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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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“O homem do leme”, por Vasco Damas

Ponto prévio: tudo a que a seguir está escrito fica muito aquém daquilo que é merecido

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Na quinta-feira passada senti uma comoção forte ao nível daquilo que se sente quando se perde um amigo. Não o conhecia pessoalmente, mas simpatizava com o Zé Pedro. Simpatizava genuinamente como se simpatiza com aqueles que são muito maiores que o seu talento.

Gosto de simplicidade e de humildade… e se havia alguém que personificava estas duas características, era definitivamente ele.

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O sorriso era a imagem de alguém que era muito mais do que aparentava e debaixo da sua capa de anti-herói, batia um coração do tamanho do seu virtuosismo.

Ele era a alma dos Xutos mas era infinitamente mais do que “apenas” isso… como se isso não fosse já mais do que suficiente!

De mão dada com a sua capacidade andava o seu altruísmo. Não é segredo para ninguém que as invejas são naturais no meio artístico. Contrariando essa tradição, ele nunca as cultivou e ainda ajudou a criar condições e a derrubar barreiras para o aparecimento de novos valores na música portuguesa. Basta recordarmos o saudoso Johnny Guitar.

Apesar de ser quem era… chorou como uma criança e agradeceu humildemente a quem lhe deu a oportunidade de tocar no mesmo palco com o seu ídolo.

Apesar de ser quem era… nunca negava um autógrafo, um abraço ou um sorriso, o seu singular sorriso.

Nem tudo terá sido perfeito e a “vida malvada” de excessos praticados na juventude e já em idade adulta terão contribuído para acelerar um processo natural… mas até aqui se distinguiu com elevação, usando os seus erros como exemplo para alertar as gerações mais novas para certos perigos.

Admitiu ter remado em mares convulsos no meio de ressacas estranhas depois da carga pronta ter sido metida nos contentores mas, mesmo assim, nunca foi o único a olhar o céu.

Gritos mudos tentaram chamar a atenção para a vida que se jogava sem nenhuma razão.

Talvez a vida tenha ido torta mas nunca deixou de ser à sua maneira.

A vontade de ir, correr o mundo e partir acabou por nascer do fundo do ser. Contrariado, o homem do leme acabou por partir.

A cultura portuguesa perdeu um ícone. O país ficou mais pobre… muito mais pobre!

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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