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Segunda-feira, Agosto 2, 2021

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“O outro lado do Natal”, por Hália Santos

Nunca mais chega o Natal!…

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Estamos quase lá! Bem sei que, muitas vezes, os últimos dias até chegar a data que queremos são os que mais custam a passar… Mas… espera lá! Por que suspiras tu pelo Natal se nem sequer o celebras?

Estava a ver que não dizias nada! Se fosse numa mensagem de texto, agora colocava um emoji a piscar o olho! Mas por estes lados ainda somos tradicionais. Só que ser tradicional nem sempre significa dar continuidade às tradições.

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Então, se não celebras o Natal enquanto tradição, por que anseias por ele?

Porque significa uma pausa. Porque profissionalmente posso abrandar um pouco. Porque o dia a dia se altera ligeiramente. Porque o cansaço acumulado pode ser compensado.

Então vais beneficiar de uma tradição para proveito próprio sem entrar no espírito da coisa?… Isso é um pouco estranho…

Pois é. É a mesma coisa que os não Católicos usufruírem de feriados Católicos. A verdade é que o país é só um e que a tradição e a cultura da maioria naturalmente prevalecem. Nada contra! Respeito tudo isso. Às vezes sinto-me é um pouco forçada a alinhar com a maioria. Agora já poucos ligam aos meus comentários fora da norma, mas nem sempre assim foi.

Incomoda-te que os outros achem estranho que tu, tendo tido uma educação Católica, não celebres o Natal?

Não. O que me incomoda é o entendimento que muitas pessoas dão ao Natal. Dizem que gostam muito desta época, que é uma oportunidade para juntar a família e que o mais importante da festa é a alegria das crianças. Eu gostava era de saber quantas destas pessoas é que, na noite de Natal, se lembram da efetiva razão que as leva a estarem juntas. Assim como gostava de saber quantas explicam às suas crianças qual o significado das prendas. Tenho um respeito imenso por quem o faz, mas acho muito estranho que haja tanta gente a celebrar coisa nenhuma… E depois ainda aproveitam para comer como se fosse a última ceia da vida.

Presumo que nem valha a pena falar-te na questão das prendas!

É melhor não! Mas eu sou mesmo um bicho raro. Adoro dar e receber prendas. Mas fora de época. Quando tropeço, por assim dizer, nalguma coisa que é a cara de alguém de quem eu gosto, compro. Aí sim! É comprar, oferecer, e esperar por ver a satisfação de quem recebe. Nos anos e no Natal os excessos são assustadores. O valor que se dá às coisas é mínimo. Não faz sentido. Para mim, claro!

Então não andas de lista na mão a ver quantas prendas te faltam?

Nem pensar! Já lá vai o tempo. Já o fiz. Mas o Natal agora tem um outro significado. Alinho apenas nas prendas para quatro ou cinco crianças mais próximas porque sinto que a pressão social é imensa e que dificilmente compreenderiam se não recebessem uma prenda minha. De resto, o Natal é a época em que só me apetece parar, respirar fundo para voltar a avançar.

Se pensares um bocadinho, essa também pode ser uma forma de celebrar o Natal. Sendo um momento de reflexão, talvez se cumpra o objetivo do Natal. Porque dessa reflexão certamente que resultam ideais comuns ao espírito natalício. Se calhar, vives mais o Natal do que muita gente que diz que adora esta tradição!

Nunca tinha pensado nas coisas dessa forma. É por isso que gosto de conversar contigo…

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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