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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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OPINIÃO: Tempo de Rigor

As eleições legislativas ditaram duas realidades: se por um lado o povo confiou, com maioria relativa, na coligação entre PSD e CDS/PP, por outro lado pediu que fosse aligeirando a austeridade e que alguma coisa dos ideais mais à esquerda pudesse ter tradução prática no Programa de Governo e no Orçamento de Estado para 2016.

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Mas parece que disseram mais: que António Costa vestiu aquilo que, quando eu era miúdo, se chamava de “camisa de onze varas”. Tem de decidir se viabiliza o Governo da PaF, se viabiliza o OE2015 e, ao mesmo tempo, tentar resistir aos ataques dentro de casa e pensar nas Presidenciais.

Creio que os manuais de marketing político do futuro não deixarão de se referir a este caso como uma perda sem precedentes para quem tinha tudo para vencer e uma vitória improvável para quem tinha tudo para perder.

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E o que é que isso tem a ver com a vida no Médio Tejo? Diretamente nada, indiretamente tudo.

O que se passa em Lisboa tem impacto em todo o país. Tem mesmo. Até nas expetativas das pessoas. E entre as pessoas estão as que possuem vida pública e intervenção cívica e política. Nestas alturas é sempre discutido se alguém é “exportado” da nossa região para um espaço com mais visibilidade pública junto dos grandes holofotes do poder lisboeta. Sempre assim foi e penso que sempre assim vai ser. O chamado “trampolim”.

Na noite das eleições fui, em Lisboa, à sede de candidatura da coligação que venceu e vi comportamentos muito diferentes. Vi os contentes puros. Vi os céticos a fingir de felizes. Vi os agoirentos. Vi os oportunistas. Vi os bajuladores.

É interessante observar os comportamentos do ser humano, de acordo com a teoria das necessidades de Maslow. Há muita gente que julgamos que é senatorial mas que rasteja por um lugar numa qualquer posição confortável na administração do país. E há os que não precisam e não querem. E andam todos por aí.

Admito que seja assim em todos os partidos do chamado “arco da governação” e até noutros. O que me deixa preocupado pela condição humana permitir que pessoas se submetam ao exercício da mendicidade e do andar em bicos dos pés ao meso tempo, num exercício patético de quem sabe que tem poucas competências, poucas qualificações ou pouco tempo a perder com o competitivo mundo do mercado de trabalho. Faz parte do jogo. Em Lisboa, como no Médio Tejo, todos conhecemos exemplos do que acabei de afirmar.

O jogo do pessoal que bajula, que se insinua, que aparenta ser mais do que é, abunda por aí. Até mesmo em autarcas que passam a vida a insinuar que estão em tirocínio para um desafio mais alto, e que farão um favor ao país se empregarem o seu alegado prestígio e alegado perfil de competências ao serviço de Portugal.

Mas Portugal dispensa muito desses “narizes de cera”, como dispensa muitos desses alegados “patriotas”. Muitos deles nem deveriam apresentar-se fora de casa, porque deveriam fazer um exame objetivo de consciência sobre os atos praticados.

Na vida pública é preciso ser-se sério e impoluto, competente e dedicado, ter sentido de missão de serviço público e provas dadas. Quem falhar nisso não está à altura.

E é isto, também, que o exigente ato eleitoral do passado fim de semana nos veio demonstrar. Oxalá me engane mas o nível de exigência dos eleitores e dos cidadãos vai aumentar. E o escrutínio sobre a ética vai ser crescentemente exigente.

Ainda bem. Agora aguardemos para ver quem e como será Governo. Até p’rá semana.

 

Pedro Marques, 47 anos, é gestor, gosta de ler, de exercício físico e de viajar

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