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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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“O calor fora de época e esta estranha democracia”, por Hália Santos

Este calor fora de época anda a deixar-me um pouco baralhada…

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Como assim? Não te sabe bem?

Sabe bem, mas chega uma altura em que precisamos de mudança. Parece que os nossos organismos estão preparados para mudar ciclicamente e o arrastar destas temperaturas altas confunde-me. A mim e ao resto das pessoas. É como se ficássemos zonzos, desnorteados, perdidos.

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Cá pela minha parte, parece-me preferível aceitar esta dádiva da Natureza. Voltar ao trabalho com sol e calor ajuda a manter uma certa boa disposição. Não te esqueças que o frio e os dias curtos estão associados a depressões.

Foge! Depressões é que não… A vida já é demasiado complicada no nosso dia a dia. Se ainda colocamos mais obstáculos corremos o risco de andar sempre a tropeçar. A estratégia é encontrar razões para ver o lado positivo das coisas.

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Isso é muito bonito de se dizer, mas, que eu saiba, ninguém se deprime porque quer… Assim, como nem toda a gente consegue ter essa atitude tão positiva perante a vida.

Pois não, mas não temos grandes alternativas. Ou fazemos um esforço ou começamos a entrar um rodopio de coisas más e de lá não conseguimos sair. Mudar é fundamental em determinadas fases da nossa vida. Não é fácil, mas às vezes é preciso. Mudar de atitude, mudar de hábitos, mudar de companhias, mudar até de vida se preciso for. O comodismo com que vivemos boa parte da nossa vida é que acaba por nos matar lentamente. Às vezes é preciso ter coragem para mudar.

Há para aí muita gente a mudar de vida… Passos Coelho vai sair e garante que não vai andar a rondar. Ainda vai a tempo de fazer umas férias com bom tempo para se inspirar para a sua nova vida! E Isaltino Morais está farto de fazer mudanças na sua vida: de vida de luxo para vida de ‘privações’ na cadeia, de popular para desgraçado para ressuscitado, de amado para odiado e novamente amado. Este é que é mesmo o especialista das mudanças. Até podia fazer uns tutorais no youtube a explicar como se lida com tanta mudança…

Se levamos a conversa para a política, é bom lembrar que são as mudanças – sejam as vitórias ou as derrotas – é que fazem tudo isto avançar.

O problema é que as mudanças que fazemos na nossa vida têm sempre consequências, que quase sempre nos afetam a nós e aos outros.

Por isso é que devemos pensar bem em tudo o que fazemos. A consciência talvez seja o melhor que tem o ser humano. Sobretudo a consciência de que há decisões irreversíveis. Gostava muito de saber como teria sido a minha vida se eu tivesse tomado outras opções…

Eu cá gostaria muito mais de saber o que vai acontecer a Oeiras e aos outros municípios que tiveram resultados que nos surpreendem. Aquela coisa de dizer que ‘foi a vontade do povo’ é um pouco assustadora, mas a democracia é mesmo assim, tão surpreendente quanto o bom tempo fora de época.

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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