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“O culto da lembrança”, por Carlos Alves

Antes, deixem-me dizer-vos que estamos num tempo em que as grandes questões que a humanidade tem de enfrentar devem gerar um grande debate. As decisões que têm sido tomadas, em muitos casos, têm trazido erros justificados e glorificados. Apesar da quantidade de conhecimento e informação atualmente existente serem maiores que nunca, bem como a facilidade em aceder ao seu conteúdo, nada tem contribuído para a tomada de decisões mais acertadas.

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Existem circunstâncias frequentes, algumas novas hoje em dia, na vida das sociedades e dos indivíduos que devem ter em conta a verdade que se conhece em toda a sua amplitude. Temos que aceitar que a transformação do mundo é tão rápida, tão cheia de riscos, que deixa os cidadãos desorientados.

É esta a sociedade que temos! Perigosa, incoerente, contraditória quando se decompõe em sucessivas vivências fragmentárias e se intrinca em pensamentos obscuros e vácuos, que anulam a inspiração da ética, da convicção e da responsabilidade.

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Esta pequena introdução ilustra a situação em que se encontra a humanidade, hoje, a respeito da informação. Todavia, a importância da informação é fundamental para que se tenham melhores meios de saber em que dados se apoiam, as ações de cada um. Em primeiro lugar é preciso que a democracia seja o ponto de referência que se impõe a todos os outros. As únicas divergências a seu respeito incidem sobre a forma de a aplicar, e a aplicação do seu princípio democrático.

Não é fútil falar na “nossa” civilização dado que, na Humanidade, especialmente no momento que atravessamos, não a podemos considerar como sendo uma única. Muito mais do que isto, o que prevalece é a tendência para reivindicar a diversidade, a particularidade, a identidade cultural. Não sendo coisa má, parece que, apesar de todas estas proclamações, a preponderância do irracional e da intolerância nas civilizações que se manifestam descoladas da realidade universal, do mundo partilhado, afetam a saudável convivência entre mentalidades, religiões e convicções que propositadamente acicatam a fragmentação e a incompreensão reciproca e voluntária das culturas.

A conceção intelectual e moral do racionalismo herdado das Luzes, continua a ser pressuposta e subjacente em todo o mundo contemporâneo. Não podemos é ignorar a existência de outras partes do mundo. A maneira como encararmos o mundo, sem resistir, tentando não adulterá-lo é a fórmula que irá implantar no nosso espírito as explicações sistematizadas do real e de escolher os factos favoráveis às nossas convicções, com o respeito inequívoco de outras que evocam miríades de antagonismos e de diferenças. O nosso mundo é um todo, não evidentemente uniforme, mas cujas componentes atuam umas sobre as outras, através de uma panóplia de canais.

Compreender demasiado tarde é como não compreender, ou, em todo o caso, não a tempo para agir utilmente. A banalidade segundo a qual a arte de governar consiste em saber esperar, ou dar tempo ao tempo, não passa de maquilhagem de irresolução. No fundo se é para deixar as situações evoluírem sozinhas, para que serve ter dirigentes?

É por isso que o conhecimento e a consciência histórica da patologia dos anos trinta devem ser perpetuados, desenvolvidos, difundidos pela história e ensino, para permitir ao homem compreender-se melhor a si mesmo e desconfiar mais das suas próprias inclinações.

Ninguém duvide que o nazismo e o fascismo constituíram perversões políticas e morais de que a Europa se tornou culpada. Como sabemos, a democracia não é um sistema perfeito, mas é o único e melhor que nos serve. Por isso é necessário continuar vigilante e intransigente, a respeito de qualquer renascimento ou de qualquer sintoma de renascimento da extrema-direita ou extrema-esquerda antidemocrática.

É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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