O testemunho arrepiante de Fernando Calado, em Paris (c/audio)

Bombeiros franceses ajudam um ferido, à porta do Bataclan, em Paris / DR

fernando caladoDepois de uma noite quase toda em branco, acompanhando o vai-vem de polícias e ambulâncias, Fernando Calado perdeu o pouco ânimo que tinha para sair de casa assim que chegou à porta do seu prédio. Olhou para o chão e, pelas valetas, em vez de água corria sangue.

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Fernando tem 53 anos, é natural de Tramagal, Abrantes, e está emigrado em Paris desde os anos 80. Hoje gere a sua própria empresa de construção, a SGC Batiment. Mora no 11º distrito, bem no centro da cidade, num prédio que partilha a parede com o fundo do palco da sala de espetáculos Bataclan, o local onde ontem se registou o maior número de vítimas, na sequência dos ataques planeados pelo Estado Islâmico naquela cidade: o último balanço dá conta de 129 mortos e 352 feridos, 99 dos quais em estado grave.

Uma dessas vítimas será a rapariga com quem teve pesadelos, nos poucos minutos em que conseguiu dormir. Ficou impressionado com os seus gritos “agudos e horríveis”, dizendo “não, não”… até que ouviu um tiro. E nunca mais ouviu a voz daquela mulher.

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Mais tarde ouviria de novo tiros e mais explosões. Quando um dos terroristas accionou um cinto de explosivos, o prédio “abanou todo”.

Fernando Calado conta-nos como viveu as últimas 24 horas, transformado em testemunha involuntária do maior atentado terrorista em solo francês.

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Ouça a entrevista:

 

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Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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