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Domingo, Julho 25, 2021

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OPINIÃO: A Catalunha ou o espetro dos nacionalismos

Não importa se se dizem de direita ou de esquerda.

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Importa o que querem e procuram forçar: a independência da Catalunha, a constituição de um novo Estado Soberano.

E não importa agora o resultado das eleições do passado dia 27. Uns vão reclamar a maioria absoluta e a legitimidade para continuar. Outros vão lembrar que, entendido como ato plebiscitário, o “sim” perdeu porque ficou aquém dos 50% e que, portanto, a maioria dos eleitores que se pronunciaram recusaram a independência.

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O que importa é a emergência do fenómeno do fenómeno independentista com a força e a nitidez que a Catalunha figura. Curioso: após a derrota da ETA e o adormecimento do independentismo basco.

O problema é que a Europa dos Estados foi sempre um campo de batalha.

A questão é que a União Europeia, o único projeto político de concertação para a construção de uma região se soberania partilhada, supra-nacional, garantiu uma coisa nova: uma Europa sem guerras durante mais de seis décadas.

Bem sabemos: a União atravessa a sua mais dura crise e tem de responder às mais duras ameaças para sobreviver. Certo.

Mas sabemos também da crise do Estado Moderno, nacional, soberano dentro das suas fronteiras. E não só sabemos como vivemos esta crise como a crise das nossas vidas. Por que se trata do estertor do Estado Nacional.

De facto, entre as diversas crises que vivemos e que definem o nosso tempo histórico, uma crise é a crise maior: a crise de incomensurabilidade entre o Estado Nacional, com soberania (tanto quanto isto hoje pode ser dito sem nos rirmos) dentro das suas fronteiras e os fenómenos que tem que “gerir”: uma economia, um sistema financeiro, uma realidade cultural-científica-tecnológica que em essência são já supra-nacionais, internacionais, globais, mundiais.

Como regular, comandar, fiscalizar, ter poder (soberania política) efetivo de regulação sobre uma realidade em essência já mundial com poderes nacionais?

Se queremos – e muitos queremos – um mundo que não esteja inteiramente entregue aos poderes das grandes instituições económicas e financeiras globais, então temos que ter um PODER MUNDIAL efetivo com efetivas competências de regulação, legislação, controle, fiscalização de áreas cruciais da realidade mundial. Esta é a utopia do tempo! Esta é a resposta que, mais dia menos dia, para lá da descrença, do desânimo e do pessimismo atuais, a mais nova geração tem pela frente. Já há muitos que falam nisso e o projectam como tarefa essencial. Guterres pediu um Conselho de Segurança Económica e Financeira no âmbito da ONU. Jacques Atalli pede um FÓRUM DEMOCRÁTICO MUNDIAL. Outros o pedem, sob outras formas.

O regresso dos nacionalismos trará o aumento da conflitualidade regional e mundial.

O regresso dos nacionalismos deixa-nos totalmente desarmados perante os grandes poderes privados mundiais.

Eis uma ordem de razões para, sejam de esquerda ou de direita, não apoiarmos nem exultarmos com a novíssima onda de nacionalismos.

Ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes e ex-presidente da Assembleia Municipal de Abrantes, é o atual presidente da direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA).
Escreve no mediotejo.net às sextas-feiras

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