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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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“O futuro: Conviver com o Covid 19”, por Helena Jorge

O Estado de emergência vai ser renovado até maio. Dado o estrangulamento da economia, optou-se por reabrir gradualmente pequenos espaços comerciais e algumas actividades. Algumas empresas, reorganizaram-se também. Passaram a fabricar artigos de protecção para a saúde e a exportar. Outras, só com muita dificuldade se voltarão a reerguer.

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O País e as famílias, parados e confinados ao domicilio, enfrentam dificuldades acrescidas. O desemprego que aumentou , o lay-off de muitas empresas, reduziram o rendimento de muitos portugueses. E tudo pode não ficar bem, se os Portugueses não mantiverem o binómio que lhes é solicitado pelas autoridades de saúde e iniciar a actividade gradualmente, mantendo a protecção no contágio. A sociedade, a pouco e pouco, terá de voltar a uma certa normalidade inquieta.

No futuro, teremos de continuar com a nossa vida em convívio com o vírus. Conseguindo, com o aplanar da curva de novos casos, manter o funcionamento do SNS, sem o estrangular, manteremos a resposta a novos casos de Covid-19, que entretanto vão surgindo. A actividade social vai começar, com novas precauções, nomeadamente o uso generalizado de máscaras fora de casa. O distanciamento social terá de se manter, assim como o isolamento de grupos de risco, como idosos, doentes crónicos e auto-imunes.

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O nosso contacto com o vírus, e antes de haver uma vacina, promoverá alguma imunidade de grupo. Não sabemos ainda que impactos terão as temperaturas mais altas no vírus. A perspectiva de que a vacina surja para o ano de 2021 conduz a que a população tenha de continuar os comportamentos que todos já aprendemos.

A pouco e pouco o SNS terá de voltar à normalidade. E pode, se politicamente for a aposta o melhorar bastante na resposta às necessidades em saúde.

Foi pedido aos portugueses para se dirigirem ao serviço de urgência apenas reencaminhados pela SNS 24, ou em casos verdadeiramente urgentes. O medo, o pânico de ser infectado com o vírus, conduziu a uma diminuição muito significativa da ida da população a estes serviços. Nos últimos anos, a capacidade dos serviços de urgência, já testava os limites da resposta das instituições. Esperemos que no futuro a SNS 24 continue a ser procurada pelos portugueses, a fim de uma triagem mais adequada das situações verdadeiramente urgentes.

Mas o que mais estranha é a diminuição da afluência de doentes verdadeiramente urgentes, e que o local de atendimento é o serviço de urgência.

Para que não haja risco de contágio, as instituições separam as urgências. Os doentes suspeitos de Covid-19 são atendidos num circuito totalmente separado do da urgência geral. A segurança e a diminuição do risco são garantidas pelos profissionais. A melhor opção, em casos verdadeiramente urgentes, não é ficar em casa. O risco de agudização da doença pode conduzir à morte, sem assistência adequada.

Os problemas oncológicos, cardiovasculares, e outros, continuam  a ter o acompanhamento no SNS. Os problemas de saúde não param só porque há covid-19. Este é mais um foco de doença. O SNS vai gradualmente  voltar à actividade programada como consultas, exames, controle de doentes de risco e cirurgia programada.

O SNS é para dar resposta a este conjunto de problemas em saúde variados. A actividade programada nunca poderá ser feita pelo sector privado, exclusivamente. Apesar de se conhecer a dificuldade do SNS em dar resposta a actividade cirúrgica, e algumas consultas de especialidade, a actividade produzida não era ínfima, pelo contrário, só não era suficiente para a elevada procura em cuidados de saúde, muito pela falta de recursos humanos, remunerações baixas a profissionais qualificados e precárias condições de trabalho.

Esperemos que haja investimento futuro no SNS, não podendo o sector privado da saúde o recurso prioritário. O mesmo privado que recusou tratar doentes com Covid-19. O mesmo privado que só recorre quem tem seguro ou subsistemas de saúde. Porque o lucro impera e não existe a universalidade de acesso aos cuidados de saúde ,  tal como no SNS, pago pelos impostos de todos.

No futuro, o SNS irá de certeza sofrer alterações. Só espero que sejam construtivas, de reforço e não de fragilização como têm sucedido na última década. Parece que o SNS forte não agrada a muitos sectores, mas de certeza agrada aos Portugueses. A segurança na Saúde é uma prioridade.

Como cidadã eu escolho um SNS forte.

Coordenadora do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do Distrito de Santarém

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