Quinta-feira, Fevereiro 25, 2021
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A Escola Primária nas memórias coletivas de Constância (c/fotos e video)

Recuperar, preservar e divulgar o património material e imaterial do concelho de Constância foi o mote para uma jornada que uniu a história da educação e do ensino no município, a par da apresentação pública de pessoas e instituições que trabalham no dia-a-dia nos elementos ligados aos trajes, à música e à tradição oral, entre outros.

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ESCOLA1“Preservar, recuperar e divulgar estes testemunhos de vida é o que importa fazer, porque estes elementos históricos, de forma individual ou conjugados, é onde assenta a nossa identidade enquanto povo e enquanto concelho”, disse ao mediotejo.net a diretora da Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, Anabela Cardoso, no âmbito das cerimónias de abertura da comemoração do centenário da Escola Primária Mixta de Constância, cujo centenário foi assinalado no sábado, dia 21 de novembro, com a realização de diversas atividades.

LIVRO“O património material é muito importante mas o imaterial também, e às vezes fica um pouco esquecido e acaba por perder-se no tempo, pela força da lei da vida”, realçou Anabela Cardoso, Técnica Superior de História do município de Constância.

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ESCOLA2O edifício onde está hoje instalada a Biblioteca Municipal funcionou durante muitos anos (até 1985) como Escola Primária Mixta de Constância, tendo marcado gerações de alunos que ainda hoje guardam memórias e vivências daquele local de aprendizagem, e que assistiram à apresentação de um programa cultural que incluiu uma exposição de uma sala, de fotografias, e um colóquio e um documentário, entre outras.

ALUNOSCom o envolvimento da comunidade, foi possível recriar uma sala de aula do período do Estado Novo, recorrendo à exposição de antigos manuais, mobiliário, material escolar, fotografias, objetos religiosos, exames, provas escritas, e outros, que foram cedidos com o objetivo de recordar aos mais novos a escola de antigamente e acima de tudo mostrar que este património não deve ser esquecido, mas transmitido e divulgado.

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O colóquio abordou “O Centenário da Escola Primária Mixta de Constância – O Património Cultural Imaterial do concelho” e teve como oradores Ana Maria Paiva Morão, investigadora do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, Custódio Rodrigues, do Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique, Manuel Brás, do Grupo de Cantares da Casa do Povo de Montalvo, Andreia Coelho, da Associação Popular e Social de Constância, e Maria Cecília Correia, que, com os seus 85 anos de vida, mostrou um pouco da tradição oral tradicional de Montalvo com cantigas de outros tempos (de desafio e de humor).

“É nesse sentido que trabalhamos todos os dias e ao longo de todo o ano, no pesquisar, preservar e divulgar a história das nossas gentes e das várias gerações que nos antecederam”, disse ao mediotejo.net Custódio Rodrigues, diretor técnico do Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique.

RANCHO“O folclore é um meio de preservar e divulgar usos e costumes como sendo elementos que caracterizam a identidade cultural do nosso povo”, destacou.

Presente na festa do centenário da Escola Primária Mixta de Constância esteve também Maria Cecília Correia, de 85 anos, “nascida, casada e batizada” em Montalvo.

Da Escola pouco usufruiu porque, como nos contou, para além de saber escrever “o nome e pouco mais”, naquele tempo “ia-se para o trabalho do campo muito jovens e quando ainda era noite cerrada”.

MARIA“Às 3 e 4 da manhã já íamos para o campo e eu ia sempre a cantar. Sozinha ou ao desafio. Era a alegria da gente”, recordou, tendo encantado a tarde cultural de Constância com algumas das suas “canções de trabalho” e ainda com a memória bem fresca dos “bons tempos” de infância.

O segundo painel do colóquio contou com as intervenções de Anabela Cardoso que falou sobre o tema “De Escola a Biblioteca, as Memórias de uma Comunidade”, e alunos do Agrupamento de Escolas de Constância explorararam o tema “A recolha de memórias e a descoberta do património”, sendo que no final da sessão foi exibido o documentário “Memórias da Minha Escola…”, elaborado por Cátia Freire, estagiária na Câmara Municipal de Constância.

Durante este colóquio, os participantes poderão ficar a conhecer o trabalho que algumas associações do concelho têm vindo a desenvolver nesta área do património que é importante para a afirmação da identidade do concelho.

Presente na cerimónia festiva, Júlia Amorim, presidente da autarquia, não prometeu sonhos de outro mundo para a preservação do património, tendo lembrado ao mediotejo.net a “escassez de meios financeiros” para outros voos.

No entanto, a autarca destacou que, “com os meios técnicos do município, foi possível realizar este trabalho de recuperação da memória e colocar os resultados obtidos com a recolha à disposição da população”.

GLOBAL“Um povo sem identidade e sem memória coletiva não se pode afirmar na sua diversidade” afirmou, tendo manifestado a sua satisfação pelo resultado obtido.

A Exposição: Memórias da minha escola”… em que está recriada uma sala de aula do período do Estado Novo, estará patente ao público durante os dias úteis das 9:30 às 18:00, na sala polivalente da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, até ao dia 29 de janeiro de 2016.

No âmbito da XXX Feira do Livro, iniciativa que começa na segunda-feira promovida pelo município de Constância através da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, irá decorrer no dia 27 de novembro, sexta-feira, no cineteatro municipal, às 11:30, o Colóquio Defender a Paz – Questão Central da Atualidade, apresentado por ª Ilda Figueiredo, presidente da Direção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

AUDIO: Maria Cecília Correia mostrou um pouco da tradição oral tradicional de Montalvo com cantigas de outros tempos (de desafio e de humor).

*O video que aqui reproduzimos é um excerto de um documentário “Memórias da Minha Escola…”, elaborado por Cátia Freire, estagiária na Câmara Municipal de Constância no âmbito do programa PEPAL.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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