“O que é estratégico?”, por Sérgio Ribeiro

Apesar de tudo o que se passa à roda do mundo às voltas, não esqueço que estou no/sou do Médio Tejo – neste caso, a língua inglesa, com o seu redutor to be, bastar-me-ia – e, não obstante todos ao BR que nos atolam – Brexit, Brasil, Bruxelas –, é aqui, no Médio Tejo, que estamos e somos.

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E é aqui que temos uma palavra a dizer, com a força que tivermos para que seja ouvida nas vizinhanças, ou até onde conseguirmos fazê-la chegar. Repito e repetirei Miguel Torga, o universal é o local menos os muros.

Se há coisas de que, como português, me orgulho é de 1383, das descobertas, dos Lusíadas, de 1640, da reacção ao terramoto, da República e do pioneiro fim da pena de morte e desígnio da educação pública, é da resistência ao fascismo e à guerra colonial, do 25 de Abril e depois, é da concretização da constitucionalização da saúde como um direito com a criação de um Serviço Nacional de saúde considerado, em tanto lado, como exemplar (ainda que, evidentemente, a ter de melhorar, sempre).

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Por isso me entristece aperceber (e sofrer, e ver sofrer) os maus tratos que têm sido feitos ao Serviço Nacional de Saúde – e não de hoje, nem de há 4 anos –, e a escondida mas evidente intenção de o substituir por um “sistema de saúde” em que o que prevalece é o negócio da doença e da velhice, na lógica omnipresente e omnipotente do mercado.

Por isso me irritam tanto as artes e manhas que, para enganar os cidadãos meus vizinhos, os iludem com “soluções” de Hospital de Leiria depois de diminuírem as potencialidades do Centro de Saúde de Ourém, de tornarem ineficazes os Hospitais de Tomar e Torres Novas, de ter sido criada uma nova e suplementar doença que é a da “doença” da alergia ao hospital de Abrantes, lhes acenam com o projecto estruturante do Hospital Particular de Fátima (parceiro de um outro, na área da educação, também privado e também para Fátima) para que já existiriam grossos investimentos privados.

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Por isso me indigna que, num concelho como o de Ourém, depois de um simulacro de audição aos cidadãos, é como se não houvesse desertificação, envelhecimento, perda de quantidade e qualidade em tudo (sim, em tudo: saúde, educação, justiça, comunicações) em 12 das 13 freguesias, em 350 quilómetros quadrados de 420 quilómetros quadrados, e só existisse Fátima, o santuário e o centenário das ditas “aparições”. E não como polo irradiador, verdadeiramente estruturante, mas como centro centrípeto.

Por isso, a luta continua! Também aqui.

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