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Domingo, Outubro 17, 2021

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O misterioso roubo da azinheira das aparições de Fátima

O que aconteceu à pequena árvore onde os pastorinhos diziam ter visto Nossa Senhora? As entidades oficiais de Fátima, na prática, não sabem. É certo que desapareceu logo em 1917 mas, mais de 100 anos depois, são muitos os episódios que se misturam na memória popular. Notícias nos jornais de então referem um ataque perpetrado por revolucionários e o mediotejo.net procurou confirmar essa versão da história, que envolve o pai de uma das figuras mais importantes da cultura da região, o dramaturgo Bernardo Santareno.

Em 104 anos de história de Fátima, já são muitos os episódios que se misturam e confundem na memória popular sobre os acontecimentos que rodearam as aparições de 1917. Nem sempre há informação fiável e o que chegou até aos dias de hoje são narrativas contadas de geração em geração, que sobreviveram envoltas num misto entre a realidade e a fantasia. É o caso da história do desaparecimento da azinheira das aparições da Cova da Iria, cujo tronco – o que sobraria da pequena árvore ou arbusto que os fiéis foram cortando para ter como relíquia sagrada – terá terminado num “cortejo” de paródia em Santarém, numa ação política de “livres pensadores” contra a “fanatização do povo”.

Contactado o Arquivo do Santuário para esclarecer a natureza dessa e de outras versões da história em torno do desaparecimento dessa árvore (ainda um pequeno arbusto), os dados que nos fornecem são poucos, porque a verdade dos factos ocorridos em 1917 ter-se-á perdido com a morte daqueles que poderiam dar testemunho do que viram ou fizeram. É um outro segredo de Fátima, que talvez nunca venha a ser revelado.

Há, contudo, uma parte da história que pode ser contada, a partir da análise de toda a documentação da época e das memórias que sobreviveram, passando de boca em boca e de geração em geração, até aos nossos dias.

Comprova-se, por exemplo, que depois do “milagre do sol”, ocorrido a 13 de outubro de 1917, um ato de vandalismo teve lugar no espaço das aparições. Na noite entre 23 e 24 de outubro, um grupo de indivíduos, de que se desconhece a identidade, “assaltou” o altar ali criado e levou alguns objetos, assim como o que pensaram ser a azinheira dos milagres. “Não temos noção da identidade dos que levaram a cabo o acto, sendo o único nome referido nas fontes que conhecemos o de um Fialho”, explica o Santuário na informação disponibilizada ao mediotejo.net.

Manuel Nunes Formigão, o sacerdote que entrevistou exaustivamente os pastorinhos de Fátima após as aparições, narrou o sucedido numa carta que enviou a D. Manuel Mendes da Conceição Santos, bispo de Portalegre, no dia 24 de outubro de 1917. Diz a mesma, patente na Documentação Crítica de Fátima, vol. 3-I, páginas 421-422:

“Hontem á noite sahiu d’aqui [Santarém] secretamente para a Fatima um automóvel com carbonarios [revolucionários], entre os quaes um certo Fialho, e alli pela calada da noite, como salteadores, arrancaram a armação de madeira, e trouxeram-na juntamente com a cruz, o arco de verdura e um quadro de Nossa Senhora, não trazendo também a carrasqueira porque restava apenas uma pequena parte do tronco d’ella, que não sei se se [sic] trouxeram, Ao front bater-se com os allemães é que eles não vão, os heroicos paysanos. Nem sequer á Fatima se atreveram a ir de dia, os valentes. Já me queria parecer que para obra de Deus a perseguição era pequena demais. E que ainda se estava no principio. O que me anima é a certeza de que se foi realmente N. S.ra que apareceu as cousas não ficam por aqui. Ella há-de vencer.”

Os pastorinhos de Fátima no local onde depois foi construída a primeira capelinha das aparições. Logo em 1917 foi colocado um arco de verdura no local onde existia a “pequena carrasqueira” onde os pastorinhos viam Nossa Senhora, e erguida uma estrutura de madeira com uma cruz. Terá sido esta espécie de altar popular que os revolucionários roubaram à noite e parodiaram como andor, pelas ruas de Santarém. Créditos: Arquivo do Santuário de Fátima

O mesmo episódio vem narrado na obra Os acontecimentos de Fátima, de 1923, da autoria do Visconde de Montelo (pseudónimo de Formigão) e no volume 1 das Memórias da Irmã Lúcia. É a Irmã Lúcia que aponta que os vândalos terão levado outra azinheira ali existente e não o que restava da carrasqueira.

