Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Terça-feira, Outubro 26, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“O futuro dos jovens e da UE”, por João Morgado

Antes de começar a escrever sobre o assunto em si, quero só deixar algumas ideias sobre aquilo que espero com as crónicas que com alguma regularidade irei aqui escrever. Não sou doutorado em nenhum assunto, pois nem idade nem tempo tenho para o ser, nem sou um expert em gramática e não aspiro a nenhum Nobel da Literatura! Procuro, no entanto, aqui como noutros contextos, exprimir a minha reflexão sobre os temas e ou problemas que me interpelam sobre a vida, o mundo, a realidade. Quero, portanto, agradecer a oportunidade que me foi dada pelo mediotejo.net para poder, enquanto jovem, expor a minha opinião.

- Publicidade -

Precisamente o que é isso de ser jovem? Foi convencionado que todos os indivíduos entre os 13 e os 24 anos são jovens. Para mim, no entanto, ser jovem é muito mais do que uma medida cronológica e etária! Ser jovem é, sobretudo, uma forma de vida, não é apenas a idade que faz de nós jovens, é preciso ser-se realmente jovem. Pode parecer um pouco confuso mas certamente tu que estás a ler isto sabes bem do que falo. Pelo menos uma vez na vida buscaste ultrapassar os limites que foram estipulados ancestralmente, pelo menos uma vez já quebraste uma regra, pelo menos uma vez na tua vida, longa ou curta já experimentaste o êxtase e a rebeldia de viver. Já te indignaste contra os ditos códigos da sociedade e perguntas-te a ti mesmo quem é que teve a ideia de inventar isto ou aquilo. Esta dúvida de tudo e esta descoberta da sociedade faz de ti jovem.

“Mas qual é, a teu ver, João, o futuro dos jovens hoje?”, perguntas tu. Bem é um pouco difícil falar do futuro, supondo que existem vários caminhos possíveis e vários jovens diferentes em distintos lugares do mundo. Vou falar do futuro que ambiciono para mim, cidadão português e consequentemente europeu. Gostava de viver com confiança, num continente, num país e até numa cidade onde me sinta bem e integrado. Gostava de pensar que seja qual for o caminho que siga vou ter sempre o apoio daqueles que preciso e que qualquer que seja o desafio que se atravesse à frente do meu sonho vou conseguir vencê-lo. Gostava de poder pensar num futuro em que seja qual for esse caminho tenho um final feliz e certo. Atualmente ouvimos falar em tanta incerteza, e não conheço ninguém que viva bem na incerteza, muito menos nós jovens, cheios de planos e sonhos, não gostamos de andar sempre a mudar de rumo. Devia ser proibido destruir os sonhos dos ambiciosos. Agora como conciliar o tema Jovens e UE? perguntas tu. Fácil, se és um seguidor assíduo deste jornal sabes que houve há relativamente pouco tempo uma expedição de 24 alunos de uma qualquer escola, numa qualquer cidade que foram nada mais nada menos que ao Parlamento Europeu em Estrasburgo. Por acaso eu fazia parte desse grupo de alunos mas o essencial agora é dizer que se seguiste essa aventura de perto reparaste na animação constante desse grupo em cada momento, na felicidade que cada um dos 24 expedicionários sentia ao dar um passo e a forma como eles influenciavam os que os rodeavam, e sobretudo a portugalidade que carregavam com empenho e com orgulho de a mostrar a todos aqueles por quem passavam.

- Publicidade -

Infelizmente, para a União Europeia nós sentíamo-nos como portugueses em França e não como europeus na Europa. Depois de interagirmos com outros jovens de outros pontos da Europa percebemos que não éramos os únicos a sentir a sua nacionalidade e não a Cidadania Europeia que todos partilhamos. Este é um dos efeitos da desunião da União Europeia. Já passou uma geração desde a assinatura do tratado de Maastricht que consagrou a cidadania europeia, no entanto o que é que já foi feito para incutir em nós, cidadãos europeus essa identidade? Qual foi o incentivo dado pela União para nos sentirmos realmente dentro dela? A não ser ouvir falar da UE apenas quando empresta dinheiro a Portugal ou quando alguém lá dentro fala mal de nós, aposto que muitos dos portugueses atualmente não sabem bem o que é viver na União Europeia, tal como não sabiam os muitos britânicos que votaram “Sim” no Brexit.

Quando falava com uma senhora do Reino Unido ela dizia-me que “Muitos deles nunca saíram daquela ilha e nem sabem bem o que é ser Cidadão Europeu, as únicas vezes que ouvem falar na UE é quando se aborda questão dos imigrantes que vêm do continente e quando o Reino Unido paga contributos elevados à União.”

Eu não os culpo por não saberem os direitos e os deveres que têm, aposto que se houvesse um “Portexit” muitos portugueses votariam “sim”. A culpa é das fontes de informação por toda a Europa que apenas passam uma má imagem não sei bem porquê e não transmitem às pessoas a verdadeira informação. Portanto a desunião patrocinada pelos media vai acabar por destruir a Europa, a par da insegurança e dos extremismos anti-UE que tem crescido nos países do centro europeu. Eles motivam-nos a ficar descontentes com esta União. No caso português vamos viajar um pouco no tempo até 1980, caso consigas, claro. Pensa na vida que levavas e como estava o nosso país, e agora volta a 2017 e compara onde estávamos e onde estamos. Muito devemos à UE e não é só dinheiro. É preciso reconhecer que temos uma Europa a duas velocidades e que Portugal nunca vai conseguir igualar a Alemanha, por exemplo. Devemos sim contribuir para o sucesso da União e não arruiná-la.

Cabe a cada um de nós contribuir para a manutenção desta nossa Europa que já está velha e cansada mas que no entanto vai tentando rejuvenescer e fazer face aos desafios diários que na sua frente se atravessam, tal como nós, jovens. E a ti, jovem que estás a ler isto deixo-te também um desafio, se gostavas de ver também os teus pensamentos publicados estou disposto a partilhar este espaço contigo.

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome