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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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“O poder e a arte”, por Massimo Esposito

Desde sempre o poder e o desenvolvimento da arte andaram de mãos dadas, e o ponto que quero destacar é que… se o poder quer… a arte progride.

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E isto pode ser visto claramente na história. Os momentos onde a arte progrediu, destacaram-se no fluir do tempo e foram sempre acompanhados por um poder aberto e iluminado.

As pirâmides do Egipto, com os hieroglíficos e os estudos da anatomia, avançaram numa altura em que os faraós eram sensíveis à arte, num curto período nos seus 3000 anos de reinado.

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Na Grécia destaca-se o século V A.C., porquê? Porque as cidades–estado eram estáveis politicamente e a filosofia estava a elaborar ideias e conceitos novos. A arte espelhou este momento com as esculturas de Fídia e Praxiteles, com a arquitectura que seria definida como “clássica” por séculos. Na Roma imperial, a arte teve um impulso com César Augusto e a “Pax imperial“ e o gosto refinado dos governantes, ao contrário da escuridão que dali a pouco – devido ao poder eclesiástico, cego e ditatorial – faria regredir a arte e o pensamento humano quase um milénio.

No início de 1400 D.C. os duque de Urbino e a casa dos Médici, finos apreciadores da arte, juntaram nas suas cortes filósofos, arquitectos, matemáticos, escultores e pintores para realizar aquela que podemos chamar a maior “revolução” artística da humanidade… porquê? Porque os governantes eram AMANTES da arte, deleitavam-se com ela e sabiam que era uma parte do exercício do poder que detinham, apoiavam os criadores do BELO! Isto repetiu-se em pequena escala em Paris no fim de 1800 com os impressionistas e outras correntes que daí nasceram e na Alemanha do Bauhaus, pelos mesmos motivos.

E sempre será assim… mas agora estarão pensando… o que tem a ver tudo isto com o Médio Tejo? Tem muito a ver, o capital artístico e intelectual da nova geração não é cultivado. Conheço muitos artistas e muitos jovens nas cidades da nossa região que são postos de lado, não se lhes dá uma oportunidade de expressão e, a acontecer, deve ser às próprias custas. Muitas salas e imóveis que poderiam ser aproveitados como salas expositivas, para palestras ou brainstorming, ateliers de música, pintura ou expressão teatral são fechadas sem objetivos. Porque os governantes (sei que não é fácil governar uma cidade) não abrem as próprias mentes para ouvir os novos artistas e as novas ideias e investem o seu capital, seja o imóvel ou o intelectual, para CRIAR uma base para estes jovens?

Espero que estes governantes não deixem o Médio Tejo adormecido artisticamente como o encontraram, que não deixem a droga e a apatia sugar a alegria criativa de tantos artistas, que não os deixem fugir para o estrangeiro mas os ajudem a expressarem-se e a criar.

PELO AMOR À ARTE!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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