Descreve a Irmã Lúcia: “Entretanto, o Governo não se conformava com os progressos dos acontecimentos. Tinham posto, no local das aparições, uns paus, à maneira de arco, com umas lanternas que algumas pessoas tinham o cuidado de conservar acesas. Mandaram, pois, uma noite, alguns homens com um automóvel, para derrubar os ditos paus, cortar a carrasqueira onde se tinha dado a aparição e levá-la de rasto atrás do automóvel. Pela manhã, espalhou-se, rápida, a notícia do acontecido. Lá fui correndo, para ver se era verdade. Mas qual não foi a minha alegria, quando notei que os pobres homens se tinham enganado e que, em vez da carrasqueira, tinham levado uma das azinheiras contíguas! Pedi, então, a Nossa Senhora perdão para esses pobres homens e rezei pela sua conversão.”

“O Governo não se conformava com os progressos dos acontecimentos”, escreveu a irmã Lúcia. “Tinham posto, no local das aparições, uns paus, à maneira de arco, com umas lanternas que algumas pessoas tinham o cuidado de conservar acesas. Mandaram, pois, uma noite, alguns homens com um automóvel, para derrubar os ditos paus, cortar a carrasqueira onde se tinha dado a aparição e levá-la de rasto atrás do automóvel.”

O Visconde remete-se apenas ao destino do objetos roubados: “Durante a noite de 23 para 24 de outubro de 1917 alguns carbonários de Santarém arrebataram furtivamente os objetos que a piedade popular tinha colocado no lugar das aparições e no dia seguinte organizaram um cortejo sacrílego em que exibiram esses objetos e que percorreu as ruas principais daquela cidade com a complacência da autoridade administrativa e perante uma população inteira profundamente indignada e horrorizada. Consta que o governador civil e o administrador do concelho não só permitiram mas até auxiliaram este ignóbil e hediondo arremedo de procissão religiosa.”

Jacinta Marto é levada ao colo e seguida por muitos crentes, a 13 de outubro de 1917. Créditos: autor desconhecido

O Arquivo do Santuário refere que a azinheira original terá sido levada, pouco a pouco, pelos próprios crentes. Estava localizada no local onde atualmente se encontra a peanha com a imagem exposta à veneração. A tradição de Fátima conta ainda que os três videntes aguardariam a aparição junto da azinheira que ainda hoje se encontra no recinto e que é uma árvore classificada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A azinheira grande que se encontra no Santuário está classificada pelo ICNF. Diz a história que os pastorinhos ali aguardavam a chegada de Nossa Senhora, que apareceria mais à frente, junto a uma carrasqueira (azinheira pequena ou arbusto). Créditos: mediotejo.net

Na tradição oral do Ribatejo, porém, não houve engano e o pouco que restava da azinheira das aparições terá mesmo sido levado pelos indivíduos, radicais republicanos, que assaltaram a Cova da Iria. O antropólogo Aurélio Lopes, que tem realizado investigação sobre Fátima e a religiosidade popular, remete-nos para as histórias contadas pela memória do povo escalabitano, mas também para a obra do Padre italiano João de Marchi (Era uma senhora mais brilhante que o sol, 1966), que refere e cita, indignado, os jornais nacionais da altura, O Século e o Diário de Noticias.

A ermida original, construída em 1919, no local onde se encontrava a azinheira das Aparições. Créditos: Santuário de Fátima

Segundo o antropólogo, o jornal O Século citou à época “o nome de António Fialho (regedor de Salvador), António Granto e um tal Francisco do Cemitério, num contexto mais alargado que incluía, ao que se sabe, igualmente indivíduos de Vila Nova de Ourém”.  

As notícias de 1917 do Diário de Notícias

Da imprensa da época, o mediotejo.net conseguiu apenas aceder ao Diário de Notícias, nomeadamente às edições de 25 e 26 de outubro de 1917, por meio do Arquivo do Global Media Group. No dia 25, numa coluna que anuncia “Notícias de Santarém” é noticiado:

“Outubro, 23. O milagre da Fátima – Durante a noite de ontem, algumas pessoas que se fizeram transportar num automóvel a Fátima, foram ao local onde se deu o tão afamado fenómeno do dia 13 do corrente mês, e de que tanto a imprensa se tem ocupado e, munidos dum machado, cortaram a carvalheira, sob a qual as três crianças (pastoras), se apresentaram naquele dia.

Artigo publicado no Diário de Notícias a 25 de outubro de 1917. Fonte: Arquivo DN/Global Media Group

Trouxeram a árvore assim como uma mesa, sobre a qual alguns crentes haviam armado um modesto altar, onde foi encontrada a fotografia duma imagem religiosa, (Nossa Senhora), um arco que a encimava, feito de rama de murteira, duas lanternas de folha, duas cruzes, sendo uma de madeira e outra de cana, envolta em papéis de seda.

