“O que é um artista? (2)”, por Massimo Esposito

Estou a tentar explorar a mente de um artista e a arriscar em poder explicá-la de uma maneira simples. A última vez vimos que o artista pode ser egoísta, soturno e recolhido em si mesmo. Hoje vamos ver porque alguns artistas são extremamente alegres, extrovertidos, as vezes loucos ou simplesmente fora dos parâmetros “socialmente aceitáveis”.

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Podemos reconhecê-los, por exemplo pode ser de como andam vestidos: com cores discrepantes, às vezes na moda de anos anteriores, chapéus estranhos, colares e foulards esvoaçantes ou pode ser ao contrário, como por exemplo Michelangelo que andava sempre de preto (e muitas vezes por dias seguidos) quando a maioria tinha roupa de cores alegres e contrastantes. Com certeza este tipo de artista não segue a moda do ano, segue os seus gostos.

Lembramos Dalí com o seu prazer em vestir-se com roupas excêntricas, de gala ou de toureiro. Podem falar alto, evidenciam-se nas exposições e galerias, e são sempre o centro da atenção. Às vezes podem ser chatos ou indelicados mas as maioria das vezes eles não se comportam assim de propósito, eles SÃO ASSIM, não há como disfarçar ou esconder.

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Mas qual a razão disso? Como vimos eles são assim e a razão é que, sendo artista, as coisas “sentem-se” mais, vivem-se mais intensamente, em outra sintonia, mais profundamente as emoções entram no coração e despertam reacções de escala mais elevada e como consequência, as diferenças. Difícil é resguardar estas reacções, castrá-las para o outro não ver ou sentir e, em consequência, julgar.

O espírito livre não pode ser confinado com restrições de ordem geral. O artista extrovertido é alegre porque conseguiu conhecer-se no íntimo e aceitar-se (que é mais difícil). Sim! Sei que é fácil julgar um artista assim como “maluco”. Para resumir este conceito posso relatar o que diziam em Alpiarça em 1986, quando cheguei da Itália no meu Land Rover com barba, brinco e um pastor alemão sempre comigo: o artista ou é drogado, homossexual ou bêbado, não davam alternativas, e não entendiam que há pessoas que vivem e pensam em maneira diferente, reagem de maneira diferente e exprimem-se de maneira diferente… e hoje, infelizmente, posso dizer isto, pouco mudou.

Espero vivamente que depois desta pandemia e termos tido o tempo necessário para realizar introspecções e avaliar as prioridades, que possamos todos fazer parte duma sociedade em que se integrem, sem disparidades, os artistas egoístas, extrovertidos e os “quase normais” para embelezar este mundo que é tão harmonioso.

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