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“Obras na Avenida D. João I”, por Vasco Damas

Aqueles que me conhecem sabem que não critico de forma gratuita, que sou firme nas minhas convicções mas moderado nas minhas opiniões e, quando faço um comentário, pretendo contribuir para a identificação e resolução de um problema. Não sou provocador, tenho tido a capacidade de não responder a provocações e o meu passado “fala” por mim e mostra a coerência daquilo que agora afirmo.

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É por isso que me sinto com legitimidade para afirmar que o que se está a passar com as obras que se iniciaram na semana passada na Av. D. João I em Abrantes, é demasiado grave para não ser denunciado.

As falhas no envolvimento, na comunicação, no planeamento, na gestão da obra e na avaliação dos impactos económicos são demonstrativos de um amadorismo primário que não pode continuar a passar impune.

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Não questiono a sua utilidade nem a sua necessidade e todos sabemos que qualquer obra provoca transtornos no presente para melhorar as condições e a vida de todos no futuro. Mas utilizar esta frase feita para justificar esta situação, é demonstrativo da inexistência de sensibilidade ou de falta de conhecimento de como funciona a generalidade do comércio.

E àqueles que afirmam que a autarquia pode fazer o que quer, quando quer e da forma que quer, respondo-lhes que estão enganados. É óbvio que a autarquia tem a faculdade de tomar decisões, mas tem a obrigação de avaliar o impacto dessas mesmas decisões.

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Parece-me claro que neste processo, isso não aconteceu. Permitir que uma obra comece sem sinalização que identifique a permissão de acesso ao Retail Park, sim, porque foram os proprietários desse espaço comercial que colocaram, contra a vontade do responsável da obra, as primeiras placas com essa informação, é desde logo um erro de comunicação e de planeamento bastante grave.

As falhas puderam ser confirmadas no dia seguinte ao arranque da obra numa reunião onde estiveram presentes técnicos da autarquia, o construtor, os proprietários do Retail e os responsáveis das várias lojas que se localizam nessa zona comercial e que estão a ser prejudicadas por esta situação.

Ouvir técnicos, em nome da autarquia, pedir desculpa pela falta de informação que foi motivada pela doença do responsável pela obra, é quase surreal, mas ter conhecimento que para a autarquia todas as lojas são iguais mas que umas são mais iguais que outras, recoloca-nos os pés no chão e volta a mostrar a gravidade da situação, já não da obra mas do carácter de quem está por trás das decisões.

Começar esta obra no período mais forte para a generalidade do comércio, é criminoso. O mês de novembro já está perdido. As perspetivas para o mês de dezembro não são mais animadoras. Mas, pelo que vou ouvindo, está tudo bem e dentro da normalidade.

Quero, posso e mando. É com esta filosofia que, por cá, se defende a economia local e se protegem os postos de trabalho.

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Vasco Damas
É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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