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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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“O Miquelino”, por Armando Fernandes

O crítico José Quitério apelidava o Guia Michelin de o Miquelino. O crítico não comungava das mesmas opiniões do cada vez mais influente Guia nos mercados turísticos e dos donos de bolsas bem recheadas ou de cartões de crédito por conta.

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Certo é que um restaurante ser distinguido com uma estrela é fonte de prestígio e de aumento da clientela embora muitos restaurantes aduzem considerandos de «mais as vozes do que as nozes» pois a distinção obriga a encargos que levam chefes do calibre de Adriá a obrigar-se a encerrar o famoso El Buli dado aquela Meca da gastronomia apresentar um prejuízo à volta de meio milhão de euros em cada ano.

As compensações escorriam de outros nichos, no entanto, o cozinheiro às vezes deixou-se seduzir pelos dólares e vende aulas em Harvard.

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Goste-se ou não o Michelin vale mesmo quando a Bíblia culinária faz menção – um garfo – a determinado restaurante. Recebe a notícia e logo o proprietário ou gerente propagandeia o garfinho a assinalar a sua existência dando-o, como bacocamente, ser uma estrela. Na área de intervenção deste jornal, pelo menos duas casas de comeres o fizeram.

Em Santarém, Almeirim e Rio Maior há a assinalar o rejuvenescimento de vários restaurantes seja no âmbito da cozinha, seja no tocante à garrafeira e serviço. Ainda bem.

Importa que os profissionais da restauração tenham a humildade de perceberem quão custoso é erguer-se e manter-se uma boa casa de comeres, e quanto fácil é reduzi-la à inanidade. Na edição de 2020, o Guia retirou uma estrela a três restaurantes portugueses. Vão saber quanto custa a perda. No ano em curso tomei duas refeições a restaurantes estrelados; as duas foram más, uma, mesmo muito má. Aguardemos pela edição de 2021.

MINOC

Se o leitor, porque lê, ficar surpreso ante a designação deste branco brilhante num pastel amortecido, a exalar vibrantes aromas a citrinos, cuja acidez não ofende o palato, talhado para acompanhar frutos vermelhos marítimos, peixes brancos e fumado, carnes também fumadas finamente, MINOC, leia a palavra ao contrário, Conim, apelido de um ancestral  da Senhora que o escolheu e o comercializa, ficam a perceber quanto vale a palavra gratidão.

Desta safra saíram 2500 garrafas, adquirindo uma, logo ficará a conhecer com mais detalhe a curiosa «estória».

Produzido e engarrafado para Rita Conim Pinto. Alpiarça. Ano de colheita: 2018. Graduação: 12,5º.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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