Sábado, Fevereiro 27, 2021
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“O que ninguém te diz na primeira gravidez”, por Marta Gameiro Branco

(Não, isto não é outro texto sobre como a maternidade é horrível)

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Enquanto mãe de segunda viagem, grávida de 39 semanas, e fiel seguidora de vários grupos de Facebook para mães dos mais variados temas, dou por mim muitas vezes irritada com as dúvidas e anseios de todas as mamãs de 1ª vez (devem ser as hormonas, sei lá).

Não é por mal. Muitas vezes revejo-me a mim própria nas mesmas questões há três anos, quando tive o meu primeiro filhote, mas neste momento só me apetece escrever em letras garrafais: “ACORDEM! ISSO NÃO É IMPORTANTE!”.

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No meu caso, preferia mil vezes que me tivessem alertado para certas particularidades, em vez de me terem dado sermões de meia hora em como tudo ia ser muito difícil e em como eu não sabia no que me estava a meter.

De mim para ti mamã (sim, porque tu já és mãe apesar de ainda não teres o teu filho nos braços), aqui vai tudo o que eu gostaria de ter sabido há três anos:

  • Ser mãe vai-te transformar, mas não é logo! Vão passar longos meses até que olhes para trás e te apercebas de que já não és a mesma pessoa. Ou seja, não é por parires que viras mãe.
  • Parto? Informa-te! Não é só chegar lá, deitar na cama, abrir as pernas e esperar que os médicos façam o resto. Tu é que vais parir! Informa-te dos procedimentos. Tenta perceber o processo para que consigas perceber pelo menos o que se está a passar. Acredita que pode fazer a diferença entre ter ou não ter uma depressão pós-parto.
  • Leva alguém para o parto que te apoie. E sim, pode não ser o pai da criança ou a avó. Parto é coisa de mulher. Até podes querer parir sozinha. Alguém que só te vai enervar fica na sala de espera.
  • O parto pode demorar 3h como pode demorar 36h. Podes penar e acabar em cesariana, como podes ter parto normal e desejar matar o médico por te ter feito sofrer tanto. Isso não vai ditar o tipo de mãe que vais ser.
  • Podes não sentir logo o amor incondicional de que toda a gente fala.
  • Baby Blues é um momento de pânico que acontece dias depois do parto.
  • Quando o leite descer podes não sentir absolutamente nada, como podes sentir o peito a rebentar.
  • Tem o número de uma CAM (conselheira de aleitamento materno) à mão. Procura grupos de apoio à amamentação. AGORA! JÁ! Amamentar não é instintivo.
  • Informa-te o mais que puderes! Não existe leite fraco ou falta de leite. Existe sim muita desinformação, mitos e falta de apoio.
  • Ovo e carrinho são importantes, mas o teu bebé vai preferir mil vezes o colo. Dá-lhe sem medos. Porta- bebés (slings, mei-tais, marsúpios, etc) são das melhores coisas que inventaram.
  • Quarto? Berço? Muda-fraldas? Claro, se quiseres porque não? Mas é provável que durante os primeiros dois (três?!) anos andes a fazer piscinas durante a noite e ele acabe inevitavelmente na tua cama para não dares em doida. Informa-te sobre co-sleeping, sem medos!
  • Podes ter um companheiro maravilhoso, que seja um pai espectacular na divisão de tarefas, mas no início o bebé só te vai querer a ti, só te vai conhecer a ti. Vão ser no mínimo seis meses (ahahahah!) em que muito dificilmente vais ser “tu”, porque é natural que sejas “tu+bebé”. É assim, começa a habituar-te. Os teus amigos vão ter que lidar com isso senão não são teus amigos.
  • A maioria das coisas que se faziam há 30/40 anos, face à evidência científica actual, estão erradas. Estás viva?! Claro que estás. Mas o que fizeram contigo em bebé só se vai manifestar quando tiveres 50/60 anos.
  • O médico só tem experiência adquirida. Por mais anos que tenha estudado, o que ele sabe é fruto dos casos que encontrou e da maneira que os resolveu. Não sigas cegamente. Médico não é Deus! Questiona! E se a resposta não te satisfizer, pede uma segunda opinião.
  • TODA a gente vai ter uma opinião sobre o teu filho. Sobre o que come, o que veste, se tem frio, se tem calor, se está gordo, se está magro. O filho é teu! Afasta-te e pensa por ti. Não vale a pena entrares em discussões que não vão dar a lado nenhum.
  • Quer tenhas decidido ficar em casa, quer tenhas ido trabalhar passado um mês, o que te vai definir como mãe é a maneira como educarás o teu filho. Não te sintas melindrada com julgamentos alheios. Levanta a cabeça e assume as tuas razões.

Acima de tudo, a palavra de ordem é AMOR!

Médica dentista especializada em endodontia, 31 anos. Mãe, para os bons e os maus momentos. Gosta de questionar, gosta de perceber, ainda que a questão seja óbvia. Porque o mundo é um livro aberto onde há sempre a possibilidade para mais uma leitura.
(E lavem os dentes todos os dias!)

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