Novo Lagar municipal de Vila de Rei gera guerra de comunicados entre PSD e PS

A destilaria vai ser implementada no edifício do Lagar de Vila de Rei Foto: CMVila de Rei

O novo lagar municipal de Vila de Rei, em laboração desde o final de outubro após um investimento da Câmara Municipal na ordem dos 500 mil euros (financiado em 35% por fundos comunitários) está a gerar uma acesa guerra de comunicados entre o PSD, partido que gere o município, e o PS, partido minoritário na oposição.

“Lagar de Vila de Rei, o sucesso que incomoda” – PSD

Com o título “Lagar de Vila de Rei, o sucesso que incomoda”, o PSD de Vila de Rei foi o primeiro a lançar o ataque político tendo afirmado que o Lagar de Vila de Rei “é hoje uma realidade, tornando-se em pouco mais de uma semana após o inicio do seu funcionamento numa infraestrutura estruturante no apoio aos produtores de azeitona do concelho”.

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No documento, pode ainda ler-se que, “neste sentido, e face à inexistente iniciativa privada, entendeu o executivo municipal, com a oposição clara do partido socialista de Vila de Rei, em avançar com esta unidade, que constava no seu programa eleitoral, a qual merece por parte do PSD de Vila de Rei todo o seu apoio, assim como, o enaltecimento merecido pela coragem demonstrada em ir ao encontro das necessidades dos vilarregenses”.

“Com efeito”, continua, “não existia no concelho qualquer Lagar que permitisse a transformação de azeitona, registando-se um abandono das áreas cultivadas, em função da distância necessária para a sua transformação, até aqui, em concelhos vizinhos. Assim sendo, procedeu e bem, o executivo municipal (maioria PSD), em dotar o concelho desta unidade que tanta falta fazia, mesmo contando com a oposição a esta medida por parte do partido socialista de Vila de Rei”.

No comunicado, enviado ao mediotejo.net pela JSD local, pode ainda ler-se que, relativamente a esta matéria, “o partido socialista em reunião extraordinária do executivo municipal, de 5 de dezembro de 2014, na sua declaração de voto vencido diz: “O município de Vila de Rei não deve passar a assegurar a programação da produção, a adaptação à procura, a colocação no mercado nem tão pouco regular os custos de produção, correndo o risco de criar um monopólio empresarial municipal no setor produtivo agrícola e florestal. Por outro lado, a natureza dos investimentos em infraestruturas aqui enunciadas podem levar ao desequilíbrio das contas públicas sem que nenhum ganho tenha relevância suficiente”.

Em conclusão, o PSD entende que, “da leitura da presente declaração é possível retirar que para o partido socialista de Vila de Rei, a melhoria das condições de acesso dos vilarregenses a unidades de transformação, que lhes facilitem a vida, não constitui relevância suficiente. Relativamente ao desequilíbrio financeiro das contas do município, não é minimamente coerente deste partido acusar o PSD de não fazer obra, de não construir, e quando o executivo o faz, numa infraestrutura que vai melhorar muito a vida de todos os produtores Vilarregenses, são contra”.

“Perante o exposto não compreendemos como alguns responsáveis do partido socialista vêm para a praça pública evocar que a ideia da construção do Lagar teria sido sua, por constar no programa eleitoral que estavam na disposição de oferecer um projeto para a futura construção de um lagar”, conclui o comunicado da JSD, lembrando ainda que, “se hoje temos um Lagar, ao executivo municipal, pela ação dos membros do PSD o devemos. Porque mais do que ficar à espera que alguém tivesse a coragem de construir um Lagar, tivemos a coragem de o realizar. De o colocar ao dispor da população. Vila de Rei esperou demasiados anos por esta unidade, e estamos certos que o sucesso que registamos durante esta semana irá perdurar”, afirmam.

Na sessão de inauguração, o presidente da autarquia, Ricardo Aires, disse ao mediotejo.net que o investimento efetuado “permite evitar que os produtores e munícipes tenham que deslocar-se aos concelhos vizinhos, sobretudo Ferreira do Zêzere, Mação, Sertã, Abrantes ou Sardoal, com os custos acrescidos dessas deslocações”.

“A olivicultura é, paralelamente com a recuperação da fileira florestal, com os seus respetivos usos múltiplos, a prioridade que temos definida como estratégica para o futuro próximo”, destacou Ricardo Aires, tendo feito notar que o objetivo do município é “disponibilizar uma estrutura que permita satisfazer as necessidades dos produtores do concelho, mais do que agregar produtores, embora numa segunda fase se pretenda a constituição de uma cooperativa, com o objetivo de escoamento dos produtos”.

PS de Vila de Rei põe em causa a pertinência do investimento e o sucesso do Lagar

“A posição do Partido Socialista de Vila de Rei para com este investimento municipal sempre foi avaliá-lo em que condições ele é sustentado e à custa de quê”, comelou por sizer ao mediotejo.net o vereador do Partido Socialista, Miguel Jerónimo.

Em nora enviada à nossa redação, o vereador do PS refere que, “para se ter uma noção da escala do mesmo quando estiver finalizado, está-se a falar de uma fatia de equivalente a 10% do orçamento anual do ano de 2016 do município de Vila de Rei, não contando com os futuros e não quantificados custos de manutenção desta obra”.

“Para um concelho que se insere na região mais envelhecida da Europa, com uma agricultura predominantemente familiar e de subsistência, em que as condições edafoclimáticas não são favoráveis para a produção de azeite e onde a população jovem ao longo da última década se direcionou para a ação social, o PS de Vila de Rei põe em causa a pertinência e sucesso do mesmo”, esclarece.

Segundo continua o eleito socialista, “por estas razões, o PSD ainda vive claramente num passado em que é preciso “mostrar obra” independentemente da sua viabilidade apenas para perpetuar a sua posição no poder. Aconselhamos ao PSD a uma maior prudência e contenção antes de embandeirarem um investimento que está em funcionamento apenas há uma semana”.

“Para o Partido Socialista”, continuou, “este é um caso claro em que se começa a “construção da casa pelo telhado”, tendo afirmado que “o PS de Vila de Rei sempre defendeu que para uma política criadora de trabalho na agricultura e na floresta no concelho é preciso em primeiríssimo lugar uma aposta forte na formação e no apoio técnico e numa política de incentivos à produção”.

“Só assim é possível criar valor acrescentado num setor à muito esquecido pelos sucessivos executivos do PSD em Vila de Rei e em última instância tornar sustentáveis a longo prazo investimentos desta natureza. Basta olhar para a Albergaria D. Dinis Hotel, também ela um investimento municipal, que no último ano já vai na terceira gerência”, apontou.

Miguel Jerónimo disse ainda que, por outro lado, “para um partido como o PSD de Vila de Rei que, por um lado, sempre esteve na fila da frente a combater todo investimento público feito por governos socialistas e que por outro sempre defendeu a política liberal e o favorecimento da iniciativa privada do governo de coligação PSD-CDS dos últimos quatro anos, parece aqui querer fazer uma quadratura do círculo da demagogia política e desonestidade ideológica”.

“A posição do Partido Socialista de Vila de Rei para com este investimento municipal sempre foi avaliá-lo em que condições ele é sustentado e à custa de quê”, conclui o vereador do PS, em resposta ao comunicado do partido que sustenta a maioria e a governança municipal em Vila de Rei.

 

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