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Domingo, Setembro 19, 2021

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“O verdadeiro campeão”, por Vasco Damas

Começo esta crónica repetindo o primeiro parágrafo que escrevi há cerca de 52 semanas. “Por princípio não gosto de escrever sobre futebol. É uma paixão que pode colidir com as mesmas paixões de outras pessoas e, devido a esse facto, normalmente cai-se, rápida e facilmente numa irracionalidade que retira lucidez e urbanidade.”

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O que pude ler antes, durante e depois de sábado confirmam este pensamento. Na opinião de muitos, há vitórias que não são reflexo da competência, do trabalho, da liderança e da vontade, limitando-se a ser o espelho de um sistema viciado e batoteiro que não respeita as regras e que não trata todos da mesma maneira.

Mesmo que os números sejam contundentes, históricos e não deixem margens para dúvidas, é mais fácil minimizar os feitos de um grupo que conquistou 95% de vitórias desde que mudou de líder com insinuações ridículas, do que assumir os erros em causa própria.

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Há um ano, neste espaço, dei os parabéns ao novo campeão. Hoje dou os parabéns ao timoneiro do novo campeão. É certo que estão todos de parabéns porque todos tiveram a sua responsabilidade no sucesso coletivo, mas ele em particular, é o paradigma do verdadeiro campeão.

A sua humildade, a sua capacidade de gestão, a forma como soube otimizar recursos, a sua coragem, o seu espírito de sacrifício e a inteligência com que conseguiu unir o grupo alinhando a estratégia em direção a um objetivo que se pode sintetizar numa faculdade ímpar de liderança, são a chave deste sucesso.

O tal paradigma de um verdadeiro campeão a que não estamos habituados no futebol português. Porque é nas vitórias que se conhece o verdadeiro carácter das pessoas e neste caso fomos presenteados com urbanidade, educação, gratidão, respeito, preocupação social e a assunção que há vida para lá do futebol.

Penso que os verdadeiros adeptos do futebol concordam comigo. Isto é um jogo, não é uma guerra e há vida para lá das derrotas mas, acima de tudo, tem que haver honra antes das vitórias. Parece-me que neste caso há uma linha condutora que honra antes da vitória e que exponencia essa honra depois da vitória. Um exemplo e uma exceção que se limitam a mostrar o carácter de um verdadeiro campeão.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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