Entrevista: Rui Teixeira, o médico que fez 10 dias de greve de fome

Médico Rui Teixeira que colocou um ponto final na sua greve de fome que durou dois dias (Foto: mediotejo.net)

O mediotejo.net estava com o médico Rui Teixeira quando o mesmo foi “obrigado” a suspender a sua greve de fome que durou 10 dias. Uma ação que tomou como grito de revolta, não pelo dinheiro que lhe ficaram a dever, mas contra a posição que a justiça tomou no caso da burla que ele, e outros colegas, sofreram com uma empresa de contratação de profissionais de saúde.

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Numa entrevista emocionada, que durou mais de uma hora, depois de ter saído do serviço que fez de 24 horas nas Urgências de Abrantes, Rui Teixeira falou do que o levou a fazer esta greve de fome, que não avançou mais cedo com este protesto porque esposa teve de ser operada e necessitou de apoio. E confessou que pensava que tudo se iria resolver em poucos dias, não pensava levar a greve de fome tão longe e que foi uma decisão difícil de tomar que não contou com a concordância da sua família.

Rui Teixeira trabalhou quatro dias em greve de fome, foi médico de si próprio, mas assume que cometeu o erro de não ingerir água o que o debilitou muito ao fim de cinco dias, altura em que teve de tomar a decisão de beber água e, pela pressão dos colegas, levou 2,5 litros de soro para recuperar.

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Suspendeu a sua greve de fome esta quarta-feira, dia 30 de março, não só pelos pedidos feitos pela Ordem dos Médicos e da Presidência da Assembleia da República nesse sentido, mas também porque o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo lhe deu a escolher entre continuar a greve ou não ter os seus doentes.

Após 10 dias de greve de fome, aqui ficam as palavras resultantes da entrevista ao médico Rui Teixeira.

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Mediotejo.net – O que motivou esta greve de fome?

Rui Teixeira – A questão prende-se com uma situação que já se arrasta desde 2014. Inicialmente, tínhamos um contrato de prestação de serviços com o Hospital de Santarém, onde trabalhava na altura, mas em finais de 2014 fomos surpreendidos com informação da parte do Conselho de Administração do Hospital que teriam, por imposição do Ministério da Saúde, de suspender todos os contratos diretos que tinham com os prestadores de serviço. Nessa mesma altura, fomos informados de que gostariam que continuássemos a dar a nossa colaboração mas através da empresa RPSM que pertence a Patrícia Xavier Marques Ferreira.

Eu já estava informado sobre o que se tinha passado com esta empresa no Hospital de Portalegre, em que a Srª Patrícia Ferreira ficou a dever aos colegas que lá prestaram serviço os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2013.

Ficando eu, desde essa altura em sobreaviso, informei a Srª Patrícia Ferreira que gostaria de receber o vencimento ao dia 28 de cada mês, conforme se passava com o Hospital de Santarém e chegou esse dia mas não houve pagamento com a justificação de que os meus dados que ela recolheu não estavam corretos.

Volta a suceder o mesmo no mês de fevereiro. E em março de 2014, um colega que já tinha sido lesado por esta empresa no Hospital de Portalegre e vai trabalhar para Santarém, deparando-se com a mesma situação, faz uma carta a expor a situação de Portalegre ao Conselho de Administração do Hospital de Santarém e da situação que já se começava a desenhar também naquela unidade de saúde.

A nossa situação foi-se arrastando e cada mês era sempre mais uma semana em atraso e em maio fui obrigado a recorrer ao vogal do Conselho de Administração do Hospital de Santarém que, felizmente resolveu a situação do vencimento do mês de março. Nessa altura, a justificação que a Srª Patrícia Ferreira dá é que médicos não estavam a passar os recibos verdes e que deveriam de passar o recibo para ela fazer o pagamento e eu expliquei ao vogal do executivo que as indicações que eu tinha era só de passar o recibo depois de receber o pagamento.

O vencimento de junho que deveria ter sido pago em finais de julho não aconteceu e eu ia de férias e solicitei à Srª Patrícia Ferreira que fizesse o pagamento e nessa altura, envia-me por mail um talão de multibanco, com o montante correto, no dia 4 de agosto, como comprovativo da transferência do valor do vencimento e eu fui de férias a contar que esse dinheiro estava lá. Felizmente fui de férias para Albufeira e não para o estrangeiro o que me evitou males maiores. No dia 6 de agosto, continuava sem ter o dinheiro na conta e quando vou ver novamente o mail, apercebo-me que o penúltimo número do meu NIB estava errado e peguei no cartão multibanco da minha esposa e vou ao multibanco fazer uma transferência para a minha conta e aparece o nome do beneficiário com todos os dados corretos. Tento depois fazer transferência para aquele NIB que estava no comprovativo que a Srª Patrícia Ferreira me enviou e aparece a msg a dizer “NIB inexistente”. Volto a entrar em contacto com a Srª e quando ela surpreendida com esta informação, nunca mais me atendeu o telefone.

