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Sábado, Julho 24, 2021

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Trincanela

“O futuro projetado a partir da floresta e do sobreiro em Coruche”, por José Alho

O Município de Coruche organiza a VIII Edição da FICOR – Feira Internacional da Cortiça, que decorre nos próximos dias, de 25 e 29 de Maio, dividida entre o Centro de Exposições de Coruche, no Parque do Sorraia, que irá acolher todos os expositores e parceiros do evento e o Observatório do Sobreiro e da Cortiça, na Zona Industrial do Monte da Barca, que irá acolher toda a componente científica, num ciclo de seminários e conferências.

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Coruche é um município de transição entre o Ribatejo e o Alentejo onde o fenómeno da desertificação se veio instalando nas ultimas décadas, mas a dinâmica imprimida nos últimos anos em torno do sobreiro e da cortiça, da qual a FICOR é a expressão mais visível tem mostrado que não há causas perdidas e que vale a pena continuar a lutar pela valorização do interior.

O Observatório do Sobreiro e da Cortiça enquanto espaço de investigação e desenvolvimento, pode ser uma resposta positiva aos problemas deste território, atacando as fragilidades de sistemas naturais e sócio económicos em declínio e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento a partir da mesma matriz territorial.

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A desertificação instala-se em territórios com ciclos naturais em ruptura, considerados de baixo valor económico, com poucos recursos técnicos e humanos o que resulta num deficit de massa crítica, com pouco peso político e reivindicativo.

Às fragilidades instaladas associa-se a incapacidade política de chegar de modo eficaz aos centros de decisão.

Mesmo a intervenção das autarquias, das organizações não-governamentais de ambiente ou das associações de desenvolvimento têm por estas razões muitas dificuldades em afirmar um papel de desenvolvimento competitivo nestes territórios.

Estando a desertificação associada ao abandono do mundo rural, a solução passa por entendermos o que falhou nos modelos vigentes e sobretudo transcorre da capacidade de um olhar diferente numa visão de futuro e de esperança activa.

A adaptação do Homem à Natureza traduziu-se em modelos de utilização do território que condicionaram a economia, a cultura e a organização social das comunidades aí instaladas, e também originaram impactos nos recursos naturais bem visíveis nas paisagens construídas, na conservação dos solos, da água e da diversidade biológica.

De uma relação de equilíbrio evoluiu-se para uma nova fase do Mundo Rural que foi perdendo terreno no percurso competitivo da sociedade de consumo e tecnológica, resultando um território decrépito, gradualmente despovoado, com ruptura dos sistemas ecológicos construídos e sobretudo esquecido pelos decisores políticos e pelos agentes económicos.

No entanto a importância do mundo rural permanece intocável no que representa para a conservação dos recursos naturais e para o equilíbrio e bem-estar da população, mesmo quando esta reside nas áreas urbanas.

O espaço rural encerra um conjunto de características bem diversificadas que assentam sobretudo na manutenção de uma relação de equilíbrio entre os Recursos Naturais e a actividade Humana tradicional.

Esta importância fundamental do mundo rural tem de se afirmar nas novas valências e nas novas oportunidades que ai se colocam, no que isso significa de harmonia na relação entre a natureza e as pessoas.

Em tempo de alterações climáticas, já bem, sentidas, o contributo assume ainda maior relevância.

Ao lançar uma perspectiva de competitividade e inovação a partir de recursos tradicionais da região, como o são o Montado de Sobro e a Cortiça, Coruche está a alinhar-se para uma nova oportunidade de revitalização do seu modelo de desenvolvimento sem abandonar as suas características próprias estabelecendo uma credível e desejada ligação entre o passado e o futuro merecedora do nosso reconhecimento.

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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