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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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“Onde andam as Comissões de Utentes?”, por Duarte Marques

Confesso que umas das coisas que mais me revolta na nossa sociedade é a hipocrisia política.

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Ao longo de anos, com o PCP e BE afastados do poder, habituámos-nos a ver dezenas de comissões de utentes que, com alguma regularidade, vinham a público protestar contra determinado problema nos serviços públicos. Era normal e saudável esse exercício de cidadania em que um conjunto de utentes se juntava para nos defender a todos.

Mas tarde comecei a reparar que eram quase sempre os mesmos e só mudava o porta-voz. À porta do Hospital A falava um, nas portagens falava outro, no Serviço de Finanças repetiam o porta-voz do Hospital B e nos Correios falava o mesmo porta-voz que já tinha estado na Segurança Social e que mais tarde falaria em nome dos utentes da ferrovia.

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Uns tempos mais tarde acabei a reunir com algumas dessas pessoas que vinham representar a vereação do PCP na Câmara X, os eleitos da Junta Y do BE ou o membro do Secretariado W do PS no concelho W.  Até me recordo de uma destas Comissões ter criado um pânico irresponsável sobre o pretenso encerramento da Maternidade de Abrantes que até aí nunca tinha estado em cima da mesa. Foi uma vergonha porque foi liderado por pessoas que sabiam perfeitamente que tudo não passava de uma farsa política.

Até aqui tudo me parecia estranho mas era legítimo que militantes activos em partido A ou B pudessem, e bem, exercer os seus direitos de cidadania em Comissões de Utentes. Após 4 anos de geringonça e da degradação de serviços públicos percebi que não era tudo tão legítimo como pensei inicialmente.

Pese embora nem todas as Comissões de Utentes estejam inquinadas por estes exemplos que dei, e há muitas que fazem um trabalho notável, a verdade é que não deixa de ser estranho que com tantos problemas nos caminhos de ferro, nos hospitais, nos centros de saúde, nas urgências, não se vejam por aí as habituais Comissões de Utentes a defender os “utentes” e a criticar as opções da coligação PS-BE-PCP. Será que estão ocupadas a preparar a Festa do Avante ou ainda estão no acampamento do Bloco de Esquerda?

Desde já, aproveito para pedir desculpa a todos aqueles que, não sendo militantes do PCP, BE, PS e outros, participam legitimamente e autenticamente em algumas destas comissões manobradas por interesses partidários.

Onde andarão essas comissões de utentes?

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Ainda este senhor não andava por cá, já havia Comissão de utentes da linha do Entroncamento a Lisboa, sem partidarites porque toda a gente era prejudicada todos os dias. Estávamos na segunda metade da década de 70, os acidentes iam-se repetindo, os atrasos eram diários, os horários só serviam para se saber quanto tempo é que o comboio andava atrasado e lutámos muito. Havia um Director excepcional na CP, o Dr. Américo Ramalho, das Relações Públicas, que respondia sempre aos contactos, mas tinha dificuldade em resolver os problemas porque a burocracia interna era muita. Chegámos a reunir no Salão Nobre de Santa Apolónia com a Administração da CP e com os vários directores da Tracção, do Movimento, do Pessoal, da Via e Obras e mais não sei o quê. Só sei que se não fosse o Director das Relações Públicas, penso que alguns dos outros senhores tinham acabado a reunião à chapada. Como nada se resolveu, passados uns dias fomos recebidos pelo Sec. de Estado dos Transportes. Aí a decepção foi maior. Quando lhe foi apresentado o nosso “cadernos de encargos”, o senhor teve a lata de dizer que aquilo era “areia a mais para a sua camioneta”. Tudo boa gente. Lá fomos lutando e foram sentidas algumas melhorias até porque a CP naquela altura estava ainda pior do que agora está. A sinalização automática tinha colapsado. Os comboios andavam por “avanços”, para evitarem mais acidentes. A falta de material era evidente, a via estava sempre em obras nunca acabadas, os preços dos passes eram caríssimos e depois ainda nos diziam que os mesmos, que tinham viagens ilimitadas, nos permitiam vir jantar a casa e à noite ir ao teatro a Lisboa, como disse o tal Sec. de Estado, que parecia que estava gozar com o pessoal. É uma pena que pessoas como o autor não sejam obrigados, pelas circunstâncias da vida a serem utentes dos comboios diariamente para também se reunirem em Comissões de Utentes. É uma pena.

  2. A idade ainda não é muita mas o currículo deste senhor coloca-o do lado da hipocrisia com que ele diz sentir-se revoltado.

    Na União Europeia ou no Parlamento Europeu (como preferirem), no governo, na liderança da JSD, como deputado do PSD… o currículo dele (portanto a sua acção política) coincide com a perda de direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo, com a degradação de serviços públicos na saúde, educação, transportes,do direito à justiça, à cultura… esses direitos que as comissões de utentes vêm defendendo.

    Cada um posiciona-se do lado que quer; uns do lado dos utentes e outros do lado do negócio e do lucro com a saúde e a educação… sobre hipocrisia, tenho dito.

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