“Todos estes objectos assim como dois vasos com plantas, deram entrada nesta cidade às 9 horas d’hoje, encontrando-se em exposição num primeiro andar do largo do Seminário. O automóvel, na ocasião da partida do referido local, teve uma «pane», não ganhando o «chaffeur» e seus companheiros para o susto, receosos de ser ali encontrados.

O caso deve ter produzido grande sensação no espírito dos crentes e bons católicos de Fátima e suas cercantes. Constou que iam ser pagas as entradas para a visita aos ramos da arvore e imagens e que o apuro reverteria em benefício das Cantinas Escolares desta cidade, mas sabemos que a direção desta instituição de caridade recusa qualquer quantia que daí provenha.” 

A história continuou na edição do dia seguinte, também na secção “Notícias de Santarém”:

“Outubro, 25. Ao sr ministro do interior – Às 21 horas de ontem, um grupo de populares exibiu um cortejo pelas três principais ruas da cidade, conduzindo alguns deles, procissionalmente, os objectos há dias trazidos de Fátima, onde se deu o afamado fenómeno do dia 13 do corrente mês.

Um dos populares conduziu a carrasqueira, um outro, acolitado por mais dois, figurando de eclesiásticos, condnziam sob um chapéu de sol uma cruz e, por fim, uns outros transportavam a estampa de uma imagem religiosa, sendo encimada por um arco de mortinheira, ladeado por duas lanternas.

Ao som do badalar duma campainha e o rufar dum tambor, cerca de 100 populares entoavam uma ladainha, sendo sobre os mesmos e um polícia civil lançado um balde de água quando passavam próximo da ourivesaria Lemos.

A senhora que lançou a água foi multada pela polícia, mas o marido resolveu não pagar a multa e fazer escândalo no tribunal.

Notícia publicada na edição de 26 de outubro de 1917 do Diário de Notícias. Fonte: Arquivo DN/Global Media Group

Toda a gente estranha ao cortejo, especialmente os católicos, comentam verbalmente a indiferença ou consentimento de tal desacato por parte da autoridade administrativa, que durante a sua estada aqui só tem revelado uma manifesta incompetência no desempenho da sua missão, não sabendo evitar factos vexatórias e impróprios duma cidade, como o que vimos relatando.

“O sr. dr. José António dos Reis Júnior poderá ser um bom advogado, um bom chefe duma secretaria e um bom cidadão, qualidades que não lhe contestamos, mas o certo é que Deus não o fadou para o cargo para que nunca deveria ter sido nomeado. (…) O facto de ontem, que representa um vibrante desacato á lei de separação da igreja do Estado, e ao livre pensamento dos outros que não pensam como o sr administrador do concelho, deveria ter-se evitado, porque desde manhã que se tornou de domínio público.

Desde que a citada lei proíbe procissões religiosas sem consentimento da autoridade administrativa, esta tinha a estrita obrigação de proibir o facto exibido. Tal não se fez assim como não se faz cumprir o regulamento e a recente portaria que manda encerrar os estabelecimentos comerciais e industriais às 21 horas, fechando cada um a seu belo prazer, uma e duas horas depois da hora indicada no regulamento, porque o sr administrador ainda não acertou…o seu relógio. Para prestígio do regime e dos homens que superiormente o dirigem, apelamos para o são critério dos srs ministros do interior e do trabalho para que ponham cobro a esta degringolado!”  

Afinal, o que aconteceu à azinheira ou carrasqueira? Disse a Irmã Lúcia a verdade e enganaram-se no arvoredo que cortaram ou os “carbonários” sabiam bem ao que iam? E quem eram eles afinal?

Os livre pensadores que queriam combater a “fanatização do povo”

Entre as notícias de jornais e a memória popular, hoje só é possível encontrar respostas em testemunhos secundários. Foi assim que o ator e dirigente cultural de Alcanena, Vicente Batalha, soube da história. Afinal, um dos atores principais do episódio terá sido o pai de um grande amigo seu, Bernardo Santareno, pseudónimo do dramaturgo António Martinho do Rosário.

Bernardo Santareno era católico e sofreu um pouco com a fama do pai, radical republicano, que terá estado envolvido na destruição da azinheira de Fátima. Créditos: Gulbenkian

Fortemente religioso, Bernardo Santareno sofreu alguns dissabores ao longo da vida por ser filho de um livre pensador, radical republicano, anti-clero e opositor do Estado Novo, Joaquim Martinho do Rosário, natural do Espinheiro, concelho de Alcanena, do qual herdou os dois últimos nomes. Terá sido ele, conta Vicente Batalha ao mediotejo.net, a cortar a azinheira juntamente com um grupo de cinco indivíduos, onde figurava um Manuel Violante, de Pernes, e o dono da “Rapideza”, de Santarém. Parte da madeira que roubaram, adianta, terá ficado inclusive em Pernes e dado origem a peões que entretiveram pelas ruas muitas crianças locais. 

