“O sonho continua…”, por Nuno Pedro

Foto: DR

Pois é, contra ventos e marés, a equipa de todos nós lá vai caminhando em pezinhos de lã rumo a Paris. Quase sem se dar por ela. Pelo meio, uma paragem em Lyon, a última, tão decisiva como todas as anteriores, pois sem as vitórias já alcançadas – sim nós ganhámos, não empatámos, como os eternos detractores e arautos da desgraça querem fazer crer, encontrando sempre algo para denegrir e tirar mérito ao que já conquistámos – jamais sonharíamos estar tão perto da cidade luz.

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Ponto prévio, cumpre-me dizer que antes do início da competição não entrei num clima de euforia desmedida, só porque goleámos a Estónia, selecção do terceiro mundo futebolístico, como também não fui invadido por um estado depressivo quando empatámos os três jogos da primeira fase, exibindo um futebol pouco atractivo e sem deslumbrar. O que é facto é que o pragmatismo, tal como a racionalidade patenteada, têm permitido ultrapassar os obstáculos com os quais nos vamos deparando. Foi a Croácia, já em tempo de prolongamento e agora a Polónia na marcação de grandes penalidades. Sofremos, é verdade.

Fomos bafejados por aquela pontinha de sorte que nos faltou noutras ocasiões, subscrevo. Mas o futebol não é isto mesmo? Um jogo com três resultados possíveis, mas em que a vitória é o mais ambicionado? Por vezes, ao ler ou escutar uns tolos pseudo-especialistas em matéria de futebol, desculpem-me esta adjectivação mas começo a perder a paciência com tanto disparate produzido, colocando em causa treinador, jogadores – neste capítulo Ronaldo tem sido um mártir – e só não encontram no roupeiro o culpado de tudo quanto é mau porque as camisolas ainda não se vão rasgando, chego à penosa conclusão que para alguns irradiarem felicidade o melhor mesmo seria jogarmos como nunca e perdermos como sempre.

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Para esses, as redes sociais então têm sido palco privilegiado para regurgitarem tanta, mas tanta alarvidade, que acabam por me dar a prerrogativa de os considerar inimputáveis. Convenhamos que a estupidez tem limite, mas existe quem ultrapasse essa fronteira com uma naturalidade que chega a ser confrangedora. Criticar de forma construtiva e séria é um caminho que se aplaude. Entrar pela ofensa gratuita e eivada de uma clubite despropositada e fora de contexto só porque o jogador do clube A joga de início em detrimento do jogador do clube B é defeito de pessoa estúpida. Mas será difícil perceber que a equipa que está a jogar é a Selecção Nacional, independentemente dos jogadores que a representam e que estão unidos em torno de um único objectivo: GANHAR? E não é esse também o desiderato que todos nós, portugueses de alma e coração, desejamos que se concretize: GANHAR? Faltam duas finais. Até poderemos ficar pelo caminho.

Mas gaita basta de sermos nós a dar tiros nos próprios pés. A desacreditar o que é nosso. Até porque, ironia do destino, serão esses mesmos a colocar-se na linha da frente dos festejos quando eles acontecerem. Coerência? Que significado é que isso tem, o que é que interessa? Vamos mas é agarrar no cachecol, na bandeira e estoirar com a buzina do carro. Como diria o outro, eu até sou da selecção desde pequenino. Tem é que GANHAR. Portugal está feliz. E vai continuar…

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