- Publicidade -
Quinta-feira, Janeiro 27, 2022
- Publicidade -

“No melhor pano cai o erro”, por Hália Santos

Ouvi um responsável por um ministério a falar em “eventos” quando queria referir-se a calamidades, acidentes, desastres, atentados ou outras situações em que se torna urgente localizar pessoas. Fiquei a pensar nas obrigações que têm os titulares de cargos públicos quando falam em público.

- Publicidade -

A verdade é que não se trata de um erro grosseiro, como muitos que vemos, ouvimos e lemos…

Trata-se, pelo que percebo, de uma escolha pouco indicada de uma palavra porque a associamos a outro tipo de acontecimentos, que não são exatamente aqueles a que se queria referir o governante. Normalmente, ao substantivo “evento” está associada uma ideia de sucesso e é isso que os dicionários nos dizem, embora também nos apresentem “acontecimento” como sinónimo de “evento”.

- Publicidade -

Sim, embora com a generalização da expressão “organização de eventos” sejamos levados a pensar em acontecimentos pensados e preparados com um objetivo de promover ou celebrar alguma coisa.

Talvez por isso eu tenha embirrado com a forma como o responsável se referiu aos eventos. Ele estava a falar de situações inesperadas, em que as pessoas podem estar em perigo, sendo preciso saber se estão em segurança ou se necessitam de algum tipo de apoio. Fez-me mesmo muita confusão embora, na verdade, um sismo, um incêndio, um atentado ou qualquer outra situação imprevista sejam acontecimentos.

- Publicidade -

Poderá ter sido uma utilização pouco indicada da palavra, sobretudo porque damos um significado positivo à palavra quando ela estava a ser usada num contexto negativo. Mas bem pior são todos os outros erros que ouvimos e lemos.

Vamos jogar a um jogo: tu dizes um erro e eu digo outro!

Isto não tem nada haver com o que estávamos a falar…

Mas vai de encontro à minha ideia inicial!

Já alguma vez pensastes que nem todos têm a obrigação de falar e escrever corretamente.

Já! E tu sabes porque razão os porques se devem separar?

Até sei, mas eu, não te vou dizer…

Vou ficar há espera que me digas…

Não vale a pena, até porque podem haver muitas pessoas que sabem!

Certamente que sim, porque aprenderam na escola há muito tempo atrás.

Depende da aderência que tiveram essas aulas!

Gostei muito que tivesses aceite o meu convite para este jogo.

Foi um belo exercício à cerca das coisas que se dizem…

E uma bela forma de alertar os cidadões sobre estes e quaisqueres outros erros.

Convém dizer que em qualquer pano pode caír a nódoa!

Até neste, embora se dispensa-se…

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome