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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Opinião: “30 anos de cidade. E o que se segue?”, por Helena Pinto

No passado domingo, dia 13 de dezembro, teve lugar uma sessão pública organizada pela Câmara Municipal para encerrar as comemorações dos 30 anos de elevação a cidade de Torres Novas.

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Foi  ocasião para atribuir “medalhas de mérito” a instituições e pessoas que se destacaram em diversas áreas.

Serve este assunto de pretexto para abordar a questão, que na minha opinião, hoje importa colocar a cidades como Torres Novas, num contexto territorial como é o Médio Tejo.

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É sempre importante falar sobre a história das nossas cidades, situar a memória, contextualizar os afetos. Mas, mais importante é questionar o presente para perspetivar o futuro. E deste ponto de vista, as comemorações dos 30 anos de elevação a cidade de Torres Novas foram uma oportunidade perdida. Não houve programa de comemorações, apenas dois momentos – as festas da cidade, numa versão minimalista em termos de programa e maximalista em termos de gastos e a sessão de entrega das medalhas de mérito.

Entre uma e outra ocasião, não houve um único momento de reflexão sobre os desafios que se colocam ao concelho, à cidade. E, mais uma vez, estamos num período que justifica uma reflexão planeada e participada, nas vésperas da aplicação de fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020.

Assistimos ao decréscimo de população, à desindustrialização, à redução do emprego, aos crescentes problemas ambientais, ao despovoamento e degradação dos centros históricos. Assistimos a uma incapacidade crescente de atrair e fixar população jovem. Para inverter esta situação é preciso que se definam políticas públicas, abrangentes e complementares que proporcionem uma dinâmica que inverta a lógica que hoje existe.

Cabe, em grande parte, a responsabilidade aos municípios para que tal aconteça. Não adianta mais somar planos estratégicos a planos estratégicos, nem fazer obras, para dizer que se fizeram obras (muitas delas de duvidosa utilidade). Também já não adianta olhar para cada concelho, como o limite. E dentro de cada concelho apenas ver a sua sede.

É preciso a coragem política para ver o desenvolvimento para além do betão, para encontrar as soluções que melhor sirvam as populações, muitas delas de forma intermunicipal – na mobilidade, na defesa do ambiente e na promoção da qualidade de vida, no apoio aos produtos locais, no desenvolvimento de respostas sociais de proximidade, na criação de emprego, na promoção cultural e artística.

Vários concelhos do Médio Tejo estão em condições de receber fundos comunitários para a reabilitação urbana – foram elaborados Planos Estratégicos de Desenvolvimento Urbano (PEDU) para esse fim. Se todos fizeram como Torres Novas, cujo PEDU nem sequer passou pela Câmara Municipal, estaremos, muito provavelmente, perante mais uma oportunidade perdida.

Podemos somar planos aos planos, medalhas às medalhas, mas estamos a marcar passo quanto ao futuro. E é uma pena.

 

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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