camões, da comunicação, da divulgação, da promoção. É o criador do epíteto Constância, Vila Poema, lançado em 1990 e que o tempo consagrou.
Escreve no mediotejo.net na primeira quarta-feira de cada mês.

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