“O que é local é bom”, por Berta Silva Lopes

Ouso adulterar o célebre slogan dos anos 80 para dizer já ao que venho, e hoje venho falar (não só mas também) de Bolos Fintos e Outras Artes. Em contagem decrescente para a época mais especial do ano, a crónica de hoje é sobre o talento de gente da nossa terra, sobre a qualidade dos produtos que saem das suas mãos e sobre a importância do seu trabalho.

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A Dulce, jornalista, é uma amiga do secundário que desde há vários anos adoça a vida de quem a conhece. Além de ser uma boleira de mão-cheia, é também uma engenhosa artista do crochet, criativa e cuidadosa. Na sua página no facebook encontramos vários bonecos bem conhecidos dos mais pequenos e muita e variada oferta de bolos, sobretudo os tradicionais da Beira Baixa. 

Um destes dias, a Dulce confessou-me que aproveita todo o tempo livre (não sei como tem tempo livre com duas filhas, mas adiante) é para pegar nas agulhas e tricotar. Além de ser terapêutico, dizia-me ela, o valor angariado é um importante complemento ao rendimento familiar. Ora bem.

Consumir o que é produzido localmente tem, na verdade, várias consequências cada vez mais importantes: incentiva os produtores, faz mexer a economia local, elimina gastos de transporte e consequentemente é ambientalmente mais sustentável, dinamiza os mercados tradicionais e eventualmente pode até estimular o turismo. 

Quanto a mim, o local é bom e deve ser promovido, a começar desde logo pelas entidades competentes, divulgando o que aqui se faz além das fronteiras geográficas desta região e, em segundo lugar, por quem, podendo escolher, opta pelo que é nosso, nascido aqui, produzido por mãos que conhecemos.

É o caso, por exemplo, d’ O 10 da Praça, uma marca recém-lançada por estas bandas e à qual prevejo um futuro de muito sucesso. Se há etiqueta que combina na perfeição com trabalhos de macramé da Susana, outra amiga, é a originalidade e a exclusividade. Não há duas peças iguais e posso garantir que são todas maravilhosas. É dar um saltinho à loja Cá da Terra no Sardoal ou espreitar a página da marca no instagram em @o10dapraca e confirmar. 

Também no Sardoal nasceu há uns tempos a Quinta dos Marias, projeto com um conceito de venda distinto e singular assente numa amostra rigorosamente selecionada de alguns dos produtos que fazem desta região uma referência. A apresentação dos produtos é irrepreensível e há cabazes de todos os tamanhos. Ou seja, se ainda lhe falta comprar o presente de natal para aquele amigo especial que aprecia sobremaneira os prazeres da mesa, tem mesmo de espreitar o site da marca.

As duas últimas sugestões são de marcas de Mação, uma mais antiga, outra mais recente. Falo de Santa Bárbara, a nova vendinha, delicatessen e café da vila, onde podemos encontrar uma grande oferta de produtos, uns criados nas hortas das aldeias do concelho, outros com origens mais distantes, mas todos genuínos e deliciosos; e falo também de Segredos de Mação , a tentadora loja maçanica que apresenta o maior e melhor sortido de bolos secos típicos, incluindo as famosas cavacas de Mação. Nem a Vera nem a Bárbara tiveram medo da interioridade, ou se tiveram foi a coragem que venceu, e arriscaram. Ambas merecem o nosso apoio, o que vá lá, não custa assim tanto.  

De fora ficaram tantos e tantos artesãos que trabalham a madeira, o linho, o vime ou barro e tantos e tantos produtores de azeite, mel, licores e afins, que merecem igualmente ver o seu trabalho reconhecido e valorizado. Vamos a isso: compremos o que é local. 

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Define-se como uma mulher da aldeia a viver na cidade, assim uma espécie de amor para sempre por uma e amor à primeira vista pela outra. Gosta de Lisboa e tem Queixoperra no coração. Casada, com duas filhas, trabalha em Comunicação e Marketing há quase 20 anos e com escritores há 10. Não vive sem livros. Gosta de jazz e de música instrumental. Adora o cheiro da terra molhada, do arroz-doce acabado de fazer e do poejo fresco. Não gosta de canela, nem de favas, nem de bacalhau com natas. Troca facilmente a praia pelo campo. Sente-se sempre muito feliz em cozinhas grandes e cheias de luz. Cozinhar é uma terapia e gosta de experimentar pratos novos quando recebe amigos em casa – para grande ansiedade do marido, mas nada que os bons enchidos, o queijo e a broa de milho da sua aldeia não resolvam. Gosta de boas conversas regadas com vinho tinto. Como diz a sua querida Helena Sacadura Cabral, gosta dos pequenos prazeres da vida. E gosta de gostar disso.

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