Quando regresso de férias, ainda em agosto, informei a direção da Urgência e o vogal executivo de que não voltaria a trabalhar no Hospital de Santarém através daquela empresa e felizmente alguns colegas meus seguiram o mesmo exemplo, pelo que o Hospital de Santarém foi obrigado a contratar outra empresa e a situação foi solucionada a partir de agosto. Mas a Srª Patrícia Ferreira reteve os nossos vencimentos de junho e julho.

Não conseguíamos contactar a Srª Patrícia Ferreira, ia dando uma justificação diferente a cada um dos profissionais e um dos colegas conseguiu a sua morada e eu pessoalmente dirigi-me a casa da Srª, que me atendeu mas mandou chamar um Sr. que ela apelidou de “Padrinho” que me propôs que poderia adiantar uma parte do dinheiro em dívida, cujo total eram 8.100 euros porque eu só trabalhava para aquela empresa no Hospital de Santarém.

Queriam adiantar-me algum dinheiro e eu expliquei que não estava lá só por mim, mas também pelos meus colegas, e se me quisessem pagar uma parte a mim eu não acetaria porque os meus colegas também tinham valores em dívida. No Hospital de Santarém eram 16 profissionais nesta situação mas só mais seis colegas meus é que aceitaram assinar as cartas que fizemos para os serviços partilhados do Ministério da Saúde, para o Conselho de Administração do Hospital de Santarém e para os serviços jurídicos da Ordem dos Médicos a dar conhecimento da situação.

Lá consegui que Srª Patrícia Ferreira se comprometesse a estar presente numa reunião no dia 16 de setembro com o vogal do Hospital de Santarém onde nessa reunião disse que até dia 30 de setembro pagaria todos os valores em dívida aos profissionais de saúde.

Nós até sugerimos ao vogal do CA do Hospital de Santarém para não fazerem qualquer pagamento à empresa da Srª Patrícia Ferreira porque nós reparámos que quando ela recebia o pagamento do Hospital de Santarém, ela fazia transferência para outra conta. Mas não conseguimos porque o CA disse que teria de cumprir o contrato que tinham com a empresa e que teríamos de ser nós a fazer pressão sobre a empresa.

Entretanto, também recebemos resposta do Departamento Jurídico da Ordem dos Médicos a orientar-nos para os tribunais dando inclusive a cada um de nós o apoio de 1500 euros para despesas jurídicas. Foram 4 processos que eu coloquei e cada um dos processos tinha de pagar 600 euros. Um dos processos ao qual tive de pedir recurso foi sobre a burla qualificada do talão multibanco mas o processo foi arquivado.

O processo que conseguimos ganhar foi aquele onde solicitámos a insolvência da empresa uma vez que não tinha meios para fazer o pagamento. Em abril de 2015, foi decretada a sentença e a empresa declarada insolvente com a obrigatoriedade de fazer o pagamento dos valores em dívida. Mas, surpreendentemente, o meu advogado liga-me em dezembro de 2015 a dizer que não seria possível à empresa fazer o pagamento dos valores em dívida porque o administrador da insolvência enviou-lhe uma carta a informar que a Patrícia Ferreira não possuía qualquer bem em seu nome e se eu pretende-se prosseguir com o processo teria de fazer – e esta é a parte mais caricata – um depósito como caução de 150 mil euros que era o montante mínimo apurado do valor das dívidas da Srª Patrícia Ferreira para com os profissionais de saúde.

Assumo que fiquei incrédulo e irritado, perdi a fé na Justiça e só não avancei mais cedo com este ato de protesto porque a minha esposa foi operada em janeiro e precisou de apoio e eu não poderia faltar a esse apoio.

Ainda tinha seis dias de férias do ano passado para gozar, coloquei antes da Páscoa para coincidir com férias das crianças e no dia 8 de março, através de carta registada, fiz chegar junto do CA do Hospital de Santarém a informação de que iria entrar em greve de fome como forma de protesto por esta situação.

Em setembro de 2014, no desespero de, por várias vezes, termos recorrido ao CA e de não termos visto nenhuma atitude vigorosa para travar esta situação, eu já tinha dito que se a situação continuasse eu iria partir para esta forma de protesto.

(emocionado) Quero fazer um sincero pedido de perdão aos portugueses e aos meus doentes em particular por esta atitude que eu tomei. Mais uma vez informo que não foi pelo dinheiro, este meu grito de revolta, esta minha posição prende-se com a atitude que a Justiça portuguesa teve para com este caso.

