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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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“O fogo artístico”, por Massimo Esposito

Verão, calor e fogo.. parece uma equação imprescindível. Infelizmente.

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Choro todos os anos pelos milhares de hectares perdidos, por esta natureza que vai desaparecendo, estas árvores tão importantes no ecossistema que já não existem mais, estes animais cruelmente assassinados e os que fogem destas terras, este verde que passa a cinzento, este céu azul deslumbrante que muda em tons de castanhos do fumo intenso, esta terra vermelha que passa a ser negra, estas lágrimas transparentes que passam a ser ofuscadas pela fuligem.

Não sou Português, mas escolhi viver aqui, não tenho pais Portugueses mas os meus pais Italianos fixaram-se aqui depois de eu ter escolhido esta terra Lusa, tenho residência e esposa em Portugal onde vivo e trabalho, mas choro todos os anos ao ver estas tristes e aterradoras imagens de fogos “incontroláveis” que matam Portugal.

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Escolhi viver aqui em 1986 porque amei o verde das florestas do centro, os cobaltos e cerúleos das praias fluviais e do mar infinito, dos castanhos das rochas e aqueles imensos vermelhos e rosas do por do sol no mar, amei a calma e o amor que os Portugueses tinham pela natureza com que trabalhavam em sintonia e que me deu o impulso de cultivar o FOGO artístico que estava em mim, me deu alento a dedicar a minha vida a arte e me convenceu que fazer o que ARDE dentro de nós deve ser ajudado a crescer e evoluir e ganhei imenso com estas escolhas dando este fogo a tantos alunos e colegas que me acompanharam nestas lides artísticas.

Não critico ninguém, nem acuso ninguém, outros poderão fazer melhor, mas choro estas tragédias que mudam as cores que escolhi, que entristecem estes brilhos que tinham de ser cuidados como uma criança, esta natureza esplendorosa que pintei inúmeras vezes e que agora são só um conjunto de cinzentos e negros.

Espero vivamente que quem tem possibilidade e vontade possa dar-me de volta estas cores, estas luzes e harmonias e que assim sim o meu FOGO artístico possa prosperar e atiçar fagulhas a outros para fazer ainda mais lindas estas terras que Deus nos deu tão generosamente.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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