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Terça-feira, Setembro 28, 2021

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“No bom caminho”, por Nuno Pedro

Todos aqueles que têm acompanhado ao longo dos anos os meus escritos, certamente estarão recordados de algumas opiniões que expressei em relação às competições futebolísticas promovidas pela Fundação Inatel, na maioria dos casos trazendo à liça aquilo que considerava serem aspetos que revelavam uma concorrência desleal, face às obrigações, ou falta delas, que o futebol dito de recreação e lazer tinha em comparação com o futebol de âmbito associativo/federado.

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Não que algo me movesse contra o Inatel ou as coletividades que nele participam. Jamais. Até porque vivemos num estado de direito em que a própria Constituição da República Portuguesa consagra o direito ao associativismo. A questão não é por aí. O que acontecia é que os princípios pelos quais se norteava o futebol no Inatel, e nem é preciso regressar aos tempos da FNAT, começaram a estar completamente subvertidos. Aquilo que tinha como objetivo a ocupação dos tempos livres dos trabalhadores, neste caso através da prática do futebol, derivou para a competição pura e dura, em que cada vez mais clubes procuraram ter nos seus quadros jogadores de maior valia, a troco de uma qualquer compensação, por muito pequena que fosse, contrariando, repito, o espírito que lhes devia estar subjacente.

Para não falar na discrepância de obrigações a que estavam sujeitos os clubes do futebol federado em relação aos do Inatel. Senão vejamos: no Inatel, não é obrigatória a presença de policiamento – no futebol federado tal é exigido; no Inatel, nos respetivos bares dos campos, há permissão para a venda de todo o tipo de bebidas alcoólicas – no futebol federado é completamente proibido. Estes são apenas dois exemplos que refletiam e bem a diferença de tratamento, com naturais repercussões financeiras em termos de custos associados à participação de um clube numa competição distrital federada, o que levou alguns clubes a optarem por competir nas provas do Inatel, quando até tinham um histórico de participação nos campeonatos distritais da Associação de Futebol de Santarém.

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Porém, este é um paradigma que começa a dar os primeiros passos rumo há mudança, mas sobretudo visando a regulação da prática desportiva, fruto da envolvência e da prossecução de objetivos comuns, de instituições como a Fundação Inatel, Federação Portuguesa de Futebol e as várias Associações Distritais e Regional de futebol do nosso país e que deriva do cumprimento do Decreto-Lei 45/2015, de 9 de Abril, o qual prevê a necessidade de serem definidas as formas de proteção do nome, imagem e atividades desenvolvidas pelas federações desportivas.

E foi seguindo o que está previsto na lei que a Fundação Inatel e a Federação Portuguesa de Futebol, a que se juntaram as associações de futebol dos distritos em que é promovido o futebol no Inatel, protagonizaram um momento histórico com a assinatura de um protocolo que une estas várias organizações e cujo objeto incide na integração na Família do Futebol dos praticantes, quer de futebol, como também de futsal, que participam nas provas sob a égide da Fundação Inatel.

Ou seja, todos estes praticantes, de futebol informal e de lazer, ficam, a partir de agora, enquadrados na esfera federativa. Por outro lado, a Federação Portuguesa de Futebol proporcionará formação e garantirá a prática das competições do Inatel nas melhores condições de segurança e saúde. Tudo isto, sem as várias entidades envolvidas perderem a sua própria identidade.

Em suma, penso estarmos perante uma decisão que pode trazer ainda mais benefícios futuros ao futebol português, com a complementaridade que Inatel e FPF podem agregar, em que o futebol amador é o denominador comum, pese embora a diferença existente entre futebol de recreação e o futebol competitivo.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

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1 COMENTÁRIO

  1. Esta atitude do Nuno Pedro não me surpreende. comungo em absoluto da sua opinião e dou-lhe força e apoio para que tudo não passe de retórica. Eu próprio, aos domingos comentava muito aquilo que observava nos campos do Inatel. Aquilo era tudo menos futebol de trabalhadores aproveitando o tempo de lazer. No princípio de época é ver alguns dirigentes das equipas que militam no Inatel na busca de outros protagonistas para a sua equipa e que nada tem a ver com gente que trabalha. Sei que é preciso ter coragem para beliscar este problema. Força Nuno e se o quiserem apelidar de protagonismo faça do esquecimento a razão do quanto baste. Um abraço.

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