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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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“O tempo das sondagens”, por Helena Pinto

O país vive um período de agitação política. Tudo começou com o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 e, prevê-se, continuará até à realização das eleições legislativas intercalares marcadas para 30 de janeiro de 2022.

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Como quase tudo na vida, também aqui os acontecimentos sucedem-se em ciclos. Primeiro a encenação, a argumentação catastrofista, depois o aponta-culpas, o passa-culpas, a espera para ver como andam as coisas, segue-se a fase da entrevista e depois entramos em campanha. Neste processo e neste período surgiram 4 sondagens.

Para além da frase feita “as sondagens valem o que valem” e do descrédito que as mesmas têm vindo a acumular (lembremo-nos das recentes eleições autárquicas), o que é um facto é que comentadores adoram sondagens e os dirigentes partidários não dispensam olhar para elas. E fazem bem, na minha opinião. Não se deve acreditar piamente, mas a informação que transmitem deve ser um, entre muitos outros, um factor a ter em consideração.

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Mas sentiu-se nas últimas semanas um especial frenesim na expectativa que as sondagens confirmassem a narrativa dominante: para uns a expectativa era que as sondagens dessem uma maioria a toda a direita independentemente do PS ser o partido mais votado – a direita sonha com uma “geringonça” do seu lado… Nada feito, a direita não tem maioria em nenhuma sondagem.

Outros gostavam de ver BE e PCP apoucados e o PS à beira de uma maioria absoluta. Também não existe correspondência com este cenário. PS ganha as eleições, mas em nenhuma tem maioria absoluta.

E por último ainda havia a expectativa de ver o BE a cair de forma estrondosa. Também não aconteceu. Em 3 das 4 sondagens o Bloco continua a ser a terceira força política.

 Mas as sondagens valem o que valem e também se enganam. E daqui até 30 de Janeiro, todos nós temos que seguir a campanha, com atenção, com empenho e com exigência, pois o país não pode nem deve prescindir de clareza sobre como serão os próximos anos.

A campanha é feita por todos e todas. O povo não é apenas receptor para ouvir os discursos, deve também conseguir colocar na ordem do dia as questões sobre as quais quer que os discursos falem.

É fundamental que a próxima campanha eleitoral seja um processo de confronto de ideias e de projectos e de clareza por parte de todos os partidos.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação Feministas em Movimento.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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