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“O que falta em Abrantes para os criativos”, por Massimo Esposito

Em maio de 2021 cumpro 25 anos de ensino de desenho e pintura em Abrantes. Muito haveria a dizer, mas foram 25 anos empolgantes, alegres e cheios de atividades, exposições e criatividade, num pequeno resumo.

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Muito mudou nestes anos a nível de qualidade, participação e interesse, para não dizer as modificações naturais no padrão de ensino e a atualização da propedêutica, e é com prazer que digo que tive, e tenho, alunos dedicados, interessados e de qualidade.

Tive muitos privilégios entre os quais expor em vários lugares da cidade e também em outras e em edifícios de renome com os meus alunos, fui agraciado com o prémio da Gala da Rádio “Antena Livre” na secção da cultura. Municípios e instituições deram ao laboratório espaços para pintura ao ar livre, nas feiras locais, eventos e muito mais. Uma coisa que me dá prazer também é que ainda agora, alunos que estavam inscritos no início estão em contacto comigo, pintam nas suas casas ou enveredaram para uma vida de arte.

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Estou convencido que Abrantes tem um grande interesse na arte e um potencial ainda não bem explorado. Sabemos que em breve teremos mais dois museus na cidade, a Galeria “Quartel” poderá, espero eu, dar lugar a exposições de artistas locais e o Teatro S. Pedro será uma referência cultural em poucos anos.

O que falta então?

Algo muito simples e já há muito tempo falo disto. Falta um local físico onde os criativos –músicos, atores, pintores, artesãos, poetas, fotógrafos – possam encontrar-se, trocar ideias, combinar projetos. Onde se poderiam inventar festivais, eventos, exposições ou simples reuniões, como tertúlias ou palestras. Um local onde, sem pretensões, se possa entrar e ver algum quadro exposto, ouvir alguma música interessante ou quadras poéticas, onde atores podem pensar em como incluir aquela música na peça ou como aquele pintor pode pintar o cenário e aquele saxofonista pode abrilhantar uma inauguração.

Isto podia depois ser como um “caldeirão” de ideias que, se bem concertadas davam fruto, com certeza! Lembro que temos na cidade jovens da universidade que podem trazer ideias novas e outros da Solano de Abreu e da Manuel Fernandes que poderiam participar, criar e talvez não ser obrigados a sair para outras cidades para mostrar o próprio talento.

O local que se pretende não deve ser algo “maravilhoso” para encher os olhos, mas pode ser uma casa vazia, no centro histórico (podia ser positiva para a sua revitalização), sem pretensões, mas sim acolhedora, livre e sobretudo criativa.

Não acham?

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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