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Sábado, Julho 24, 2021

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“Indefinições e expetativas”, por Pedro Marques

À hora a que escrevo a indefinição é enorme.

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Sabemos já que Passos apresentou ao Presidente da República esta manhã a constituição do seu Governo e que este o aceitou.

Não sabemos quantos dias poderá durar esse Governo.

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Não sabemos como decorrem as negociações entre PS, BE e PCP. Sabemos apenas que ainda não há acordo que, fora as causas mais fraturantes (regulamentação da lei do aborto e adoção por casais do mesmo sexo) ou o regresso dos feriado, nos assuntos de regime, como a retirada por completo da sobretaxa e do abaixamento do IVA sobre a eletricidade estamos longe de haver acordo. Haverá acordo no princípio na reposição de rendimentos e pensões mas não há acordo nos detalhes. E os detalhes, como bem sabemos, são fundamentais.

Sabemos que os juros para Portugal já estão a subir e são já o dobro dos que são cobrados aos nossos vizinhos espanhóis.

Não sabemos o que vai decidir o Presidente da República se a moção de rejeição avançar e se for votada favoravelmente pelos partidos da agora “Frente de Esquerda”, que continua a ter muito pouco em comum entre si. Mantém Passos e Portas, pela PaF, em gestão corrente e passa a “batata quente” ao futuro inquilino de Belém? Empossa Costa e tem de engolir um sapo enorme e fazer marcha-atrás face ao teor da sua comunicação ao país, na semana passada? Inova também e arrisca num Governo de iniciativa presidencial?

Não sabemos muito. Sabemos, até, muito pouco. Mas o que sabemos não é bom.

No PS começam a registar-se deserções, militante que abandonam o partido, descontentes com esta investida à esquerda. Autarcas independentes cujos adversários locais são, principalmente, o PCP e, em menor grau, o Bloco de Esquerda, começa igualmente a demarcar-se do partido pelo qual concorreram. No meio de tudo isto, a teimosia de um homem obstinado com a ânsia de chegar a Primeiro Ministro continua a ser uma realidade, ante s silêncios cúmplices de que, no seio do PS, embora não concorde, não ousa afrontar o líder.

Amanhã tudo poderá ser já diferente do que afirmo. O tempo é de incertezas. A única certeza possível é a da incerteza. Isso e a teimosia obstinada de António Costa.

José Gomes Ferreira escrevia que 70 por cento dos portugueses, uma maioria qualificada (por ser superior a 2/3) votou nos partidos que sempre considerou moderados, pró-europeístas, pró-ocidentais, os que sempre travaram os ímpetos totalitários de uma esquerda que nunca se cala mas não tem tido possibilidade de crescer mais. Eu concordo e também já o exprimi. O que os portugueses disseram, na minha opinião foi basicamente isto, em linguagem corrente: Passos e Portas, deixem lá de pensar que sabem tudo, não sejam alunos tão bem comportados da Europa, não se verguem tanto à senhora Merkel, aliviem a austeridade e para isso entendam-se lá com o PS, que faz falta para vos meter algum juízo e ter mais preocupações sociais e um pouco menos de neoliberalismo. Verdade ou não se este diagnóstico está certo mas penso não me enganar se disser que isto corresponde ao pensamento esmagador da população portuguesa.

Só que Costa não pode ficar para a história como o derrotado que aceita dar a mão aos adversários da direita e traçou linhas vermelhas que nos querem fazer crer que a austeridade não começou com o PS e que o pedido de ajuda externa não foi acionado pelo último governo socialista de Sócrates.

Não sabemos se Costa, um destes dias, vai ter um assomo de consciência. Se não tiver, também não sabemos em que estado vai ficar o PS. E não sabemos se vai conseguir reverter a sua péssima imagem pública, se chegar a Primeiro Ministro. Admito que sim, pois vai melhorar, no curto prazo, a vida de muitos portugueses. O pior é o que se vai seguir. Ficamos na expetativa, como se costuma dizer.

Não sabemos onde um hipotético Governo de Costa irá buscar os milhões de que precisa para alivar a austeridade sem aumentar impostos e até os reduzindo.

Não sabemos. Ou sabemos tão pouco. Os dias estão chuvosos, tristes e escuros. Isso sabemos.

Pedro Marques, 47 anos, é gestor, gosta de ler, de exercício físico e de viajar

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