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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Ómicron | “Força do vírus está na nossa fraqueza”, CHMT apela a uma “cultura de responsabilização” (c/áudio)

A pandemia agudizou-se novamente, o Governo central impôs novas medidas, o número de marcações para a realização de testes disparou, e a nova variante Ómicron, que surgiu na África do Sul, já chegou a território nacional. Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) diz que o desenvolvimento desta nova vaga vai depender muito do comportamento de cada uma das pessoas, pelo que apela a uma cultura de responsabilização de modo a evitar um cenário de “muita gravidade”.

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Aliando as características da época, que não são favoráveis ao combate à pandemia, com os comportamentos que as pessoas possam ter, o diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo antevê aquele que pode ser um cenário de “muita gravidade”.

“(…) a força deste vírus está relacionada com a nossa fraqueza, e a nossa fraqueza tem a ver com o não-cumprimento das precauções e das responsabilidades que cada um de nós tem de ter”.

“Eu gostaria de ser otimista e de dizer que tudo se vai resolver, mas se olhar para a história mais recente, desde há um ano e meio atrás, é uma história de surpresas, de más surpresas”, disse Carlos Cortes, acrescentando que quer “relembrar isto para as pessoas não se esquecerem que a força deste vírus está relacionada com a nossa fraqueza, e a nossa fraqueza tem a ver com o não-cumprimento das precauções e das responsabilidades que cada um de nós tem de ter”.

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ÁUDIO | Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo

 

Não querendo ser demasiado pessimista, Carlos Cortes concede que, se em contrapartida, as pessoas tiverem uma postura de responsabilidade, cidadania e de preocupação com o outro, a situação pode não ser tão grave.

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“Mas as pessoas têm de acrescentar a isso outras características sazonais, que fazem com que este tipo de vírus se dissemine com muito mais facilidade: o frio, o facto de as casas não serem tão arejadas, de haver menos luz… tudo isso faz com que o vírus seja mais resistente e tenha maior capacidade de se desenvolver”, relembra.

Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do CHMT defende que as preocupações mais importantes devem ser o uso de máscara, o distanciamento e a higienização das mãos. Créditos: Unsplash

Entre um reforço da vacinação, mais medidas restritivas ou uma maior testagem, segundo Carlos Cortes, as precauções mais importantes são aquelas que tomamos individualmente.

“Tem de haver uma cultura de responsabilização, uma cultura de cidadania, uma cultura de solidariedade, para pensarmos nos outros, pois sabemos que quando somos portadores do vírus – independentemente ou não de causar doença no nosso organismo – podemos contaminar outras pessoas, nomeadamente outras pessoas com menos capacidades imunitárias que nós (…) e as pessoas têm de ser responsáveis, e têm de saber usar muito bem aquelas que são as recomendações já conhecidas de todas as pessoas, que é por um lado o uso da máscara, por outro o distanciamento, e a higienização das mãos”.

Nova(s) variante(s) a juntar à problemática

O problema que mais preocupa verdadeiramente este médico, não é, no entanto, a nível nacional, mas sim mundial. Que é a existência de áreas populacionais muito grandes no mundo onde não existem vacinas nem preocupações, e onde há uma disseminação brutal do vírus, até porque quantos mais organismos o vírus tiver para se desenvolver, maior é a sua capacidade para criar variantes, alertou Carlos Cortes.

“E podemos ter variantes ‘para todos os gostos’, com uma virulência muito grande, portanto com capacidade de causar doença grave a morte. Podemos vir a ter, teoricamente. Como podemos vir a ter variantes – e este é o grande receio de toda a comunidade científica – que sejam resistentes à imunidade conferida pela vacina. E isso é aquilo que de momento mais me preocupa”. A variante Ómicron é o novo fator que se juntou à equação. 

Desde o início do seu trabalho que os laboratórios do serviço de Patologia Clínica do CHMT têm a capacidade de diferenciar as variantes através da testagem. Foram sendo identificadas as variantes que foram surgindo, como a de Manaus, África do Sul e Reino Unido, mas com a ocupação da totalidade do espaço infecioso pela variante Delta, deixou-se de fazer essa identificação. Agora com o surgimento da nova variante Ómicron, Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo, quer ter a capacidade de a identificar. 

“Estamos a aguardar a capacidade para a identificar cá, não obstante estarmos a enviar tudo para o Instituto Ricardo Jorge, que é quem tem a capacidade neste momento para identificar esta variante, mas assim que nós tivermos aqui identificado essas variantes, começamos a tentar perceber se há ou não diferenças [em relação às outras variantes]”, explicou o diretor do serviço de Patologia Clínica do CHMT.

Não tendo ainda muita experiência com esta nova variante, Carlos Cortes diz que o máximo conhecimento que tem é o decorrente da (ainda pouca) evidência científica existente. E do pouco que há, Carlos Cortes diz que parece percetível que tem características de muita preocupação, como o facto de ser mais contagiosa – o que é uma vantagem sobre todas as outras podendo ocupar todo o espaço infeccioso – infetar mais as crianças do que a Delta (variante predominante até ao momento).

Equipamentos do Laboratório do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo, em Tomar. Foto: mediotejo.net

O médico diz que se está ainda a tentar perceber se esta variante é ou não resistente às vacinas, mas que se já começou a perceber que tem maior capacidade de infetar pessoas que já estão vacinadas.

“E se as pessoas se esquecerem – como fizeram infelizmente no ano passado – de que existe uma pandemia, de que existe uma variante que à partida é muito mais contagiante do que as anteriores, e que existem pessoas a adoecerem e a falecerem por causa da Covid19, então podemos ter um cenário muito grave”, alerta o médico.

Carlos Cortes apela assim para as pessoas “escolherem a vida” em vez da “vontade de conviver”, num esforço para tentar ultrapassar este que é um “mau momento”, tendo feito notar que nos últimos 100 anos não existiram acontecimentos sanitários mais graves do que este.

“Não houve. Com esta globalização do vírus e com o conhecimento científico e o avanço tecnológico que temos agora… eu nem quero imaginar se este vírus tivesse surgido 100 anos atrás”, refletiu Carlos Cortes.

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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