Quando iniciou esta greve de fome estava de férias?

RT – Estava de férias do meu atual local de trabalho (Hospital de Abrantes) pensando eu que não teria de prosseguir porque a situação estaria resolvida até ao regresso das minhas funções.

O que esperava que tivesse acontecido?

RT – Eu fiz uma exigência com quatro pontos: no primeiro, exijo o pagamento imediato do que me é devido; no segundo ponto, eu faço exigência para que se estabeleça o compromisso do pagamento aos meus outros seis colegas que assinaram a carta na altura porque quando carta foi assinada recebemos ameaça da Patrícia Ferreira de que todos aqueles que tinham assinado não iriam receber ou seriam os últimos a receber e que se ela quisesse fechava a empresa e eles não recebiam nada. O terceiro ponto é em relação aos colegas no geral, quer os de Santarém, quer os de Portalegre, fossem também ressarcidos e no quarto ponto, ao qual já tenho uma resposta parcial, solicitava que fosse movido um inquérito para encontrar os culpados e puni-los por esta situação.

Disse que já recebeu uma resposta relativamente a esta última exigência. Quer falar sobre isso?

RT – Eu fiz várias comunicações e avisos sobre a minha intenção e a entidade máxima a que eu achei que deveria chegar era ao Presidente da Assembleia da República, achei que importunar o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro seria demais porque não esperava chegar até ao dia de hoje.

Da Presidência da República foi a única resposta que recebi até hoje, para além da resposta da Ordem dos Médicos, em que ambos se mostraram solidários com a minha ação e sinto-me honrado pela atenção que me deram (emocionado).

A Presidência da Assembleia da República comprometeu-se a enviar este assunto para a Comissão da Saúde para aí ser analisado e isso para mim é uma conquista, posso dizer que conquistei o quarto ponto.

Como é estar em greve de fome há 10 dias?

RT – Neste momento, sinto-me liberto. Não foi fácil. Primeiro porque a própria decisão não foi fácil.

Como é que a sua família viu este seu ato de protesto?

RT – (Silêncio, muito emocionado) A minha esposa sempre me apoiou e eu também sempre a apoiei, ela compreendeu o meu ato de desespero porque viveu as dificuldades que tivemos com a ausência de três meses de ordenado, mas não aprovou e não aprova e com razão porque eu… (silêncio, emocionado) se estivesse do outro lado, não aprovaria.

Eu não fiz isto pelo dinheiro, esse dinheiro há muito que foi dado como perdido, é pela injustiça da Justiça porque eu sei que a Srª Patrícia Ferreira não pode ter desviado os cerca de 200 mil euros sozinha.

ABRANTES_MEDICO RUI TEIXEIRA 2 (Foto: mediotejo.net)
Rui Teixeira não tem parado de atender telefonemas, desde que entrou em greve de fome (Foto: mediotejo.net)

Durante a greve de fome, a sua saúde foi monitorizada? Por quem?

RT – Eu fi-lo pessoalmente por compromisso com a minha diretora de serviço, para com os meus colegas e para com os meus utentes.

Quantos dias trabalhou em greve de fome?

RT – Quatro apenas. Esta segunda e terça-feira, onde estive na enfermaria e nas consultas externas, e no serviço de urgência, ontem, nas 24horas.

Tenho também compromisso com Hospital de Santarém, através de uma outra empresa, e fui trabalhar nos dias 24 e 26 de março.

Até sexta-feira, dia 25 de março, eu tinha cometido uma grande imprudência neste protesto, porque quando comecei foi com a decisão de não comer e também de não ingerir água e isso foi uma grande imprudência porque no final do 5º dia, na sexta-feira, eu estava completamente desidratado. É possível quando temos a convicção de que a verdade está do nosso lado, quando temos essa convicção nada nem ninguém nos demove.

Na noite de sexta-feira, dia 26 de março, enviei SMS aos colegas e amigos dizendo que estava a tornar-se insuportável a situação e nessa altura já não estava a conseguir falar. Consegui completar os cinco dias sem comer nem beber -não aconselho a ninguém – e aí imediatamente iniciei a ingestão de água mas não foi suficiente. Depois quando entrei para trabalhar na Urgência do Hospital de Santarém, consegui trabalhar as primeiras 12 horas, tinha sempre a chefe de equipa a insistir comigo e acabei por me inscrever para fazer as análises. Já tinha feito análises nas urgências do Hospital de Abrantes no dia 23, tinha cá vindo propositadamente e estava tudo bem, mas nos três dias seguintes o estado do organismo deteriorou-se bastante e já tinha alterações muito graves com a glicemia de 59 e tinha os lactatos, o indicador de que o organismo já estava a retirar as reservas para além do que era normal, e estava com 4,2 de lactatos que deveria de ser inferior a 0,1. A partir daí puseram-me a soro, fiz 2,5 litros de soro com dextrose e essa “maldade” arrebitou-me acho que para o resto da vida. Tenho que agradecer o que os colegas fizeram por mim.

