Nova ponte em Constância resolveria também problemas de Abrantes e Chamusca – Autarca (C/ÁUDIO)

O presidente da Câmara de Constância entende que uma nova ponte sobre o Tejo pode resolver o problema de três municípios (Constância, Abrantes e Chamusca) tendo Sérgio Oliveira (PS) defendido que a mesma deve ser construída entre a estação ferroviária de Santa Margarida da Coutada e a Ribeira de Alcolobre, na margem sul, e o nó da A23 à saída de Constância no sentido de Montalvo ou no nó da A23 a seguir à fábrica da Tupperware, na margem norte.

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O Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, apresentado na quinta-feira pelo governo, prevê a construção de uma ligação rodoviária da A23 ao IC9 e IC13, incluindo uma nova ponte sobre Rio Tejo, a ligar as duas margens algures entre Constância e Abrantes. Já a conclusão do IC3, que previa uma travessia entre Chamusca e Golegã, não surge no PNI.

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O projeto inscrito em Plano Rodoviário Nacional prevê a nova travessia sobre o Tejo entre Abrançalha (Rio de Moinhos) e Tramagal, ambas localidades do concelho de Abrantes mas, com as necessidades da melhoria de acessibilidades em três áreas geograficamente próximas, a localização exata de uma novo ponte, a ser construída, ainda não é consensual entre os autarcas.

“Se a futura ponte sobre o Tejo ficar na zona de fronteira entre os dois municípios [Constância e Abrantes] esse será o local que melhor serve os interesses da região”, defende o presidente da CM Constância, Sérgio Oliveira. Foto: CMC
O mediotejo.net entrevistou o autarca de Constância a propósito do anúncio da inclusão pelo governo no PNI de uma ligação rodoviária da A23 ao IC9 e IC13, incluindo uma nova ponte sobre o Rio Tejo, a ligar as duas margens algures entre Constância e Abrantes.

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Sérgio Oliveira – Acho que é um bom pontapé de partida, no sentido de se fazer uma nova travessia sobre o Tejo entre Constância e Abrantes. Nesta fase ninguém sabe – ou pelo menos eu não sei – qual será a localização da ponte. Constância mantém a posição que sempre teve, defendemos que uma ponte que sirva os interesses da região e do país deve-se localizar na extrema dos dois concelhos.

É uma infraestrutura importante para ligar o Alto Alentejo a esta região mas é evidente que isto é apenas um plano nacional de investimentos e esta construção já constou de muitos planos e de muitos programas. Sobre a ponte de Constância tenho uma pasta na câmara onde guardo a documentação dos últimos anos, com muitas intenções e promessas de vários ministros e secretários de Estado, portanto teremos de ver. É um sinal positivo estar inscrito neste PNI mas mais do que essa intenção no papel queremos ver essa travessia ser executada.

Qual a diferença entre a travessia partir de Abrançalha, no concelho de Abrantes, ou de uma zona já no concelho de Constância, como Montalvo?

A diferença é toda e não é preciso nenhum engenheiro para explicar isto. Com todo o respeito pelo meu colega Manuel Valamatos, o principal problema que Abrantes tem está no Tramagal, é a questão da Mitsubishi. É um problema efetivamente da região e Constância também tem muitos cidadãos que trabalham na Mitsubishi. Mas nós em Constância temos o problema de uma ponte onde não passam pesados e onde o trânsito só se faz de forma alternada; além disso temos a celulose do Caima, que é também uma empresa importante e que necessita de uma travessia nas proximidades e acresce a isto que há as necessidades da Chamusca e estando o EcoParque do Relvão muito próximo do concelho de Constância – da atual ponte sobre o Tejo a Constância está a 12-13 km –, poderia ser uma solução para estes problemas, com uma ligação direta à A23 [caso a ponte da Chamusca não possa ser realizada]. Acho que há aqui muito caminho para trilhar e há caminho para haver um entendimento sobre a localização da ponte. Não será por Constância que não haverá esse entendimento, o que Constância não deixará de defender é aquilo que acha que é o mais justo e o que é mais equilibrado para resolver o conjunto de problemas desta região. É uma região grande e Constância está no meio destes concelhos.

Eu defendo que a ponte no lado Sul deveria nascer junto à estação ferroviária de Santa Margarida, e no lado norte deveria ser no nó que já existe, e que já fica no concelho de Abrantes, a seguir à fábrica da Tupperware. É óbvio que isto tem de obedecer a estudos técnicos e há níveis de decisão que não são políticos, mas acho que é uma infraestrutura que serviria toda a região e contribuiria para o seu desenvolvimento. E nós por vezes vemos obras que são feitas – e temos vários exemplos – nem sempre com base naquilo que é estruturante para os territórios e para as regiões e depois vêm a verificar que tinham os problemas e que os problemas continuam”, concluiu.

