Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Trincanela

Domingo, Julho 25, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Noite de emoções, solidariedade e gratidão: cineteatro de Abrantes cheio por Leonor (c/fotos)

Ao fim de cinco meses de trabalho, esforço e empenho pela pequena Leonor, o Cineteatro S. Pedro, em Abrantes, teve casa cheia num espetáculo recheado de emoção, e acima de tudo, de esperança. Uma noite onde as vozes se uniram por um único motivo: acreditar. Acreditar na recuperação da criança de 5 anos diagnosticada com doença grave e que luta, todos os dias, pela vida. Para a organização, na pessoa de Cláudia Olhicas, o balanço foi extremamente positivo: “É gratificante perceber que as pessoas dos concelhos de Mação e Abrantes, e não só, têm corações capazes desta maravilha, porque tivemos casa cheia.”

- Publicidade -

Cerca de 450 pessoas juntaram-se no cineteatro, sempre iluminados pela fotografia da Princesa Leonor, em grande plano, ao longo de todo o espetáculo. A fazer a abertura do evento, outra pequena Leonor veio brindar os presentes com um poema da sua autoria, uma participação voluntária da aluna do Agrupamento de Escolas de Mação, com uma mensagem de força, coragem e esperança.

Já Amélia Silva, de 17 anos, brindou o público com dóceis interpretações, de temas como “Radioactive”, dos Imagine Dragons e “Já Passou”, da banda sonora de ‘Frozen’, acompanhada por João Delgado e Francisco Gomes, na guitarra e nas teclas.

- Publicidade -

Houve tempo também para gargalhadas, depois da atuação de Hugo Sampaio, com a participação de Mário Claro para um momento de comédia com a personagem ‘Concertinas’, um momento muito feliz em palco partilhado com uma concertina e uma esfregona na mão.

Mas como a união faz a força, e como juntos são mais fortes, a turma de 11ºA 2015/1026 cantou “Somos um”, numa adaptação da banda sonora do clássico Rei Leão, acompanhados ao som do violino de Joana Gomes, no piano Francisco Gomes, na trompete Francisco Sousa e na guitarra João Delgado.

Ao intervalo, as pessoas acorreram a dar mais um contributo, além dos 10 sonhos do bilhete solidário que reverte totalmente para a Leonor e as despesas no seu tratamento e medicação. No bar havia doces e salgados, café e outras bebidas, a preços acessíveis para que, além da receita das entradas, o valor da angariação fosse um pouco mais além.

Handmade, banda formada em Tramagal, em 2016, trouxe o mistério na última parte do evento. Com capuzes negros, vieram deslindar o universo do FunRock, na voz de Ana Filipa Rosado, acompanhada por Carlos Pinto (Teclas), Jorge Cardoso (Guitarras), João Paulo (Baixo) e Tó Zé Santos (Percussões) e Diogo Soares (Bateria).

Revisitaram-se temas de Queen e Amor Electro, bem como de Guns’N’Roses e Zeca Afonso, músicas que captaram total atenção e envolvimento do público.

“Acho que, pode ter havido um senão ou outro, mas não se notou. O objetivo era a solidariedade”, referiu Cláudia Olhicas, momentos após todos os envolvidos no espetáculo se terem reunido em palco, com uma das alunas – da turma de corações maiores – a dizer que “solidariedade também é gratidão”, fazendo notar que estarão gratos “para sempre”.

Cláudia Olhicas, a principal mentora desta iniciativa, disse ao mediotejo.net, visivelmente emocionada, que o que mais gostaria é que “as pessoas continuassem assim, a pensar não só no seu coração, mas que o seu coração bata por outros corações. É por isso que temos coração, acho eu”, concluiu, com um sorriso de orelha a orelha.

img_20161016_004523
Cláudia Olhicas (esquerda) com Neuza e Bruno, pais de Leonor, visivelmente emocionados no final do espetáculo que encheu o cineteatro S. Pedro, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Nunca baixamos os braços”

Mas, apesar de o espetáculo ter acontecido ali, naquela noite, sentindo-se o calor e o carinho das pessoas, observando-se em cada canto a união e a esperança refletidas nos rostos de quem acredita num futuro risonho para a menina que reuniu o exército de corações maiores, os pais, Neuza e Bruno, viviam um misto de emoções. Por um lado, a alegria e a satisfação de tudo aquilo que foi proporcionado por artistas, alunos, voluntários… Mas, por outro lado, o pensamento estava longe, junto da filha.

Neuza Dias e Bruno Oliveira, os pais, conversaram abertamente com o mediotejo.net, lembrando o doloroso processo que viveram de forma repentina, desde abril.

Esta iniciativa, dizem, “dá-nos força para ainda lutarmos mais pela nossa filha”.

Neuza Dias, mãe de menina, assumiu que o caso de Leonor, desde que foi divulgado, tem sido acarinhado por toda a gente, de Abrantes e arredores. “As pessoas nossas conhecidas também têm dado muito apoio e, como se trata de uma criança, as pessoas despertam mais [o seu lado solidário].” Quanto à filha, Neuza disse que se encontra “num estado crítico”, ainda que esteja estável. “Ela não tem tido melhoras, mas também não tem tido pioras, mas está num estado crítico neste momento”, contou.

“Sem a filha”, confidenciaram, “foi muito complicado e muito duro” estarem presentes, apesar de o quererem fazer. O pai, Bruno Oliveira, sublinhou, de olhar convincente, demonstrar fé e esperança num futuro melhor. “O importante é nunca desistir, é pensar sempre positivo e procurar tudo, mil e uma formas para resolver o problema em si, a doença, tentar superar tudo. Porque estamos à espera das melhoras. Temos de lutar por isso, e aguardamos, visto que ela está estável, acreditamos que tudo há-de passar”.

“Uma prova de vida”, é assim que Bruno carateriza esta luta e o momento pelo qual a sua família está a passar.

Até abril, Leonor era uma criança ativa, como todas as outras. Depois “alertaram da escola, que ela começou com desequilíbrios”. Na semana anterior tinha sido internada, mas foi por obstipação, e os médicos dizem que não tem nada a ver com o tumor cerebral que viria a ser-lhe diagnosticado.

Neuza e Bruno recorrem a pais que já tiveram crianças nesta situação, como forma de superar e ganhar alento para levar esta luta avante. “Tem-me feito ainda melhor do que falar com um psicólogo”.

“A mãe da Princesa Leonor, pais de crianças que tiveram o mesmo tumor que a nossa filha, incluindo dois casos que tiveram sucesso e que os médicos não sabem explicar como é que ainda cá estão”.

“Queremos que a nossa filha seja como o David e como a Carina [os meninos que sobreviveram a esta doença], nós lutamos sempre para que a nossa filha também consiga superar a doença. Nunca baixamos os braços”, disse Neuza, mostrando-se determinada.

A Leonor, de 5 anos, foi a responsável pela reunião de centenas de pessoas da região do Médio Tejo, a razão de uma união genuína, desinteressada e, acima de tudo, voluntária. Leonor conseguiu tirar das pessoas o lado bom dos seus corações.

E afinal, pequena Leonor, existem por aí muitos corações maiores, prontos a ser despertados por meninas lutadoras como tu.

Por ti, Leonor.

img_20161016_002212
Foto: mediotejo.net

 

Fotogaleria:

 

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here