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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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“O Festival”, por Armando Fernandes

De 21 de Outubro a 1 de Novembro realiza-se em Santarém mais uma edição do Festival Nacional de Gastronomia. O Festival granjeou justo prestígio, o modelo conheceu imitações, de inovador passou à categoria do «sempre a mesma coisa», mudar a sua face e a estrutura tem sido preocupação da entidade promotora – a Câmara de Santarém- mas não tem sido fácil, nem tão rápido quanto se pensava.

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No entanto, tal como Galileu disse acerca do movimento da Terra, também o seu mais directo responsável, Arquitecto Luís Farinha, pode afirmar: devagar, mas está a mover-se no propósito de renovar procedimentos, representações culinárias e de produtos, atraindo novos públicos, seguro alicerce do futuro Observatório Nacional de Gastronomia sedeado na capital do Ribatejo.

Durante doze dias receitas culinárias oriundas de todo o País serão apresentadas à prova para gáudio de todos quantos entendem o acto de comer como exercício prazenteiro e de convivialidade. Sendo o Homem o único animal que cozinha, importa os seus cozinhados transmitirem júbilo desenfreado para além de satisfazerem a necessidade de nos alimentarmos. Essa é a causa primacial dos comeres de regozijo, seja nos dias nomeados, seja nos do monótono quotidiano, até porque o dia-a-dia não deve ser alienante monotonia.

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As cozinhas regionais presentes podem e devem concitar o interesse dos visitantes através das várias preparações dos produtos de origem animal e vegetal, concedendo-lhe sapidez elucidativa das diferenças gustativas imanentes a cada território expressas no rifão: cada roca com seu fuso, cada terra com seu uso.

O Festival de 2016 é consagrado ao mar e às delícias marítimas para lá da publicidade, por óbvias razões de proximidade os receituários originários do litoral encerram grande diversidade nos modos de preparar peixes, moluscos e crustáceos. Pensemos nas caldeiradas, nas massadas, nos caldos e nas sopas ricas (ou pobres) envolvendo os inúmeros e saborosos frutos do mar.

A exaltação do Mar não impede a pletórica apresentação de carnes debaixo do regime das várias cozeduras: cabritos, leitões, vacas, vitelas, aves de capoeira, caça e produtos defumados serão outras matérias-primas a levarem mulheres e homens ao cometimento do pecado da gula, em duplicado porque doces e lambiscos em profusão também são núcleo importante do Festival.

Os gourmets sempre à procura de novidades vão encontrá-las, todas as noites em espaço próprio chefes de várias formações, discípulos de criadores do talante de Adriá, vão exibir os seus dotes na companhia de pasteleiros, uns e outros ambiciosos no quererem ser expoentes da nona arte, a Gastronomia. Alguns esquecem-se, que não há boa gastronomia sem boa arte culinária.

A gastronomia nos cias de hoje é impante e imprescindível no quadro económico das regiões, muitas cidades, vilas e aldeias têm nos comeres e beberes o seu principal activo, por isso não se poupam a esforços no desejo de aumentarem a sua quota de mercado. E, por cá? Responda quem souber.

A Autarquia de Santarém está a responder. Acreditem.

Armando Fernandes

  1. Declaração de interesses: sou consultor da estrutura organizativa do Festival.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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