Tomar | O veterinário que levou a bandeira do município ao topo do Kilimanjaro

O médico veterinário chegou com a bandeira de Tomar a ponto mais alto de África a 15 de agosto. Foto: DR

A voz ainda se embarga de emoção quando recorda o momento, do outro lado da linha do telefone. O momento em que estendeu a bandeira do seu concelho, Tomar, no topo do Monte Kilimanjaro, situado no norte da Tanzânia, junto à fronteira com o Quénia. É o ponto mais alto de África, com 5 895 metros de altitude. Falamos de Raimundo Tamagnini, 41 anos, médico veterinário natural de Tomar mas a trabalhar no Dubai, que embarcou nesta aventura com mais dois amigos entre os dias 11 e 16 de agosto. O topo foi atingido no dia 15 de agosto, às 8h41 da manhã.

PUB

A motivação desta aventura passou por angariar dinheiro para a investigação e tratamento de uma doença, a Distrofia Muscular de Duchenne, e divulgar a instituição Joining Jack, tal como o mediotejo.net relatou. Mas o desafio de testar as suas capacidades físicas (e até psicológicas) esteve sempre presente.

FullSizeRender
O médico veterinário tomarense em plena aventura. Foto: Direitos Reservados

Raimundo Tamagnini fala com o mediotejo.net por telefone a partir do Dubai, país com mais três horas de fuso horário, onde já regressou ao trabalho. Conta que o mais duro foi mesmo a preparação. “Foi uma experiência fantástica mas bastante desafiante”, conta. “Não só a nível físico como também a nível mental”. O veterinário tenta manter-se em forma aos 41 anos e fez treinos específicos de ginásio e numa câmara de altitude para aumentar a resistência ao esforço e identificar situações semelhantes às quais ia passar. Os treinos duraram dois meses mas, nos últimos dez dias antes de embarcar, intensificaram-se com os três amigos, jogadores de rubgy, por mais uma hora e meia. “Tínhamos passadeira rolante, bicicletas e a câmara de altitude, que ia aumentando todos os dias de nível de dificuldade. Não podíamos abanar a cabeça ou falar muito porque nos cansávamos”, recorda. Os treinos foram feitos mesmo até ao dia em que voaram para África.

PUB
FullSizeRender (2)
Os três amigos chegaram ao topo do Monte Kilimanjaro às 8h40 do dia 15 de agosto. Foto: Direitos Reservados

Prepararam refeições altamente calóricas para levar uma vez que, como andavam muito, queimavam muitas calorias. A nível mental também foi um desafio. “Vimos muitas pessoas a desistir da subida”, recorda.

Raimundo Tamagnini e os amigos partiram na terça-feira, 11 de agosto, via Nairobi (Quénia) e depois voaram para o aeroporto Kilimanjaro, já na Tânzania. “Chegámos e começamos nesse mesmo dia a andar. Escolhemos fazer o caminho mais curto mas que não é tão bonito. Mas uma coisa boa é que subimos pelo norte e descemos pelo sul da montanha. Tivemos o bom das duas vistas”, explica.

PUB

Nesse mesmo dia começaram logo por fazer quatro horas de caminho, tendo dormido em tendas, no primeiro acampamento. O frio era imenso. Raimundo conta que chegou a ter vestidas mais de 20 peças de roupa. A jornada prosseguiu com avanços e recuos para permitir a aclimatização. O médico veterinário conta que é asmático mas, curiosamente, não teve que usar a bomba de inalação uma única vez.

14107896_10154635954582018_779924071220199268_o
Chegaram ao “Base Camp” no domingo, 14 de agosto. Seguiram-se mais 8 horas e 41 minutos de caminho até ao topo. Foto: Direitos Reservados

Fizeram o caminho mais curto e mais inclinado. “São passos muito pequeninos porque está frio e estamos com muito peso, tendo que parar para recuperar o fôlego. O caminho não tem muita gente mas encontrámos pessoas de todas as idades e de todas as partes do mundo”, recorda. Chegaram ao “Base Camp” no domingo, dia 14. O objetivo estava próximo. Almoçaram e deitaram-se em seguida. Acordaram – já dormiram com metade da roupa vestida porque estavam 5 graus negativos – e à meia-noite partiram para a última etapa, rumo ao topo. “Muito escuro, a passos de bebé, com camadas e camadas de roupa para enfrentar o frio. Foi quando as coisas começaram a apertar mais”, refere. Foi aqui que viu muitas pessoas a desistir, a voltar para trás com garrafas de oxigénio.

14063974_10154627179787018_1854722728073226080_n
Além das cores de Tomar, Raimundo Tamagnini também levou a bandeira Nacional. Foto: Direitos Reservados

Chegaram ao topo da montanha mas, como é um vulcão, ainda tiveram que andar mais duas horas, com escarpas muito grandes, para chegar ao pico mais alto. “A altitude é uma resposta individual. Não interessa se estamos bem preparados ou não. Aí um dos meus colegas teve que parar a cada 10 minutos para respirar… o sol já tinha nascido, eram sete horas da manhã. Havia glaciares com milhões de anos ao pé de nós que, infelizmente, estão a derreter”, descreve. O dia estava lindo, recorda, com uma temperatura de – 15 graus. Eram 8h41 do dia 15 de agosto.

Foi quando ergueu bem alto a bandeira de Tomar. “Ainda me estou a arrepiar. Além da vista maravilhosa, ainda é mais bonito pelo teste que tivemos que enfrentar, até porque há muitos que não o conseguem fazer. Fizemos um agradecimento à família e a todos os que contribuíram com doações para a campanha e resolvi prestar uma homenagem à cidade onde nasci e fui criado. Foi um orgulho mostrar a bandeira de Tomar porque é sinal de que os tomarenses estão em todo o lado”, conta.

Raimundo Tamagnini considera que viveu uma experiência única e onde tudo correu muito bem. “Frio, falta de ar e cansaço não faltaram mas já sabíamos o que nos esperava”, refere. Após atingirem o topo, tiveram que descer rapidamente, em três horas. No total, a aventura destes amigos, com subida e descida ao Monte Kilimanjaro, demorou 11h30. “Passamos por diferentes paisagens. O que mais me impressionou foi na última subida, cerca de dois quilómetros, pela borda do vulcão. Foi a passagem mais intensa. Não há vegetação, apenas glaciares. Uma vista tão bonita… e saber que estava a conseguir fazer o que não muita gente fará… é marcante”. Esta é uma experiência que fica para a vida, conclui, confessando que foi o teste mais difícil que já teve que superar.

*Republicada no âmbito de alguns trabalhos a que voltamos a dar destaque e que foram publicados no jornal mediotejo.net entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here