“O teatro das sanções e a CGD”, por Duarte Marques

Como disse, e escrevi várias vezes, não fazia qualquer sentido aplicar sanções a Portugal, sobretudo por causa de 2015. Apesar de todo o teatro do Governo e da incapacidade de gestão política da Comissão Europeia, a verdade é que no fim não há  sanções e ainda bem.

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O atual Primeiro-Ministro sempre disse que se houvesse sanções elas seriam sobre 2015, portanto a narrativa sobre a responsabilidade do governo anterior TERMINOU. Ou seja, no fim da linha, o atual Primeiro-Ministro acaba por reconhecer, em entrevista ao Público, que a diminuição do défice entre 2011 e 2015 deveria ser premiada e não penalizada. Afinal, o Eurostat confirma que o défice português em 2015, sem as ajudas ao setor financeiro, foi de 2.8%. Todo este teatro em torno das sanções teria sido evitado se António Costa tivesse usado esse argumento deste início, mas não, o nosso PM, refém do BE e do PCP,  não podia admitir o bom trabalho que herdou. Optou por tentar descredibilizar o governo PSD/CDS e a Comissão Europeia.

Há algo curioso que agora, perante todas as reações, apetece dizer: se houvesse sanções era culpa do governo anterior, com não houve é mérito do atual. Curioso que os factos e os números são os mesmos. Antes e depois da decisão, só muda a narrativa.

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Uma coisa é certa: a decisão ontem anunciada deixa também António Costa com total liberdade, e responsabilidade, de gerir o país sem amarras ou condicionantes do passado. A partir de hoje não há desculpa interna nem externa para António Costa não cumprir as promessas de maior crescimento, menos desemprego e mais investimento.

Deixou de haver inimigo externo que sirva de álibi ao atual governo e deixa de haver herança pesada do governo anterior. A partir de hoje o nosso futuro depende apenas da capacidade de gestão do atual governo e do seu Primeiro Ministro.

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CGD

Escrevo após as duas primeiras audições à Comissão de Inquérito à CGD e é já possível verificar duas conclusões: em primeiro lugar, a CGD não está no estado lastimoso que o Ministro das Finanças anunciou, aliás está com rácios muitos superiores aos que tinha em 2011, de transformação e de capital; em segundo lugar, fica claro que os montantes necessários para a sua recapitalização, exigida por novas regras do BCE, são muito inferiores aos pretendidos pelo governo.

Parece-me também claro que as duas primeiras audições desta comissão já permitiram reforçar a confiança na CGD, na sua solidez financeira, algo que tinha sido colocado em causa pelo Ministro Mário Centeno. Não deixa de ser curioso que a comissão de inquérito criticada por poder desestabilizar o banco público acabe por ser o espaço que garante a estabilidade da imagem pública da CGD após as inquirições ao atual Presidente e ao Governador do Banco de Portugal.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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