“O Clube Somos Todos PT”, por Hália Santos

Serviço público… serviço em nome das pessoas… de todas as pessoas… Arranjar forma de fazer com que aquilo que é de todos possa ter o melhor destino possível… Não é tarefa fácil. Porque ‘todos’ somos muitos e ‘fazer o melhor possível’ é sempre subjetivo.

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Que grande conversa! Andas a pensar alto? Mas o que te incomoda?

Na verdade, não me incomoda. Até concordo com a ideia de ter que se pagar no público o mesmo que se paga no privado, sobretudo em determinados setores, em que a concorrência é enorme e em que os salários nos privados subiram de forma quase incompreensível.

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Ah, já percebi! Achas bem que se pague a um gestor de um banco público o mesmo que se paga a um gestor de um banco privado?!?

Por acaso, até acho.

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Mas isso tem muito pouco a ver com as tua ideias…

Aparentemente, sim. É verdade, sou uma defensora de serviços públicos de qualidade, que sirvam todos, sobretudo quem não tem alternativa. Defendo uma escola pública de qualidade, defendo acesso efetivo a serviços de saúde públicos de qualidade.

E defendes um banco público com gestores pagos a peso de ouro? Então e os diretores das escolas e os diretores dos hospitais também não deviam ser pagos a peso de ouro?…

Ora aí está uma boa questão! Que é ligeiramente diferente da hipotética possibilidade de haver uma equipa de futebol pública. A ideia até é gira. Confesso que, quando a ouvi pela primeira vez, até concordei com ela. Uma hipotética equipa de futebol pública, se quisesse competir com as melhores, lutando pelos títulos, teria que ter jogadores com salários ao nível dos que têm os jogadores das outras equipas.

Espero que depois tenhas pensado que a comparação, apesar de ser lógica numa primeira leitura, rapidamente se desvanece pelo simples facto de se colocar o futebol ao nível da banca…

Sim, foi isso que pensei. Por outro lado, não faria qualquer sentido o Estado ter uma equipa de futebol. A não ser que surgisse uma ideia peregrina de dividir os eventuais lucros com todos os portugueses, numa espécie de bónus no final de cada campeonato. Podia ser que os adeptos descontentes com os seus clubes se associassem ao Clube Somos Todos PT e que um bom gestor, pago a peso de ouro, com um treinador e jogadores de topo – portanto, pagos como nos grandes clubes – não só dessem alegrias ao povo como lhes dessem um subsídio anual extra.

Bela ideia!

Não é nada! É uma parvoíce… Uma bela ideia era que o argumento usado para nivelar o ordenado dos gestores do banco público em função dos ordenados pagos na banca privada fosse alargado, por exemplo, aos diretores das escolas públicas. Porque, se é verdade que nenhum profissional com carreira de reconhecido mérito aceita gerir o banco público com um ordenado considerado baixo, apenas por amor e dedicação ao serviço público, também é verdade que existem centenas de professores que aceitam dirigir escolas apenas em defesa da causa pública. E sobre os ordenados destes nunca se fala…

Estás a ver? É por isso que não tenho tantas certezas! A quantos diretores de escola dava para pagar o ordenado do gestor do banco público?… É melhor nem fazermos as contas! Vamos mas é defender essa tua ideia do Clube Somos Todos PT para ver se ganhamos todos com este ‘upgrade’ da noção de serviço público!

 

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