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Sábado, Janeiro 22, 2022
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“O ovo filosofal”, por Armando Fernandes

Todos quantos lerem tratados de alquimia sabem quanta atenção os alquimistas dedicam ao entendimento dos signos e significantes do que entendem por pedra e ovo filosofal. Agora, que sofremos os tremendos efeitos da peste virulenta lembrei-me de procurar receitas sólidas e líquidas concebidas ao longo dos séculos contra a peste e os venenos, e encontrei muitas dispersas nos livros que forram as paredes da minha casa ao modo das residências dos comentadores televisivos com destaque para o enorme e bem organizado acervo bibliográfico de Pacheco Pereira. A iconografia esotérica referente ao ovo está representada em milhares de obras de múltiplos matizes, escolas e movimentos pictóricos, recordo aquele relógio oval espalmado do «satânico» Salvador Dali.

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O ovo filosofal está na origem de chamarmos “Ovo cósmico” ao meu querido Mestre Manuel Antunes, sacerdote jesuíta, sábio de todos os saberes menos o de escrever sonetos em mandarim como nos dizia quando nos honrava com a sua presença, de longe a longe, em almoços no Quebra Bilhas aos sábados após os seminários de pensamento filosófico português.

Pois o ovo filosofal destinado a combater a peste, antídoto para venenos, é uma pasta aquosa que se obtém utilizando um ovo fresco o qual se fura a casca com muito cuidado e se sopra até sair do seu interior a clara e a gema, enche-se a casca com açafrão puro e depois com uma mistura do açafrão com a gema e coze-se. Na alquimia vários autores preconizam que a mistura seja destilada num pequeno alambique ou numa taça de cristal.

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A peste aterroriza os povos desde sempre, por esse facto não nos pode causar espanto o afã de alquimistas, boticários, médicos, naturalistas, sem podermos esquecer adivinhos, bruxos, charlatães e exercícios de exploração da crendice popular como já escrevi referindo o Diário da Peste de Londres de Daniel Dafoe.

Porque o jornal mediotejo.net é cada vez mais popular para alegria da Direcção e de todos os seus colaboradores (também de responsabilidade) não aprofundo os temas da alquimia e dos antídotos em virtude de poder causar perplexidades espúrias aos seus leitores, porém abundam livros relativos à cura dos males do corpo e da alma sendo difícil distinguir as suas virtudes, bondosas e maléficas.

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O único Papa português escreveu um importante tratado acerca da farmacopeia do seu tempo. Façam o favor de o ler. Não fosse o Padre Fontes estar doente, pedia ao Director deste jornal para convidá-lo a descer até Abrantes a fim de explanar os seus pontos de vista referentes ao acima referido.

PS. O Padre Fontes ensinou-me a matar o bicho (0 vírus) bebendo logo pela manhã um copo de aguardente mesclada com açúcar, se for mascavado melhor.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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