Sentiu sempre uma grande solidariedade da parte dos seus colegas?

RT – Senti sempre uma grande solidariedade mas também uma grande preocupação da parte dos colegas, dos meus doentes e da minha família (caindo lágrimas no rosto). Enquanto o meu filho mais novo tem quatro anos e não percebe, quando estavam à mesa perguntava-me se estava cansado e se era por isso que não comia, o meu filho mais velho, que tem 10 anos, (voz trémula e pausa) chorava sempre…

Vai colocar um ponto final nesta greve de fome: porque quis ou porque houve pressão?

RT – (Muito emocionado) Eu prometi à Ordem dos Médicos que hoje iria ponderar a situação e qual a decisão a tomar porque achei que seria uma grande falta de respeito não acudir à solicitação que me foi feita quer da parte da Ordem dos Médicos, quer da Presidência da Assembleia da República e hoje iria ponderar sobre isso.

Neste momento, por outras pressões, estou obrigado a suspender a minha greve de fome. Porque se não o fizer, não terei direito a ter os meus doentes comigo (pausa, emocionado) e não há nada que eu possa trocar pelos meus doentes!

Chega hoje ao fim uma situação de 10 dias de greve de fome. Não é uma situação para repetir?

RT – Seguramente que não!

Valeu a pena?

RT – Valeu a pena por aqueles que não têm voz. Valeu a pena pelos que se sentem oprimidos, Valeu a pena para mostrar aos desonestos que, quer de uma forma, ou outra, a verdade sempre vem ao de cima. Valeu a pena! Sinto-me liberto e digo apetecia-me agora de facto manter esta greve de fome como protesto, mas porque não trocaria nada pelos meus doentes, pelo respeito que tenho pelos colegas, pelo respeito pelo pedido da parte da Presidência da Assembleia da República e da Ordem dos Médicos, eu suspendo.

Termina fazendo um apelo: O único apelo que tenho para fazer é para solicitar aos profissionais que nunca, nunca se deixem desagregar quando estão numa situação destas.

 

Perfil do médico que esteve 10 dias em greve de fome:

Rui Teixeira, tem 51 anos. Nasceu em Bissau, na Guiné Bissau, mas está em Portugal há 19 anos e, por ser neto de portugueses, optou por ficar com a nacionalidade portuguesa.

É o mais novo de dez irmãos. Perdeu o pai muito cedo, ainda não tinha 4 anos e foi adotado pela sua irmã Manuela “que foi uma mãe exemplar mas muito rígida na minha educação e eu agradeço”, refere Rui Teixeira. “Os meus irmãos sacrificaram-se todos por mim e eles é que me financiaram os estudos”, recorda o médico.

Os seus estudos em medicina, começou por fazê-los em Portugal, na Universidade de Coimbra, corria o ano de 1982 mas foi o embaixador da Guiné em Portugal, da altura, que, nesse mesmo ano não lhe permitiu continuar os estudos em Coimbra ao não ter dado a autorização da Embaixada que era necessária para continuar a estudar. “Na altura, as ideias eram um pouco retrógradas, e essa autorização para eu estudar foi recusada pelo embaixador da altura porque achou que, com 18 anos, eu era muito novo para estudar medicina e como os outros eu tinha de voltar para trabalhar pelo país”, recorda Rui Teixeira.

Regressou à Guiné, onde foi dar aulas mas rapidamente conseguiu uma bolsa para estudar na ex-União Soviética e foi na República da Ucrânia que fez a sua formação em medicina, após a qual voltou para a Guiné, em 1992.

Em 1995 era para ter vindo para Portugal fazer a sua formação específica, mas por ter estado envolvido numa manifestação não lhe foi concedida autorização para sair da Guiné e só em novembro de 1997 “consegui vir para Portugal com o apoio da Gulbenkian”.

E nunca mais regressou à Guiné.

Foi em território português que fez a especialidade em Medicina Interna, concluída em 2012, e que hoje exerce. Integra os quadros do Hospital de Abrantes desde outubro de 2015. Vive na Chamusca, localidade onde a esposa, angolana, vive desde muito cedo. É casado e tem dois filhos.

Nos tempos livres, gosta de jogar futebol: “joguei futebol até ao 42 anos de idade”, mas agora descobriu “uma nova diversão, embora tardiamente, que é desfrutar da minha família, dos meus filhos e da minha esposa e que o trabalho não é tudo, e o dinheiro muito menos!”.

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