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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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“O Sardoal, Boletim Municipal”, por Armando Fernandes

Já devia ter escrito no Médio-Tejo Digital sobre o Boletim Municipal O Sardoal. Porquê? Porque o merece amplamente, sem qualquer espécie de favor. Trata-se de uma publicação camarária onde o culto da personalidade está arredado, na qual as notícias são escritas de modo a todos as entenderem dado nem todas e todos possuírem elevado grau de literacia. Muito bem.

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Detenho alguns números na barafunda dos meus documentos por inserirem informações interessantes no arco dos meus pontos focais na área da história da alimentação, do turismo religioso e usanças de antanho nas comunidades constitutivas do concelho sardoalense.

Acrescento: todos quantos queiram aprender as vinculações sociais pelo menos no século XX neste concelho será obrigado a consultar O Sardoal. Se é de justiça escrever tão evidente verdade, entenda-se também como elogio.

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Podia acrescentar a esta crónica bem temperada de louvores, justos louvores, referências pessoais, não o faço, se o fizesse contrariava o ter acentuado ser O Sardoal relapso aos mandamentos da «Confraria do Badalo», tornando-o um exemplo pouco seguido de Melgaço ao Corvo. Infelizmente.

Obviamente seria profunda hipocrisia ignorar os fundamentos políticos contidos no referido Boletim, a diferença em relação à concorrência reside na circunstância de a figura do Presidente da Câmara não surgir linha sim, linha não, do relato das actividades camarárias ser feito ao modo do sal na comida, nem de mais, nem de menos. O fundibulário Bispo de Viseu, Dom António Alves Martins fazia a analogia com o sal relativamente à religião. O liberal Bispo tinha a rigorosa noção do exagero, a máxima adverte: tudo que é demasiado é moléstia.

No que tange ao grafismo eu gosto, no entanto, é tudo uma questão de gosto, só que «gostos não se discutem», claro que discutem quantas vezes acriticamente prevalecendo a paixão sobre todos os restantes argumentos ou razões.

No último número recebido a componente cultural ganhou espaço e saliência, também nesta matéria O Sardoal difere dos demais, os seus mentores têm a preocupação da importância da aculturação de todos, pessoalmente toca-me a constante referência a livros, leituras e escritores. Posso discordar das escolhas feitas, mas alegra-me o incentivo à leitura, tal como ma agrada o mesmo empenho nesse propósito do Médio-Tejo Digital.

Apetecia-me tecer considerações acerca do Sardoal no passado ter sido estância de veraneio de gente possidente atraída pela amenidade climatérica da Vila, não cedo à tentação, esta crónica é dedicada ao estimável O Sardoal. E, mais não escrevo!

Armando Fernandes

  1. Alegro-mo pelo Prémio Nobel deste ano ter sido atribuído a Bob Dylan. O Musicólogo e Presidente da Câmara do Sardoal que pensa do facto?

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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