Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Terça-feira, Outubro 26, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“O dia seguinte às eleições autárquicas”, Helena Pinto

Passados 10 dias das eleições autárquicas será já tempo de fazer balanço e, sobretudo, tirar ilações sobre o futuro? Sei que muito já foi dito. Contas feitas, acertos de algumas, vencedores para vários gostos e perdedores também.

- Publicidade -

Será melhor fazer já a declaração de interesses no que a mim directamente diz respeito. O BE em Torres Novas teve uma derrota, um recuo significativo no número de votos e de eleitos. Foi uma decepção, esperávamos, no mínimo, manter a mesma votação e os mesmos eleitos, incluindo o lugar na vereação.

Mas, hoje, quero falar-vos sobre algumas questões que retenho do geral destas eleições e que julgo ser necessário aprofundar no futuro.

- Publicidade -

Ninguém pode dizer que teve uma fantástica vitória – a disputa entre PS e PSD revela isso mesmo, com sinais variados que devem ser lidos dentro do contexto concreto de cada município – veja-se o caso de Lisboa, em que a vitória cai no colo de Carlos Moedas, o caso de Almada, em que uma disputa entre CDU e PS volta a dar a vitória ao PS (e o BE resiste mantendo o lugar na vereação), o caso do Porto, em que Rui Moreira perde a maioria e outros resultados, mais perto de nós que colocam a extrema-direita na vereação de várias Câmaras, um sinal que deve merecer toda a atenção dos democratas e onde a expectativa é grande sobre o que vai fazer o PSD. Vai continuar a legitimar uma força radical ou, pelo contrário, vai afastar-se do caminho do ódio, da xenofobia, do racismo, do populismo manipulador?

No Médio Tejo, duas candidaturas independentes (Abrantes e Torres Novas), mexeram com o eleitorado. Voltarei a este assunto noutra ocasião.

No Médio Tejo o PS mantém a liderança da maioria dos municípios e terá um papel determinante na próxima CIMT – veremos o que fará.

Sinceramente, penso que é preciso iniciar um debate sobre o papel das autarquias e sobre a regionalização e como se vão conjugar estes dois patamares de governação no próximo futuro (lembro que existe a “promessa de avançar com a regionalização em 2024).

Assim como é tempo de encarar alguns assuntos que parecem tabus – como por exemplo a tão apregoada proximidade com o povo como característica destas eleições. Será mesmo assim? A “proximidade” equivale a este nível de abstenção? Se sim, é muito preocupante.

Qual o real peso da política nacional nestas eleições? Tirando os maiores concelhos, como é feita a campanha? Existe confronto de ideias? A população consegue fazer o escrutínio da política local? As obras de última hora têm influência directa na alteração de voto?

E, por último, algumas questões que, no meu ponto de vista estiveram ausentes da campanha eleitoral e que são determinantes para o próximo futuro – não se falou das consequências da pandemia, pouco se falou das alterações climáticas e de políticas públicas para inverter a perda demográfica e sobre ordenamento do território ainda menos. Até parece que não está à porta o prazo final para a revisão dos PDMs. Sobre corrupção ficou-se pela rama nos poucos casos em que o tema foi abordado.

Mas falou-se muito de “bazuca” e de “rios de dinheiro”. Mas importante é mesmo fazer o debate de como se vai aplicar esse dinheiro, sem municipalismos bacocos e com visão de futuro. E sobre isso, muito pouco.

Faço votos para que neste mandato quem recebeu tão significativo mandato do povo o saiba cumprir sem arrogância.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas no mandato de 2017 a 2021.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome