ABRANTES: Treinador Nuno Gomes “voa” para aventura chinesa

Tem apenas 34 anos, é licenciado em motricidade e professor de educação física. Treinador de futebol por hobby e paixão à modalidade. Já foi várias vezes noticia, por êxitos desportivos, muitos, ou por resultados menos conseguidos, por saídas e entradas de clubes. Abraçou em Setembro, a nível profissional, um novo projeto e aceitou embarcar numa nova aventura. E que aventura!

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Nuno Gomes vai para a China integrar a Winning League Figo Football Academy. Sob Direção Técnica de Rolão Preto, Nuno Gomes será um dos portugueses que farão parte do quadro de formadores/treinadores da academia de futebol de Luis Figo naquele pais asiático.

Ao ter conhecimento do projeto, foi um dos muitos que enviaram o seu currículo para a Academia, mas foi um dos quatro considerados válidos ao nível das competências e exigências do organismo. Realce para o facto dos outros elementos do corpo técnico da academia serem treinadores que já estiveram ligados à formação de Benfica, Sporting, Belenenses, entre outros clubes de renome do futebol português.

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Nuno Gomes começou por explicar o que está na base do projeto e o porquê da sua escolha. “A Winning League Figo Football Academy, é um projeto comum entre o Governo da República Chinesa e a Academia presidida pelo ex-internacional português, que deu o seu pontapé de saída em Xangai e Pequim e que visa o desenvolvimento do futebol de formação na China. Como o governo chinês até 2020 quer ser uma das potências do futebol mundial, pediu ajuda ao Luís Figo para que este dinamizasse o futebol de formação naquele país, alargando-o a mais três cidades, ao mesmo tempo que o governo introduziu o futebol como disciplina obrigatória nas escolas. Neste momento o futebol de formação na China está no nível zero, não tem competição, não tem expressão. Com o alargamento para estas novas cidades, eram necessários mais profissionais ao nível do treino de futebol e é ai que surge o meu recrutamento”, explicou.

“Pelo que me foi apresentado, irei integrar o corpo técnico de uma das novas academias, que irá funcionar em horário pós-escolar de terça a sexta-feira, com crianças e jovens dos 3 aos 16 anos, numa primeira fase com treinos de integração e aprendizagem. Posteriormente e em função do desenvolvimento dos atletas, poderão existir convívios desportivos, um pouco à imagem dos torneios que em Portugal se fazem com as escolinhas. Daqui a um ano e após avaliação do desenvolvimento da Academia da cidade, esta poderá integrar uma liga que está ser criada, que será a competição oficial da China adaptada, logicamente, a cada escalão etário. Poderá acontecer também, ser integrado numa das duas academias já em funcionamento, pois esta altura do ano é a época em que se avaliam adaptações, resultados, objectivos, em que se renovam contractos e poderá acontecer que não haja renovação com alguém ou que esse alguém não se tenha adaptado e então será necessário alguém para o substituir, mas é coisa que não queria que se verificasse, pois queria começar do zero, um trabalho de base e não dar continuidade a trabalho de outros”, explicou o treinador abrantino.

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Sobre o que o levou a avançar para esta aventura asiática, Nuno Gomes não tem duvidas, “Por ser casado e ter um filho pequeno deram-me uma semana para decidir se queria aceitar, mas em dois dias a decisão foi tomada. Pelo projecto e pelas portas que se podem abrir a nível profissional com tudo o que envolve esta experiência, independentemente da forma como correr, também o ter no currículo que se foi formador/treinador numa academia com o nome Luís Figo, serei dos poucos a tê-lo. Consolidar o inglês, aprender o mandarim, contactar com novas culturas, trabalhar com pessoas de um outro patamar ao nível do futebol, poderão ser factores que num futuro poderão influenciar a minha vida profissional. Claro que, e não estaria a ser verdadeiro se dissesse o contrário, a vertente financeira também pesou, pois as contrapartidas que me oferecem são bem melhores que as que tenho actualmente em Portugal, não tenho nada a perder, só tenho a ganhar”, referiu o ex-treinador da União Desportiva Abrantina.

Nuno Gomes aponta como contras desta nova fase profissional dois fatores, a distância para a família e a comida. “Estar longe da minha esposa e do meu filho vai ser o que mais me vai custar, mas vamos tentar minimizar as saudades com as novas tecnologias. Neste primeiro ano vamos avaliar como as coisas correm, tanto em adaptação como na obtenção dos objectivos do projeto, e se for para continuar, existe a possibilidade deles irem para junto de mim, vou ter casa paga, o meu filho ainda é pequeno terá menos dificuldade na adaptação e a minha esposa com as competências que tem também não terá dificuldades em conseguir trabalho na área e em adaptar-se, mas isto pensaremos para o ano. Ao nível da língua, julgo que também não terei grande dificuldade, pois terei um tradutor de inglês-mandarim sempre comigo e tentarei o mais breve possível aprender o básico do mandarim e ir aperfeiçoando-o, lá está, não só para este projeto mas também como perspetiva futura. A comida é que poderá ser o mais difícil e que me assusta mais, a comida lá é à base de animais e “todas aquelas misturas”. Nós aqui estamos habituados à dieta mediterrânea com alho, azeite, cebola… e lá não há nada disso”.

Por fim o MedioTejo.net, pediu a Nuno Gomes que falasse do projecto que deixa, mas que ajudou a criar do zero e que mais recentemente ajudou a reerguer, a União Desportiva Abrantina. Conseguiu um título de campeão distrital, dois títulos de campeão de série, duas subidas de divisão e uma manutenção. Nuno Gomes diz que é o sair como qualquer um desejava. “Saio com o dever cumprido, de consciência tranquila e a bem com toda as pessoas e deixando uma porta aberta. No futebol deverão ser poucos os que se podem orgulhar de poder dizer isto na altura da saída. Acho que já fiz um pouco pela minha cidade de Abrantes e sinto-me orgulhoso disso. Mas vou com um aperto no peito. Por deixar a minha família, em especial a minha mãe, a minha esposa e o meu filho, mas também porque quando saímos das nossas raízes nunca é fácil”, disse, emocionado.

Nuno Gomes termina afirmando: “Mais que um português na China, sentir-me-ei orgulhosamente um abrantino na China.”

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