Joaquim Martinho do Rosário, Manuel Violante, António Fialho, António Granto e Francisco do Cemitério são assim os cinco nomes que conseguimos juntar desta obscura história, da qual não podemos afastar uma eventual ligação à dinamitação da capelinha das aparições, a 6 de março de 1922. Se eram ou não da Carbonária, sociedade secreta que esteve ligada à instauração da república em 1910, e muito marcada pelo anticlericalismo, serão contas de outro rosário.

A capelinha original de Fátima, construída com donativos dos fiéis, foi alvo de um atentado em 1922, num ataque com dinamite. Créditos: Arquivo do Santuário de Fátima

Os livres pensadores e o “vil embuste” de Fátima

Um ensaio do historiador Rui Ramos, publicado no jornal Observador em 2017, fala-nos no movimento do livre pensamento, protagonizado por associações próximas do Partido Republicano Português de Afonso Costa, que estava então no poder. Em Ourém, o administrador do concelho, Artur de Oliveira Santos, era ele próprio militante deste movimento radical, que “recorria a todos os meios para liquidar a «especulação clerical»”. 

Para Rui Ramos, não foi tanto a Carbonária como instituição mas um bando de “livre-pensadores” de Santarém que viajou de automóvel até à Cova de Iria. Em dezembro de 1917, a Federação do Livre-Pensamento e a Associação de Registo Civil de Lisboa realizaram uma conferência em Ourém e um comício na Cova de Iria, para denunciar o “vil embuste” de Fátima. “No comício, não terão comparecido mais do que oito pessoas, apesar da protecção de uma grande força da Guarda Republicana vinda de Tomar e de Torres Novas”, refere.

No final, esta tentativa de eliminar Fátima pela força acabou por alimentar o próprio fenómeno, permitindo que a imprensa católica o discutisse não como milagre mas como atentado à liberdade religiosa. Para Rui Ramos, “o pormenor que tem escapado à historiografia é que os chamados ‘livre pensadores’ precisavam de Fátima muito mais do que os católicos”.

O milagre do sol foi notícia também no jornal O Século, na edição de 15 de outubro de 1917. Créditos: DR

Os “livre-pensadores” constituíam apenas uma corrente no republicanismo. Em 1917, sentiam a sua influência ameaçada, não por Fátima, mas pelo próprio regime. A guerra, como em França, levara à tentativa de estabelecer uma “união sagrada”. Nesse espírito, o governo aceitara a assistência religiosa em campanha, nomeando capelães militares. Mas corriam rumores mais preocupantes: que estaria a ser considerado o restabelecimento de relações diplomáticas com a Santa Sé ou até mesmo a revisão da “intangível” Lei da Separação.

A intervenção na guerra não era popular e as dificuldades de abastecimentos eram graves. Para o regime, uma trégua com os católicos poderia ser conveniente, e parecia haver boa expectativa disso. A Igreja patrocinava um novo movimento político, o Centro Católico, que no fundo significava o seu distanciamento dos monárquicos. Mas para os “livre-pensadores” qualquer acordo com a “reacção clerical” era impensável. Ora, que melhor do que Fátima, ressurgência de uma credulidade fraudulenta, para provar a inconveniência de o regime se moderar?

Em dezembro de 1917, a Federação do Livre-Pensamento e a Associação de Registo Civil de Lisboa realizaram uma conferência em Ourém e um comício na Cova de Iria, para denunciar o “vil embuste” de Fátima. No comício, não terão comparecido mais do que oito pessoas, apesar da protecção de uma grande força da Guarda Republicana vinda de Tomar e de Torres Novas

Na mesma edição, já citada, de 25 de outubro de 1917 do Diário de Notícias, há efetivamente uma pequena notícia sobre o “Livre Pensamento”. Refere a mesma que a comissão de propaganda da Associação do Registo Civil aprovara uma proposta que instava o governo a aplicar fortes medidas que inibissem a repetição de acontecimentos semelhantes aos ocorridos em Fátima e se iniciasse uma campanha de propaganda conta a “fanatização do povo”. 

Arrancada por um grupo de revolucionários ou levada pelos próprios fiéis, o certo é que a azinheira ou carrasqueira desapareceu logo em 1917. Fátima foi, desde a primeira hora, palco de um dos mais relevantes fenómenos de extremismo ideológico em Portugal – e mesmo com motivações opostas, tanto os crentes como os maledicentes quiseram levar consigo aquele símbolo da verdade em que tão fervorosamente acreditavam.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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