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Sábado, Julho 24, 2021

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“O ribatejano sem medo que fez tremer Salazar”, por José Martinho Gaspar

GENERAL HUMBERTO DELGADO

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O RIBATEJANO SEM MEDO QUE FEZ TREMER SALAZAR

No dia 15 de maio de 2016 o Aeroporto da Portela, em Lisboa, passará a designar-se “Aeroporto General Humberto Delgado”. Completar-se-ão, nesse dia, 110 anos sobre a data de nascimento de Humberto da Silva Delgado, nascido em Boquilobo, freguesia de Brogueira, concelho de Torres Novas, distrito de Santarém.

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Humberto Delgado frequentou o Colégio Militar entre 1916 e 1922 e, em 1925, entrou para Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas. Participou na revolta militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a I República e implantou a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, em 1933, daria lugar ao Estado Novo de Salazar. Durante vários anos, Humberto Delgado apoiou as posições oficiais do regime salazarista, em especial o seu anticomunismo.

Humberto Delgado

Já na década de 40, Humberto Delgado representou Portugal nos acordos secretos com o governo inglês sobre a instalação das Bases Aliadas nos Açores, no decurso da II Guerra Mundial. Entretanto, em 1944, foi nomeado Diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil.

Já em 1952, Humberto Delgado assumiu o cargo de adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e de membro do comité dos Representantes Militares da NATO. Promovido a general na sequência da realização do curso de altos comandos, passou a Chefe da Missão Militar junto da NATO. De volta a Portugal, foi nomeado Diretor-Geral da Aeronáutica Civil.

Os cinco anos que viveu nos Estados Unidos modificaram a sua forma de olhar para o regime político vigente, do qual se tornou especialmente crítico. Apresentou-se como candidato da oposição à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime, Américo Tomás. Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de maio de 1958, quando lhe foi perguntado por um jornalista a sua posição relativamente ao Presidente do Conselho, respondeu com a célebre frase “Obviamente, demito-o!”. Esta resposta incendiou os espíritos dos contestatários ao Estado Novo e fez tremer o regime e Salazar.

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A coragem que manifestou ao longo da campanha eleitoral, face à repressão policial do regime, foi decisiva para que fosse cognominado “General sem Medo”. Apesar do enorme entusiasmo em torno da sua candidatura, o resultado eleitoral não lhe foi favorável graças à fraude eleitoral montada pelo regime. Salazar, porém, não ganhou para o susto e, nas eleições seguintes, o Presidente da República passou a ser eleito por um colégio eleitoral.

Em 1959, na sequência da derrota eleitoral, vítima de represálias por parte do regime e de ameaças por parte da PIDE, o General Humberto Delgado pediu asilo político na Embaixada do Brasil. Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios pacíficos, promoveu a realização de um golpe de estado militar, concretizado em 1962 e que visava tomar o quartel de Beja e outras posições estratégicas importantes de Portugal. O golpe, porém, fracassou.

Convidado para um encontro com supostos opositores ao Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola perto de Olivença, a 13 de fevereiro de 1965, caindo assim numa cilada. Ao seu encontro foi um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco. O agente Casimiro Monteiro assassinou-o, bem como à sua secretária, sendo os corpos ocultados próximo de Villanueva del Fresno, cerca de 30 km a sul do local do crime. Ironicamente, o chefe da brigada da polícia política que assassinou o “General sem Medo” era também natural da nossa região, do Rossio ao Sul do Tejo.

A casa onde nasceu, na pequena aldeia de Boquilobo, Torres Novas, encontra-se atualmente restaurada e transformada em espaço museológico dedicado à sua memória. A habitação original constava apenas de uma casa térrea do século XIX, com palheiro anexo, integrando uma grande cozinha com lareira, sala, e dois quartos. A fachada principal, para onde deita a cozinha e a sala, é rasgada por uma janela e duas portas de postigo. O conjunto foi adquirido em 1993 por Joaquim Marques de Oliveira, para ser oferecido à Junta de Freguesia local, com o fim de aí se instalar o futuro Museu Humberto Delgado.

As obras de adaptação foram iniciadas nesse mesmo ano. O palheiro, à direita do imóvel principal, foi recuperado e ampliado com um piso superior, segundo projeto do escultor José Aurélio.

CasamemorialA Casa Memorial Humberto Delgado foi inaugurada em Maio de 1996, por altura do 90.º aniversário de nascimento do general. Quem quiser visitar este núcleo museológico deve contactar o Museu Agrícola de Riachos.

 

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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