“Novo Banco: quem mentiu foi António Costa, não foi Centeno”, por Duarte Marques

Foto: DR

Esta semana ficou marcada por mais um episódio que revela bem a forma de atuar do Governo. O Primeiro-Ministro foi desmascarado em pleno Parlamento a propósito de nova injeção de capital contingente no Novo Banco sem que houvesse uma auditoria e quem parece pagar a fava é o Ministro das Finanças e os portugueses.  Se António Costa se apressou a pedir desculpa por não o terem informado devidamente, Centeno foi ao Parlamento lembrar que esses 850 milhões de euros tinham sido aprovados pelo Conselho de Ministros. Afinal, António Costa mentiu em pleno Parlamento pois presidiu a essa mesma reunião.

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O episódio seguinte é ainda mais grave. Depois de descoberta a careca de Costa, o Ministro das Finanças é chamado a São Bento para levar um puxão de orelhas e assinar um comunicado em que confessa que o PM não foi informado a tempo, como se nós não soubéssemos já que essa matéria tinha passado pela reunião do Conselho de Ministros que ocorrera dias antes.

Recordo ainda que dias antes o Governo tinha feito saber publicamente que se opunha ao pagamento de prémios aos gestores do Novo Banco e que por essa razão descontaria esse montante ao valor a transferir. Ora, souberam fazer este spin político, mas não sabiam da transferência? Alguém acredita que um Primeiro-Ministro não saiba de uma transferência deste montante? Estão a gozar connosco.

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Agora é o momento de alguns questionarem a razão desta transferência. Não tem nada a ver com a decisão da Resolução ou sequer da troika. Trata-se sim de um compromisso assumido pelo Governo (já de António Costa e da Geringonça) e pelo Fundo de resolução com a empresa que comprou o Novo Banco. A Lone Star aceitou pagar um valor superior ao esperado, mas tendo a garantia que podiam pedir ajuda ao Estado até 3.8 mil milhões de euros.

Ou seja, para garantir um “festim” na venda, comprometeram o dinheiro dos contribuintes para o futuro. Típico socialista. O mais grave é que ao que parece estas necessidades de capital nem são devidamente auditadas, ou seja, o contrato do Estado com o Novo Banco, feito por Centeno, praticamente incentiva o Novo Banco a pedir este capital contingente.

Na polémica desta semana fica a sensação que Centeno se limitou a cumprir o contrato leonino que ele próprio assinou e que António Costa apenas tentou sacudir a água do capote mentido aos portugueses e fazendo de conta que de nada sabia.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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