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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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O mistério das pessoas que desaparecem sem deixar rasto

José Augusto Rodrigues, Reinaldo Ramos, Agostinho Assunção, Maria Teresa Lata e Carlos Manuel Oliveira são cinco pessoas da nossa região que têm em comum o facto de terem desaparecido sem deixar rasto.

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Frustração e incerteza são sentimentos comuns às famílias destas pessoas que, de um momento para o outro, deixaram de ser vistas.

Na maior parte dos casos que referimos, trata-se de idosos que tinham problemas de Alzheimer e que se ausentaram de casa. Mas há também outras situações que envolvem pessoas que deliberadamente e por vários motivos saem de casa e conseguem “evaporar-se”.

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O caso mais intrigante é o de Carlos Manuel Luís Oliveira, 45 anos, residente na Igreja Nova, concelho de Ferreira do Zêzere. Desapareceu a 28 de julho de 2012 a conduzir o seu Renault 5. Nem ele nem o carro nunca mais apareceram.

Cinco meses sem saber de José Augusto

Na nossa região o caso mais recente e mais mediático foi o de José Augusto Rodrigues, 72 anos, residente em Cem Soldos, Tomar. Depois de uma vida dedicada ao atletismo – foi treinador de várias equipas – desapareceu na madrugada do dia 13 de junho de 2016.

Família e centenas de amigos bateram toda a zona envolvente, organizaram buscas até Fátima, contaram com o apoio da GNR, bombeiros, caçadores e escuteiros e nenhuma pista foi encontrada. Mesmo os esforços pelo ar, com drones e ultra-leves, foram infrutíferos.

Questionado sobre o que terá acontecido, Daniel Figueiredo, neto de José Augusto, refere que “as suposições são muitas e nunca se pode prever com exatidão o que poderá ter acontecido. Costuma-se dizer que o diabo está nos detalhes, e eles são muitos”. Esclarece que “a maior possibilidade e que mais acontece nestes casos, é de ter vagueado até se perder e isolar-se da população, acabando por aí ficar devido ao stress físico”.

Outra hipótese é “ter sido acolhido por alguém”, possibilidade em que a família mais quer acreditar, “embora seja difícil e não ter tanto sentido”. Por fim, consideram também a possibilidade de atropelamento seguido de ocultação do corpo, eventualmente na noite do seu desaparecimento.

E como se gere o desaparecimento, a ausência inexplicável, de um familiar? “Vivemos neste momento com muita saudade do José Augusto e como se não bastasse, vivemos também numa constante de incertezas e frustrações. Basta pensar um pouco no passado e vemos que isto aconteceu muito rápido, não tivemos tempo para ponderar os perigos da doença, não tivemos nenhum alerta por parte dos médicos e, por exemplo, é que só agora é do nosso conhecimento que as pessoas com demência têm muito o hábito de vaguear”, explica Daniel Figueiredo.

Afirma não compreender “como é que no século XXI lidamos com estas questões como se fosse a idade média. Os métodos da GNR e dos bombeiros, que muita insistência deram ao nosso caso, não são os mais evoluídos para dar resposta a estes acontecimentos, não existem aeronaves, não existem drones, o serviço dos cães é apenas por tempo muito limitado e os recursos são poucos”.

O neto de José Augusto diz não entender “o porquê de não haver algum tipo de prevenção prática, uma vez que o desaparecimento de pessoas com demência acontece praticamente todos os dias em Portugal”. Aqui não existem instituições como no Canadá, Estados Unidos da América ou Austrália, que disponibilizam equipamentos de localização, como pulseiras, colares ou relógios e quando é dado um alerta de desaparecimento e tratam também de resgatar a pessoa em questão.

Cinco meses depois, a família está ciente que encontrar José Augusto com vida não é a possibilidade mais realista mas dizem que “todas as possibilidades estão em aberto” e acreditam que ainda é possível encontrá-lo com vida. Todos os fins de semanas tiram um pouco do seu tempo para procurar em regiões que não foram ainda exploradas.

No facebook mantêm a página www.facebook.com/desaparecimento onde continuam a apelar à comunidade que espalhem esta mensagem às famílias com pessoas que sofrem de demência: “Sensibilizem-nas para estes riscos e proponham algumas soluções. Uma delas poderá ser o contacto com a Alzheimer Portugal, que certamente ajudará”.

Outros casos

Da aldeia de Milreu, Vila de Rei, desapareceu no dia 13 de maio de 2013, Reinaldo Ramos, 75 anos, doente de Alzheimer.

Na altura do desaparecimento a sua filha, Albertina Ramos, lançou apelos no facebook que dezenas de pessoas partilharam. Apesar das intensas buscas realizadas pela GNR com recurso a cães não se descobriu qualquer pista.

O mesmo destino teve Maria Teresa Lata, residente na Pederneira, Serra de Tomar, desaparecida desde 1 de outubro de 2012.

A idosa de 77 anos vivia com dois filhos e recebia apoio domiciliário do lar da Serra. Costumava deambular pelas estradas e não era a primeira vez que desaparecia, mas há mais de quatro anos que não é vista. Funcionárias do lar, moradores, GNR e bombeiros fizeram buscas nas redondezas mas sem resultados.

Há 10 anos foi Agostinho Assunção, funcionário da Rodoviária em Tomar mas residente em Martinchel, concelho de Abrantes, que desapareceu.

Saiu de casa por volta da hora de almoço do dia 16 de março de 2006 e a sua presença foi registada na madrugada seguinte pelas câmaras de videovigilância da barragem de Castelo do Bode. Apesar das buscas efetuadas pela GNR e pelos bombeiros não foi possível localizar o homem. Até hoje…

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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