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Domingo, Agosto 1, 2021

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“O conto de fadas dos concursos de pintura”, por Massimo Esposito

Era uma vez, num tempo longínquo, numa terra do interior dum pais a beira-mar plantado, uma Rainha que sentia que faltava algo para os seus cidadãos. Chamou então um dos seus príncipes e pediu-lhe para criar um concurso que deveria retratar as belezas do seu Reino. O Príncipe pediu então a um pequeno pintor que veio do estrangeiro para preparar os editais e enviá-los para os reinos das terras mais distantes.

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Qual foi a surpresa que logo no primeiro ano tantos artistas vieram ao Reino longínquo chamados pelas belezas da terra mas também pelo prémio dourado em causa.

O primeiro ano foi uma festa, um artista duma terra distante ganhou e os outros artistas fizeram festejo, almoçaram juntos e os sorrisos eram de todo o tamanho e prometeram voltar depois para repetir o desafio e a festa. E assim foi..mas….desta vez, veio também um soturno cavaleiro -artista , um novo, que vinha de outra terra de fidalgos, homens sérios e de grande orgulho e fama e um belo trabalho apresentou..mas na escolha das obras, a sua ficou atrás. Houve festa novamente e alegria em todo o reino. O cavaleiro- artista não se preocupou, pensou em vir bem apetrechado no próximo ano, com armas, escudeiros e donzelas ao seu dispor. E obra grande e linda ele produziu, até ele foi pô-la em primeiro plano para que todo os do reino pudessem admira-la e homenageá-la.

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Vieram os convidados da princesa para escolher a melhor obra para afixa-la na sala do Reino e fizeram a sua escolha. Todos os artistas no convénio sabiam que o que escolheriam seria o certo, visto ter aceitado de antemão submeter-se a esta prova admitindo os editais.

O caso disse que a linda obra do artista – cavaleiro não foi a escolhida. Oh meu Deus! Qual foi a patifaria deste júri do interior de não escolher a minha obra-prima? Como se permitem de encenar esta “farsa” e não premiar a mim, tão aclamado artista-cavaleiro com cavalo branco a frente da sua corte? Isto não pode ser, deve haver algo que me afasta das honrarias deste pequeno Reino do interior! Pensou ele…e logo os da corte começaram a murmurar, a dizer que este Reino não vale nada , que estas “pessoazinhas” nada prestavam . Não era como no grande Reino onde pertencem e onde tudo brilha e tudo corre lindamente e como eles querem. Não!  Deve haver guerra. Então, lançaremos os nossos dardos e flechas contra o príncipe, faremos reclamações oficiais e sobretudo aquele insignificante artista estrangeiro a que se permitiu de ultrajar a honra marialva de tal cotado artista, devemos arranjar um bode expiatório e ele é o melhor alvo, por isto…AO ATAQUE !

E assim foi, apesar de não ter feito parte nem da organização do concurso de pintura e nem do júri que foi escolhido pelo município e nada ter ganho, me ofenderam publicamente inutilmente. Sim!  Alguns “artistas” não conseguiram entender que as vezes, não se ganha e um mau perdedor é um homem pequeno.

Por estas razoes convido a todos os que vão concorrer a concursos (pintura, canto, musica, trabalho e até ao Euro) de aceitarem a decisão do júri ou…não participar. Ou, se entender reclamar a quem de direito, não “parolar” nas redes sociais sem conhecer os pormenores.

Mais uma coisa queria dizer, para o próximo ano farei parte do júri, bem-vindos aos artistas.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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