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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Trincanela

“O que faz de nós humanos”, por Hália Santos

Valha-me Nossa Senhora de Fátima, o Benfica e o Salvador!

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A sério?!? Hoje vais entrar na onda dessa conversa?

Não, na verdade, não me apetece nada falar sobre essas coisas…

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O certo é que são os temas da atualidade.

Não sei se são!

Então porquê?

Primeiro, porque não percebo por que razão fecharam as fronteiras de ontem até domingo. Como se os terroristas viessem nestes dias. Como se não vissem notícias precisamente para virem antes e irem depois. Depois, porque o controlo de passageiros que vimos nas televisões é hilariante. Não viram as malas!!!

Avancemos!

Segundo, porque estou pouco preocupada sobre quem ganha o campeonato. Se o Benfica ganhar, fica feliz uma parte do país e fica miserável outra parte do país. Eu cá prefiro alegrias nacionais!

Isso é partir do princípio de que metade dos portugueses são benfiquistas…

Não era isso que eu queria dizer. Queria simplesmente dizer que o país se vai dividir, como é natural, embora eu prefira ficar longe dessas divisões clubísticas.

Então e mais coisas?

O Salvador… O Salvador é a aparição de que precisávamos para juntar o país, mas há uns iluminados que decidiram destruir esta ideia.

Concordo!

A Eurovisão não é coisa a que dê importância, mas em certos momentos da vida de um povo, há episódios que unem e este poderia muito bem ser um deles. Goste-se ou não se goste, dos festivais, do Salvador e da canção. Já está mais do que dito, mas o facto de cantar em Português, só por si, deveria ser, para nós um motivo de orgulho.

Sabes, no meio daquelas cantorias em Inglês de terceira categoria, imaginei-me na pele de um estrangeiro a ouvir o Salvador. Certamente que me pareceria algo um pouco… como dizer? Exótico, até! Acrescentando um certo charme à coisa.

Sim, também há esse lado de curiosidade pela língua. E ele próprio é uma personagem, que contrasta com tudo.

Sobretudo com os pares de pernas, com os músculos, com as maquilhagens, com as transparências e com as performances festivaleiras!

Isso faz parte. O que não faz parte é a capacidade para rasgar ideias preconcebidas. Por isso é que eu gosto do Salvador e da sua irmã.

Tudo o que é diferente tem sempre esta dupla reação: amor e ódio.

Isso é que nos faz humanos. Essa é a maior riqueza daquilo que somos. Pena é que muita gente não consiga, ainda, lidar com a diferença.

Tens que reconhecer que, no que diz respeito à diferença e à tolerância pelo outro, já evoluímos muito.

Pois já! Por isso eu serei capaz de festejar com os meus amigos benfiquistas, se o clube deles ganhar. E fico muito feliz por a vinda do Papa a Fátima ser um momento de alegria para os meus amigos católicos. Agradecia que mesmo quem não gosta do Salvador reconhecesse o seu valor, como artista e como ser humano que soube usar a sua fama em prol dos outros.

Não querias falar sobre Fátima, sobre o Benfica e sobre o Salvador, mas, afinal…

Era inevitável!

 

 

 

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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