“Uma nova travessia sobre o rio Tejo seria fulcral e determinante para a coesão territorial desta região” (foto: mediotejo.net)

O Programa Nacional de Investimentos 2030, apresentado na quinta-feira pelo governo, prevê a construção de uma ligação rodoviária da A23 ao IC9 e IC13, incluindo uma nova ponte sobre Rio Tejo, entre Constância e Abrantes.

O documento, a que o mediotejo.net teve acesso, não especifica se a localização será em Tramagal, como os estudos prévios realizados preconizam, ou se poderá ser em Constância, que há muito reivindica também uma nova passagem sobre o rio, dadas as limitações da ponte de sentido único que ali existe.

O Plano Nacional de Investimentos 2030 prevê também uma verba para “melhoria das acessibilidades na região do Médio Tejo”.

O mediotejo.net está a realizar contactos para apurar mais pormenores sobre esta obra pública, estrutural para a região, e que, tal como publicámos na revista PONTO, em agosto passado, vem sendo reivindicada pelas autarquias há várias décadas.

Nos 230 quilómetros de percurso do rio Tejo em Portugal existem atualmente 16 pontes ferroviárias e rodoviárias, e a 17ª travessia é reclamada por Abrantes há cerca de 30 anos. Essa nova travessia está projetada no troço final do Itinerário Complementar 9 (IC9), que ligará a A23 a Ponte de Sor (e ao IC13, até Portalegre), com uma passagem sobre o rio entre Abrançalha e Tramagal.

A primeira ponte rodoviária construída sobre o Tejo foi precisamente a de Abrantes, inaugurada há 150 anos, a 15 de maio de 1870. Todas as travessias na região têm neste momento mais de um século e sofrem diariamente constrangimentos de circulação, o que coloca dificuldades acrescidas às empresas exportadoras que aqui se fixaram, como a Caima, em Constância, e a Mitsubishi Fuso, no Tramagal.

Aliás, a construtura automóvel estabeleceu-se nas antigas instalações da Berliet/Metalúrgica Duarte Ferreira, no concelho de Abrantes, com a promessa do então ministro Ferreira do Amaral (no governo de Cavaco Silva) de que a ponte seria ali construída até final da década de 90. Esta fábrica, hoje propriedade da Daimler-Mercedes, é a única a produzir estes camiões no espaço europeu, e o apelo de ter vias de acesso rápidas quer aos portos marítimos como a Espanha esfumou-se ainda mais com a introdução de portagens na A23.

A ponte já teve luz verde há 20 anos, com um despacho conjunto dos ministérios das Finanças e das Obras Púbicas, publicado em Diário da República, mas acabou por não avançar.

O troço projetado do IC9 prevê a ligação entre a A23, em Abrantes, e a EN 118, em Ponte de Sor, num total de 34 km, com perfil de auto-estrada e quatro faixas de rodagem, com duas em cada sentido. Essa nova ponte sobre o Tejo, entre Abrantes e a zona industrial do Tramagal, terá 475 metros de extensão, de acordo com o estudo prévio, e custaria cerca de 17 milhões de euros, segundo avaliação à data.

O IC9, inscrito no Plano Rodoviário Nacional desde 2000, desenvolve-se entre a Nazaré e Ponte de Sor, passando por Alcobaça, Batalha, Fátima, Ourém, Tomar e Abrantes, e fazendo a ligação com o futuro IC13, outra obra estrutural adiada há vários anos, para melhorar as acessibilidades do Alto Alentejo.

Uma outra ponte tem sido também reclamada pelas autarquias de Constância/Vila Nova da Barquinha, pois a estrutura ali existente só permite circulação num sentido de cada vez e continua muito fragilizada, estando frequentemente fechada ao trânsito de pesados, apesar de todas as obras ali realizadas.

Há ainda a Chamusca, que vê a sua velha estrutura metálica ser atravessada diariamente por cerca de mil camiões, sendo metade deles viaturas pesadas de transporte de resíduos, a caminho da Resitejo e do Eco-Parque do Relvão. A autarquia aceitou que ali fossem integrados estes CIRVER – Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos, com a contrapartida de ser concluída a ligação do Itinerário Complementar 3 à Auto-estrada 13, entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha – o que não foi cumprido.

Segundo a documentação técnica a que tivemos acesso, a ponte sobre a Chamusca não está incluída neste Plano de Investimentos 2030.

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Mário Rui Fonseca
A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

1 COMENTÁRIO

  1. Não queiram agora reescrever a história. Isso é que era bom. Os estudos definem bem o local da ponte, que entronca com o nó junto a Abrançalha, passando o rio em direção a Tramagal/junto à reta da pinheira.

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