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“Novo campeão”, Vasco Damas

Por princípio não gosto de escrever sobre futebol. É uma paixão que pode colidir com as mesmas paixões de outras pessoas e, devido a esse facto, normalmente cai-se, rápida e facilmente numa irracionalidade que retira lucidez e urbanidade.

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No entanto, apesar de estar consciente dos riscos associados, porque este espaço de opinião também tem como objetivo ajudar a refletir e provocar reações, “salto” para fora da minha zona de conforto e abro a tampa de uma caixa que, espero, não replique o episódio de Pandora.

Desde sábado que há em Portugal um novo campeão de futebol. Termina assim um ciclo de 4 anos que não conseguiu manter a qualidade, a competência e a organização para dar continuidade às conquistas recentes.

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Enquanto adepto apaixonado deste desporto, não posso deixar de me regozijar pela transparência desta vitória. Contrariando a tendência dos últimos anos, esta foi a vitória da competência, do trabalho, da liderança e da vontade. E vitórias assim só podem credibilizar um desporto que gera paixões tão exacerbadas.

Esta é de facto a vitória mais consensual dos últimos anos. Assumida pelos vencedores, aceite pelos vencidos. Mesmo que nos possamos confundir, parecendo ver vencidos do lado dos vencedores.

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Não me refiro obviamente aos verdadeiros adeptos, àqueles que o são do desporto e não apenas dos seus clubes. Refiro-me aos outros, àqueles adeptos que normalmente, antes de serem do seu clube são contra o clube rival.

Voltando ao campeão, foi de facto a vitória do trabalho, da competência e da liderança tendo havido a capacidade para reunir o que não se tinha e assim conseguir fazer “omeletes sem ovos”.

Foi também a derrota dos outros. Daqueles que de forma arrogante, menosprezaram os adversários, acreditando que, mesmo delapidando ativos, o sucesso passado garantia as vitórias futuras. E também daqueles que, na minha opinião, tinham as melhores condições para voltar à glória que teima em fugir há demasiado tempo, mas, repetindo erros passados, não conseguiram gerir na sua estrutura o equilíbrio entre egos insuflados e cultos de personalidade demasiado vincados.

Entre factos e ironias que são de facto factos, cai o pano sobre mais uma temporada de futebol em Portugal. Glória aos vencedores, honra aos vencidos. Os verdadeiros adeptos percebem-me. Porque há vida para lá das derrotas mas, acima de tudo, tem que haver honra antes das vitórias.

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Vasco Damas
É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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